Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em July de 2009

E o Sarney, hein?

Estranho. Pelo que dizem os jornais, José Sarney continua na presidência do Senado Federal, todo pimpão em seu jaquetão, escovando e engomando seu bigode como se não houvesse amanhã. Muito estranho. Ninguém mais fala do Sarney no Twitter; isso não devia significar que ele renunciou, ou foi derrubado, ou morreu? Há coisa de duas ou três semanas, só se falava em #forasarney no cortiço. Aí veio a final da Copa das Confederações, todo mundo mandou o Kelso chupar, foi uma festa. Depois o irmão da Sandyjúnior pediu pro Kelso dar uma força no #forasarney. O Kelso disse que tinha porra nenhuma a ver com isso. Alienado feladaputa.

Mas os twitteiros brasileiros não desistiram. Começaram a falar em levar o #forasarney para as ruas.

(A bem da verdade, começaram a falar disso antes, até. Eu apoiei o #forasarney logo no começo, movido pelo meu incontrolável desejo de me juntar à boiada. Mas aí falaram em ir pra rua, o que foi a deixa para que eu desistisse do movimento. Deus me livre e guarde de ir pra Paulista protestar. É inverno, lá é muito alto, bate vento, tem um monte de comunista. Tenho medo.)

Bom, nego se empolgou em sair para protestar. Marcaram um dia de mobilização nacional. Em São Paulo, 50 pessoas pararam a Avenida Paulista, era o Diretas Já! de volta com força total. Na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, 26 pessoas se acotovelavam para derrubar o Sarney. Em Brasília, foi aquele tumulto: bem uns 20 estudantes entraram no Senado para protestar. Em Florianópolis não apareceu ninguém para a manifestação, mas estou certo de que todos os catarinenses de bem estiveram lá em espírito. Enfim, uma manifestação que surgiu no Twitter e parou o Brasil. Não dá para entender como é que o Sarney ainda está lá.

Talvez tenha a ver com as pessoas de um lugar distante chamado Amapá. Essas pessoas votam no Sarney a cada oito anos. Elas devem ter alguma razão para eleger o bigodão. Os revolucionários do Twitter eram todos de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul… Ninguém pensou em consultar os caboclo lá do Amapá, entender por que eles votam no sujeito. Devem achar que os amapaenses são tudo gado, que votam no Sarney porque alguém manda. Engraçado ver gente que  elege muito nego mais safado do que o Sarney pensando que só os amapaenses são idiotas.

Dificuldades de um cérebro pegando no tranco

De uns anos para cá, venho tentando algo que pouquíssimas vezes vi alguém fazer: pensar sozinho.

Pensar sozinho é um treco muito difícil. Você tem que ir atrás de várias fontes de informação, comparar todas, estudar, comparar tudo com o conhecimento que você já tem. Aí você fica sabendo de algo novo, aprimora seu conhecimento, toca a fazer tudo outra vez. Precisa deixar de lado esquemas prontos e ir pensando o negócio desde o começo, embatucando aqui e ali, até chegar a um pensamento próprio, que é feinho que só a desgraça, todo esmolambado. Aí toca a polir esse pensamentozinho sem-vergonha, e toca a estudar, pensar tudo de novo, conferir outras fontes — quando a preguiça deixa.

Tudo isso ainda é muito novo para mim. Eu preciso estudar mais, dominar melhor o pensamento, conseguir argumentar. Saudade do tempo em que eu era um esquerdinha feliz e pegava minhas opiniões já prontas e bonitinhas na página 2 da Folha de S. Paulo…

Reconstrução

Saudações, meu povo. Vocês devem ter reparado que o Jesus chicoteador voltou ali pro topo da barra lateral. Aos poucos, as imagens que tinham sumido vão reaparecer, assim como os arquivos PDF da Bíblia Sacaneada. Tenham paciência, caralho.

UPDATE: Bíblia Sacaneada de volta, cambada.

As canções que você fez pra mim

Acordei pensando no rei Davi, sei lá por quê. O rei Davi, seus ignorantes, foi o segundo rei de Israel. Antes disso, ele matou o Golias. É uma vergonha vocês não saberem de quem eu estou falando. Diacho.

Mas eu dizia que acordei pensando no rei Davi. Morria alguém, ele fazia uma musiquinha. Absalão, Absalão! Ai, Saul. Ui, Jônatas, safadinho. Era craque em fazer música pra defunto. Era um Milton Nascimento, um Elton John.

A diferença é que às vezes ele fazia música pros negos que ele mesmo matava. Fico imaginando o Davi no palácio dele, dedilhando a lira distraidinho. Aí vem a inspiração, ele começa a cantarolar, faz uma música linda pro, sei lá, Boimuleque. Se empolga, vai enfileirando os versos. Quando termina, chama um oficial. “Vai lá na casa do Boimuleque. Já sabe.” No dia seguinte, os filhos de Israel só falam da nova canção do rei, mais um belo tributo.

Deve ser legal levar a vida assim.

Oe

Olá, meus queridos leitores.

[...]

O vento assovia. Uma porta bate. As teias de aranha balouçam. Grilos, cachorro latindo lá longe etc.

[...]

Bah.

Bom.

Estou pensando em voltar com o blog. É improvável que eu continue com a sátira da Bíblia. Mas às vezes eu sinto saudade de escrever mais do que os 140 caracteres que o Twitter me permite. Além do mais, o Twitter é uma zona. Se o blog é como a casa da gente, que todo mundo tem que respeitar se quiser falar alguma coisa, o Twitter é feito um cortiço: um monte de gente berrando coisas, brigando, lançando indiretas para não-se-sabe-quem, com a língua bifurcada gotejando rancor, todo mundo batendo o pau na mesa.

É uma merda.

Então é isso. Talvez eu volte a escrever aqui. Talvez não. Escrevo quando quiser, sobre o que quiser. E mantenham suas calças no lugar. Por aqui, o único pau na mesa é o meu.

Olá, meus queridos leitores.

[...]

Uma gralha grasna, ou sei lá que barulho fazem as gralhas. Uma coruja diz “Never more”. O corvo reclama que essa fala era dele. Várias aves começam a brigar no Twitter. Putaria do caralho.

[...]

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