Joás é ungido rei de Judá

(II Reis 11)

— Eu sou rei ou não sou?

— Claro que é, majestade.

— ENTÃO EU QUERO UM LEÃO, CARALHO!

— Majestade, essa linguagem não é adequada…

— CA-RA-LHO! CA-RA-LHO! CA-RA-LHO!

— Tudo bem, majestade, vou arrumar seu caral… digo, leão. Só vamos precisar construir um muro bem alto no pátio, senão ele come a girafa que o senhor também pediu. Fora isso, há mais alguma coisa que eu pos… majestade?

O rei tinha adormecido enquanto o sacerdote Joiada falava. Vendo seu senhor jogado daquele jeito no trono, a coroa tombada de lado, um fio de baba no queixo, Joiada questionou seus atos mais uma vez. Talvez a conspiração para levar Joás tivesse sido um erro. Bom, ele consolava-se, pelo menos tinha livrado o coitado da velha maluca.

A velha maluca era Atalia, mãe do rei Acazias e filha de Acabe e Jezabel. Com seus cabelos desgrenhados e olhos constantemente arregalados, ela era o terror e a diversão das crianças de Jerusalém. Quando saía à rua ou ao pátio do palácio, um bando de moleques — seus netos, inclusive — a acompanhava de longe, gritando ofensas e atirando pedras.

Então Acazias morreu e Atalia matou seus netos um por um, proclamando-se rainha de Judá.

Ela reinou por seis anos, malucando no palácio e ignorando a conspiração. Sua filha, Jeoseba, desconfiara ao ver a mãe se aproximando demais dos netos. Então pegou Joás e o levou para casa. Seu marido, o sacerdote Joiada, trancou o menino no templo enquanto pensava no que fazer com ele.

Joiada pensou, pensou, pensou.

Joiada ponderou, pesou prós e contras, consultou sua consciência.

Joiada falou com especialistas e pedagogos, e contratou uma consultoria de análise de risco.

E então Joiada finalmente decidiu: não podia se precipitar.

Então pensou mais um pouco, pesou os prós etc.

Depois de seis anos, resolveu que Joás era herdeiro legítimo do trono de Judá.

Bom, reconhecer que Joás merecia o trono era uma coisa; outra coisa era levá-lo até lá. Atalia era maluca mas não era besta. Sua fraqueza: ela trouxera para Judá a religião de seus pais. O culto a Baal era uma ofensa para os habitantes de Judá, muito menos adeptos da diversidade do que seus irmãos de Israel. Além disso, Atalia não era descendente de Davi. Para Joiada, dava samba.

No dia seguinte à sua decisão, Joiada convocou ao templo os generais do exército de Judá. Primeiro os fez jurar segredo do que veriam em seguida e lealdade a ele, ao Templo e a Javé. Os generais não eram bestas de bulir com Javé, então juraram, e Joiada mandou lhes apresentou Joás.

— Esse é Joás, descendente de Davi e legítimo herdeiro do trono de Judá.

O efeito foi melhor do que ele esperava. Os generais estavam cansados das maluquices de Atalia. Gastavam um tempo precioso todos os dias escrevendo relatórios sobre o andamento dos projetos de expansão da rainha. Na segunda-feira marchavam sobre o Mediterrâneo, na quinta atiravam flechas incandescentes sobre a Etiópia. Num dia informavam que tinham derrubado a lua, noutro reportavam um cerco ao sol. A rainha dava risinhos, dançava e batia palmas. Uma palhaçada. E agora vinha o sacerdote com o rei verdadeiro, da casa de Davi. Não precisava nem tê-los feito jurar: eles fariam qualquer coisa para que a vida voltasse ao normal.

Para aumentar o efeito, Joiada mandou trazer os escudos e lanças que haviam pertencido a Davi, e entregou as armas aos generais e seus soldados. As ordens eram claras: cercar o Templo, proteger o rei a qualquer custo e matar quem se aproximasse. Assim, de guarda, eles passaram a noite.

Na manhã seguinte, Joiada levou Joás para fora do Templo, colocou a coroa sobre sua cabeça e o proclamou rei. O movimento atraiu o povo. Ao atinar no sentido do que acontecia, os habitantes de Jerusalém começaram a cantar e gritar “viva o rei!” A rainha, de camisola mesmo como estava, veio ver o que estava acontecendo. Ao ver a cena, seus olhos se esbugalharam mais ainda e sua boca começou a espumar, enquanto ela gritava:

— TRAIÇÃO! TRAIÇÃO! PUDIM! TESOURA DE PODA! FEDORA COM PENA VERDE!

Joiada ordenou aos soldados que levassem Atalia para fora e a matassem. Eles, é claro, obedeceram. O povo, em êxtase, derrubou o templo de Baal e matou seu sacerdote, Matã. Joiada postou guardas no Templo e, junto com os oficiais, levou Joás ao palácio. Joás sentou-se no trono e deu sua primeira ordem:

— Eu quero uma GIRAFA!

Joás tinha sete anos quando se tornou rei de Judá.

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12 comentários

  1. Olha ae! o/
    Eu sabia que ele não tinha morrido! 😀

    Tô ansioso pra ver o Apocalipse, deverá ser fodástico!

  2. Mais um “erro”, acho que faltou uma letra aqui

    “Vendo se senhor jogado daquele jeito no trono,”

    “Vendo seU senhor”

  3. Cara, a melhor parte foi a atalia, pena ela ter falado ter pouco, heheh.
    Porque você não pôs ela falando mais?
    Porque quis?
    PUDIM! TESOURA DE PODA! FEDORA COM PENA VERDE!

  4. Eu gostei da frase final!!!
    — Eu quero uma GIRAFA!

    Joás tinha sete anos quando se tornou rei de Judá.
    ahahahhahahahhahaahhahaha

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