Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2008

Empresinha safada

A tal de Ticketmaster se vende como prestadora de um serviço que facilita a vida das pessoas. À primeira vista, até parece verdade: antigamente, você precisava ir até o local do espetáculo ou evento que queria assistir, enfrentando trânsito e filas para conseguir seus ingressos. Agora basta entrar em um site, ou telefonar, e rapidamente você compra os ingressos, que serão entregues no conforto de seu lar. Lindo, não? Pois é.

Meu ódio pela empresa começou há alguns anos. Queria assistir a um show com venda exclusiva pelo site. Geek convicto que sou, achei o máximo: resolver problemas online é a grande alegria de minha vida. Comecei a me irritar quando vi o termo “taxa de conveniência”. Não se tratava de frete, taxa de entrega, nada: além do valor extorsivo do ingresso e do dinheiro extra pago para que ele fosse entregue em minha casa, ainda precisava pagar mais essa taxa inexplicável, conveniente apenas para os atravessadores da Ticketmaster. Tudo bem, não havia outro jeito, concordei com o pagamento. Depois, lendo as regras do serviço prestado, outra surpresa: o ingresso só seria entregue a mim ou a uma pessoa especificada no momento do cadastro, mediante apresentação de documento de identidade e fatura do cartão de crédito. Para quê, meu Deus? Concordei, passei raiva, recebi meu ingresso e, se bem me lembro, o show não valeu o sacrifício.

Desde então, tenho me recusado a utilizar os serviços dessa empresinha safada. Compro meus ingressos na bilheteria ou nos postos autorizados, desprezando internet e telefone, por mais que isso vá contra minha natureza. Mas eis que anunciam show de João Gilberto. Bom, vocês sabem (ou deveriam saber) de minha idolatria por João Gilberto. João é Deus, João é tudo. A venda dos ingressos ia começar hoje pela manhã, então preparei uma seqüência de planos:

  1. Entrar no site logo cedo para comprar os ingressos
  2. Se não desse certo, comprar por telefone
  3. Se não funcionasse, pegar o carro, estacionar na Fnac (que fica do lado do trabalho) e comprar os ingressos por lá
  4. Se não conseguisse, passar a manhã tentando comprar pelo site e por telefone
  5. Se desse errado, ir até o local do show (Ibirapuera) na hora do almoço e comprar os ingressos na bilheteria
  6. Se isso também falhasse, voltar ao item 4
  7. Se nem isso desse certo, sentar e chorar

Eu lhes digo que deveria ter ido logo ao item 7, pelo menos pouparia energia. De manhã, tentei fazer a compra pelo site, que travava por excesso de tráfego. O número de telefone estava constantemente ocupado. Na Fnac, me informaram que desta vez a bilheteria deles não era posto autorizado. No trabalho, fiquei tentando no site e pelo telefone. Quando consegui entrar na página de compra dos ingressos, fui recompensado pela mensagem “Consulte disponibilidade em outros canais”. O plural alimentou um pouco minhas esperanças, mas durou pouco: liguei para a bilheteria do Auditório Ibirapuera e me informaram que não venderiam os ingressos por lá. Ou seja, os tais “outros canais” resumiam-se a:

  1. Telefone
  2. Sentar e chorar

Então fiquei ligando, ligando, ligando. Depois de muito tempo, consegui ser atendido. Uma gravação. Tecle isso, tecle aquilo. Outra gravação. “Todo mundo tá ocupado, güentaí”. Musiquinha. “Digite o número de seu cartão de crédito”. Oba, agora vai. “Güenta mais um pouco, trouxa”. Musiquinha. Musiquinha. Musiquinha. Depois de uns vinte minutos, uma puta qualquer me atendeu só para dizer que os ingressos (de 30 e 360 reais) para os dois dias estavam esgotados.

Vejam que maravilha: os caras monopolizam a venda de ingressos mas não têm infra-estrutura para atender todo mundo. É claro que eu podia ter começado a tentar de madrugada, ou ficado dependurado no telefone, ignorando o trabalho. Mas o negócio é que eu nunca tive que sacrificar meu sono nem arriscar meu emprego para ver um show. Vi João ao vivo diversas vezes, queria ver de novo, não deu. Que se fodam os atravessadores. Em breve eles serão desnecessários. Todo mundo tem telefone celular, é mera questão de tempo para os organizadores de espetáculos perceberem que não precisam de uma empresa sem-vergonha como essa para fazer seu negócio: o nego paga com o celular, recebe o ingresso no celular, entra na casa de espetáculos usando o celular. Ou um cartão com chip. Ou biometria: impressão digital, íris, pregas do cu. A Ticketmaster é como o fax, já nasceu obsoleta. Vai falir logo e eu vou rir bastante.

E você, João?

Bléeeeeeeeeee

Bléeeeeeeeeee

É isso aí.

Problemas técnicos

Eu juro a vocês que estou disposto a escrever um novo capítulo bíblico, mas o servidor que hospeda o blog não quer colaborar. Mal consigo subir um post pequeno como este, que dirá um texto extenso. Então se segurem aí. Depois eu publico mais um vídeo. Enquanto isso, assistam a mais um vídeo, desta vez uma superprodução:

Videopost

Era só o que faltava…

Funcionou

Olhai e vede, incréus! A simpatia funcionou perfeitamente para o Daerson. Podem guardar o fio dental dentro de um livro agora. Mas só o dele, hein? Os outros vocês vão deixando aí. E podem mandar mais fotos.

É impressão minha ou este blog está uma lerdeza só?

Barganha

Uma das várias divisões possíveis da população mundial: aqueles que têm dinheiro e aqueles que sabem escrever. São dois grupos bem distintos, e desconheço qualquer intersecção entre eles (”E o Paulo Coelho?”, alguém dirá, o que só serve para reforçar minha tese). Vez por outra o primeiro grupo precisa dos serviços do segundo. Para isso, mostram-se dispostos a abrir mão de uma ínfima parcela de seu rico dinheirinho em troca de meia dúzia de frases mais ou menos bem alinhadas.

Pois bem: sem emprego formal, eu dependo cada vez mais desses escambos de palavras por vil metal. Se vocês souberem de algum lance desses (matérias para jornais e revistas, textos diversos, traduções canhestras, biografias por encomenda, top secret ghost writings), avisem-me. Estou feito o Maníaco do Parque quando sair da cadeia: pegando qualquer coisa.

Mais simpatizantes

Eu estava com uma preguiça danada de publicar as fotos mais recentes da simpatia. No entanto, a nova opção de imagens com legendas no Wordpress 2.6 me deu o ânimo necessário para fazê-lo. Aí vão as últimas colaborações para que um número crescente de pessoas arrume emprego:

O Daerson está quase, eu também, mas não podemos deixar esse fluxo de energia esmorecer. Então estou esperando mais fotos.

Bizarrices

Enquanto não arrumo tempo nem disposição para escrever, vai aí uma coletânea de comentários não aprovados

ei vcs falam q sao crentes + nao sao nem catolicos e vcs ja viram as historias q vcs colocam é horrivel e eu estou online des das 10:00 horas da manha e tomare q alguem fale comigo!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
jennisinhaSOMA
eu quero saber se tem uma hiostoria que eu
possa fazer na escola de um super heroi que liberta as pessoas do mal e p´rotege as pessoas para o bem
tatiane
eu acho que esse site deveria ter um pouco mais de respeito e cuidado nas palavras, queria tirar umas duvidas sobre o acordo dos gibeonitas e me decpcionei com as palavras “torpes” que foram escritas. JOSUE era um líder escolhido por DEUS e todo aquele que é escolhido por DEUS é nova criatura por tanto PALAVRAS TORPES NÃO EXISTE EM NOSSO DICIONARIO.
Jordana
Meu querido sou do RJ e trabalho com Cachorro Quente, meus clientes estão me pedindo para por esse com purê, mas ainda não fiz pq não tenho uma receita q vale apena.
Será q vc pode me enviar a sua !?
Obrigado ! Q DEUS te abençoe e te prospere cada vez mais !!

Marcos Aurélio
Olá sou o Frnando de Miranda Agra, tenho 13 anos de idade, moro em são paulo cidade de diadema, e eu queria saber o nome da nota de dinheiro,quanto que eu tenho que pagar no avião, quanto tempo de duração, o jeito que eu tenho que ir para o egito.
Fernando

Hã?

Requiém para uma leitora insuspeitada

Eu sou um tiozão. Tenho plena consciência disso. Nunca sei do que esse pessoal da tal blogosfera está falando. Um exemplo: fiquei sabendo graças a esse post do Ruy Goiaba que o que eu pensava ser uma piada interna entre meia dúzia de amigos é na verdade um fenômeno de grandes proporções e ramificações várias.

Esse intróito todo é para vocês terem uma idéia do choque que minha própria ignorância me causou quando a Fer escreveu sobre a morte de uma tal de Tina. Quem seria Tina? Pelo visto uma briguenta qualquer de internet, essa gente que entra em blogs para arrumar encrenca com seus autores. Mas então fui lendo mais sobre ela e descobri que era uma senhora de 56 anos, moradora dos EUA, que há tempos sofria sérios problemas de saúde. O nome completo, Tina Oiticica Harris, me soou familiar. Resolvi caçar nos comentários do JMC. Dessa vez a minha ignorância me proporcionou um nó na garganta.

Vejam, por exemplo, o primeiro comentário da Tina neste blog, feito em 16 de julho de 2006 no post Elias, a seca e a viúva:

Profano, desacarado, hilário, bem escrito, tomara que você volte logo para que dê mais diversão aos fariseus. Afinal, é dando que se recebe.

Nada de encrenca, de provocação, nada. Só uma nova leitora manifestando seu gosto por minha prosa capenga.

No dia 4 de agosto veio outro comentário de um post bíblico:

Como me privei durante tanto tempo da tua prosa inteligente, bem escrita e tão hilária. Aliás, hoje é feriiado judeu, destruição do (s) templo(s). Jejum até o anoitecer.

E assim se seguiram os comentários de Tina, sempre elogiosos, beirando o constrangedor (para mim). No meu post de ano novo 2006/2007, lá estava ela, carinhosa como sempre:

Melhores votos de um grande 2007 com realizações de teus sonhos. Sempre fico esperando pelo feed da minha re-educação judeo-cristã, um dos pontos mais altos das minhas leituras deu pra ver que são chãs, quase todas?

Espero que o livro venda de montes e o resto é ficar na torcida … do Botafogo.

Outros comentários vieram até junho de 2007, quando, salvo bug no sistema de busca desta joça, ela desistiu de interagir por aqui.

Recebo todos os dias uma enormidade de contatos de leitores, nos comentários ou por e-mail. As participações de Tina, esparsas no decorrer de pouco menos de um ano, se perderam nessa massa, destacando-se apenas por seu caráter positivo. Agora, lendo um pouco mais sobre ela, começo a pintar a imagem de uma mulher que sofria e encontrava na web um meio de manter o viço. Talvez eu devesse ter trocado algumas mensagens com ela, nem que fosse para agradecer por elogios tão rasgados. Em março de 2007 ela me mandou um e-mail avisando de um erro no feed do blog. Desperdicei a oportunidade de responder. Talvez nos engajássemos numa briga qualquer e hoje eu tivesse alguma história para contar ao marido de Tina. Não o fiz, e só o que tenho é essa sensação de besta e sem sentido de perda.

Mas prefiro pensar que fui de alguma utilidade para essa mulher. Parece que Tina se alegrava lendo blogs, e em seus comentários ela deixou bem claro que gostava de minhas bobagens, que ria de minha caricatura das sagradas escrituras. Então penso nessa senhora fragilizada pela doença e imagino-a lendo esses textos com um meio sorriso no rosto, fugindo da realidade por alguns minutos para transportar-se aos tempos de Elias. Ela devia se identificar com aquele profeta rabugento, boca dura, encrenqueiro e provocador. Elias subiu aos céus em um redemoinho. Tina foi mais discreta.

Pavio curto é o caralho!

— Essa mulher pisca enquanto fala!

— Calma.

— MAS OS OLHOS DELA DUBLAM AS PALAVRAS!

— Caaaaaaalma…

Enquanto eu me irritava com o tique de Mariana Ferrão na TV (Bandeirantes, na época), minha então namorada (agora esposa) tentava me acalmar, sem sucesso. Eu olhava para aquela moça, bonita até, e me irritava com seu sorriso de gengiva e seu piscar frenético.

Foi só uma das ocasiões em que perdi o controle de meu temperamento. Em casos como esse era mais fácil: como o alvo da minha ira era alguém inalcançável, eu não magoava ninguém que estivesse por perto. Passava ridículo, e só.

Bom, com o tempo fui ganhando fama de pavio curto. Por conta de uma discussão besta certa vez destratei o Edu Edu de uma tal forma que ele ficou vários dias sem falar comigo. Emendei a situação comprando para ele a edição especial de Curtindo a Vida Adoidado. Ele perdoou, mas não esqueceu. Tanto que, quando apareceu uma produtora do Bom Dia Brasil falando que precisava de personagens para uma matéria sobre pavio curto, ele imediatamente se lembrou de mim. A moça me telefonou, fez uma pré-entrevista e agendou o horário para a gravação.

A equipe chegou ao nosso apartamento pontualmente. Abri a porta e dei de cara com Mariana Ferrão, sorridente, gengivante e piscante.

Lá pelas tantas, ela me perguntou o que me irritava. Falei em gente que joga lixo na rua, que faz muitas perguntas, que fala comigo quando estou concentrado. Mas minha vontade mesmo era responder: “VOCÊ! VOCÊ E ESSE SEU PISCA-PISCA DO INFERNO! MORRA!”.

Me contive.

Ô, maré…

Estou semidesempregado. Então aproveitem o ensejo para amarrar mais um pedaço de fio dental no cabo do mouse.

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