Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2007

Tô ficando mole

Terceiro dia de aula, percebo que a faculdade não é tão ruim assim. Há uma praça de alimentação decente, e as pessoas até que são agradáveis. Prevejo que vai me acontecer o de sempre: eu tento abraçar a misantropia com todas as minhas forças, mas acabo socializando. Oh, vida bipolar…

Mas e a festa, hein?

Ixe

Agora é que eu sumo de vez deste blog: comecei a freqüentar as aulas da Unidez. Noto um ar levemente bovino em meus colegas, mas deve ser só aquela minha má vontade de sempre com o ensino superior. Seja como for, agüentem as pontas. Se eu conseguir passar o primeiro semestre assistindo a poucas aulas (acho que consigo eliminar umas coisas por lá) eu reapareço.
Enquanto isso, ainda precisamos decidir o lugar da festa. Eu queria fazer no Central das Artes, mas os caras estão lotados até abril. Bom, talvez eu faça a festa em abril. O que vocês acham?

Aniversário

Sempre que eu vejo essa gente que lê livros de auto-ajuda e assiste a palestras dos gurus do marketing pessoal, seguindo cada dica como se fosse um dogma religioso, não consigo evitar um pensamento: o sonho desse povo, seu objetivo na vida, é ser como meu irmão.
O caçula lá de casa é um sedutor de pessoas. Fazer amigos e influenciar pessoas é para ele o que há de mais fácil no mundo. Ele sempre sabe quem mexeu no seu queijo, e sabe o que podemos aprender com os cisnes. Tem essa coisa meio monge, meio executivo. É o verdadeiro Sim na terra do Não. E o melhor, não perde seu tempo lendo nada desse lixo: seus talentos e traquejo social são naturais.
Hoje ele completa 27 anos de vida (eu me lembro perfeitamente do dia em que ele chegou da maternidade; vejam como sou velho). Somos muito diferentes. Ele sabe lidar com pessoas e com dinheiro, por exemplo, duas habilidades que não desenvolvi. Mas também somos muito iguais no que importa: sentimentais baianos, choramos e rimos à toa. Palhaços melancólicos, fazemos as melhores piadas quando estamos tristes.

Em homenagem a ele1, posto de novo uma gravação antológica de uma música de Zeca Pagodinho. Meu irmão canta e eu toco violão, canequinha e sacola de plástico:

Feliz aniversário, moleque. Te amo pra caralho.

1 A homenagem é por ele ter cantado comigo, tem nada a ver com o título da música. O vacilão lá em casa sou eu.

É preciso estar atento

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Quando você está andando sem nada melhor para fazer, e esbarra com a capa da Playboy por aí, é melhor considerar isso um sinal.
Amanhã será um bom dia.

Era impossível tirar uma foto da moça sem algum mané do lado. Homem é um bicho muito babão, credo.

Aniversário

Este blog completa hoje cinco anos de existência, e só agora eu tive tempo de falar sobre isso. Congratulem-me, portanto, e continuem mandando dicas de onde fazer a festa.

(Dicas de verdade, ok? Só há uma vaga para engraçadinho neste blog, e já foi preenchida pelo autor)

Vacas calouras e uma lição do caçula

Post escrito originalmente para o maravilhoso blog Gente, foi horrível!

Estou prestes a completar 32 anos. Não sou nenhum jovenzinho, sei muito bem. Nem por isso, porém, vou aceitar desaforo. Pois vejam: semana passada estava eu feliz da vida encarando o trânsito da Radial Leste para chegar ao trabalho. Eis que paro num farol1 ali na Mooca e sou abordado por duas garotas de cara pintada. “Amazonas guerreiras!”, pensei eu, antes de perceber que eram apenas duas calouras da São Judas. Faziam parte de um grupo grande de calouros, que estavam ali tentando arrecadar uns trocados para os veteranos. Uma delas se debruçou na minha janela, expondo uma boa fatia dos peitos. Eu, mais que depressa, olhei para o outro lado.

Tá, talvez não tãaaaaaao depressa.

Ok, ok! Sequei os peitos da garota, tá bom? É um impulso mais forte do que eu, não consigo evitar. Enfim, a filhadaputa mostrou as muxibinhas e abriu a matraca:
— Tio, ajuda a gente, compra um pacote de balas. Só dois reais, tio!
O tal “pacote” era um saquinho com duas ou três balas dentro. Fiz que não com a cabeça. A outra, que trazia nas mãos um chumaço de cabelos, não perdeu a oportunidade:
— Então compra cabelo, tio. Cê tá precisando!
Vacas. Putas. Ornitorrincas adolescentes com suas vozes esganiçadas. Eu queria descer do carro e espancar as duas. Mas me controlei e disse:
— Vocês estão fazendo o quê?
— É trote, tio! Os veteranos obrigaram a gente a…
— EU SEI que é trote. Estou perguntando que porra de CURSO vocês estão fazendo na faculdade.
— Ah… Rádio e TV, tio!
— Pois então, Rádio e TV. Vocês vão passar o resto da vida na merda, sem dinheiro nem pra comer. É melhor irem se acostumando a ficar sem dinheiro, né?
— …
— Olha lá, o farol abriu. Com licença.
Parti satisfeito, mas não plenamente. Minha vontade mesmo era dizer: “Tio? Não sabia que meu irmão andava comendo tua mãe”. Merda de civilidade.

Por falar no meu irmão, não é que o moleque me ensinou algo muito importante e valioso dia desses? Pois foi! Ele me ensinou que não se deve exibir comportamento socialmente inaceitável, fiando-se no manto ilusório de anonimato oferecido pela multidão. Conto.
Semana passada. Estava caminhando pelo centro da cidade, comportando-me alegremente da forma mais inaceitável possível. Ninguém me conhecia, que se fodessem todos. Entrando na Praça Ramos de Azevedo, porém, levei um susto quando um sujeito de terno gritou:
— ÊÊÊ, DEDÃO NO NARIZ!
Era meu irmão, que estava voltando do almoço. Imaginem a minha cara.

1 Eu sou paulistano e falo “farol” mesmo. Não me interessa que nome o aparato tenha aí no seu exótico rincão.

Experiência de quase morte

Este blog quase bateu os bits. Um excesso de spam nos comentários do Emotionrélio levou o pessoal do serviço de hospedagem a mover a pasta do Movable Type (programa que eu uso como base deste troço) para outro canto. Na tentativa de arrumar sozinho, acabei fodendo o negócio mais ainda. Estava desde quarta-feira impossibilitado de postar.
Bom, mas depois do susto cá estamos. Tenho histórias pra contar, talvez até um novo capítulo bíblico, mas não agora. Agora eu quero saber o seguinte: onde é que tem um lugar decente pra gente fazer a festa do JMC? Entendam por “lugar decente” um estabelecimento que possa ser fechado exclusivamente para a festa, e que fique num lugar acessível de São Paulo.

Festa?

De todas as pessoas importantes para a história deste blog, há duas que se destacam: Daniela Macedo, que escreveu comigo o Balde de Gelo, e deus, do finado falecomdeus. Pois então: o casal está a fim de uma festa. Estavam lá conversando, e lembraram que o JMC completa cinco anos de existência no dia 7 de fevereiro. Então me propuseram fazer uma festa para celebrar a data, como fiz nos dois primeiros aniversários do blog.
Bem, quem sou eu para contrariar o casal? Agora é com vocês: se eu fizer uma festa (começo final de fevereiro, São Paulo) alguém vai? (e não, eu não estou aqui para pagar transporte nem hospedagem pra vagabundo nenhum)

E eis o vídeo mais lindo de todos os tempos:

Notem como João fica incompleto sem o violão.

Pergunta

Sabe quando você vai contar um diálogo que teve? Uma conversa qualquer? Então, estava reparando: na hora de contar a história, o interlocutor sempre tem voz de retardado. Tipo:
— Então eu falei pra ele, “Esse negócio é pra botar aqui, não lá!”, e ele, [voz de retardado]“Ahhh. Não sabia…”
Por quê, hein?

O inapto e o pneu

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Na noite de segunda-feira eu descobri que sei trocar pneu.

Que foi? Que que tem? Vocês acham que todo homem vem de fábrica com os genes de trocar pneus, abrir jarros e matar baratas? Pois eu só vim com o dos jarros. Matar baratas foi uma habilidade que eu adquiri com o tempo, e trocar pneu foi algo que surgiu com a necessidade. Conto.
Depois da saga que foi obter minha carteira de motorista aos 30 anos de idade, e de enfiar um carro no poste, achei que já tivesse passado pelo batismo da direção. O negócio começou a mudar, porém, quando recebi minha primeira notificação de multa, há uma semana. Quatro pontos na carteira por andar a estonteantes QUARENTA E OITO QUILÔMETROS POR HORA (o limite era quarenta). E então, na segunda-feira, o pneu.
Vinha eu feliz pela Marginal Tietê após deixar a namorada em casa. Havíamos saído para comemorar o aniversário de dois anos de namoro (vejam só que mulher paciente). Pensando no quanto o trânsito estava livre, e que ia chegar em casa rápido, peguei a alça que leva à avenida Governador Carvalho Pinto, via pública com baixo índice de acidentes e alto índice de trocadilhos. No meio da curva, a oitenta por hora (o limite é sessenta; vem me pegar, CET!), um estrondo e o carro fica manco de repente. Quase me enfio na lateral do viaduto. Consegui controlar o carro, porém, e percebi que o pneu dianteiro esquerdo havia estourado.
O que fazer? Eu não tinha idéia. Liguei o pisca-alerta e me pus a pensar. Por pouco tempo: as buzinas atrás de mim (todos os carros surgem do nada quando você está parado na faixa da esquerda de um viaduto com o pisca-alerta ligado) me fizeram perceber que, caso ficasse ali, seria abalroado (vixe mãe) em breve. Então fui conduzindo o carro para a direita, fazendo sinais frenéticos e meio abichalados para que me deixassem passar.
Já do lado direito, outro problema: estava no meio da favela do Boi Lambão Malhado (sei lá o nome da favela). Não sei quanto a vocês, mas eu não ando muito com vontade de morrer, então fui dirigindo o Corsa capenga até passar a favela do Macaco Leproso. O que não adiantou muito: enfiei o carro numa travessa logo do lado da favela do Sapo Pilantra. Os moradores da comunidade (eu estava no meio do território dos caras, melhor ter respeito) estavam todos reunidos num bar ali perto, dançando ao som de um rock retardado qualquer. Capital Inicial, essas coisas. Um sujeito de bicicleta passou três vezes olhando para o carro e para minha cara de babaca.
Sim, leitores, eu tinha medo. Mas ali estava meu meio carro (a outra metade ainda é do meu pai; alguém tem 11 mil reais pra me emprestar?) de pneu furado, e eu precisava solucionar aquele problema. E o pior: estava de calça nova. Se pelo menos estivesse de minissaia, era possível que algum rapaz bondoso parasse para me ajudar. Como não estava, botei mãos à obra: abri o porta-malas, retirei o estepe, o macaco e a chave de roda (não tinha triângulo, nem zabumba, quanto menos sanfona), e resolvi tentar trocar o pneu.
Eu lhes digo: a troca de um pneu parece tarefa corriqueira, mas não é. Ah, não é mesmo! Trata-se de uma ciência hermética, uma arte para iniciados. Aposto com vocês que o teste para chegar a Grão-Mestre da Maçonaria é trocar um pneu. Pois vejam: para começar, não conseguia fazer com que o macaco executasse seu trabalho. Enfiei o safado sob o carro, imaginei onde seria um ponto de apoio decente na lataria, e comecei a rodar aquela joça. O diabo da alavanca ficava batendo no asfalto, e o carro subia um pouco e logo caía. Algo errado. Hora de ler o manual do carro. Consultando o importante documento, descobri que estava usando a ferramenta de cabeça para baixo.
Com o macaco devidamente posicionado, erguer o carro foi moleza. Aí veio o outro desafio: tirar o pneu. Afrouxei o primeiro parafuso sem grande dificuldade, mas os outros não cediam nem a pau. Depois de muito tentar, aceitei a derrota e fiz o que qualquer mocinha faria no meu lugar: liguei para o seguro.
O rapaz que me atendeu deve ter achado graça na minha incapacidade, mas garantiu que o socorro chegaria em meia hora. Provavelmente um negão que me olharia com desdém e tiraria os três parafusos usando apenas dois dedos. Que se fodesse: no que me dizia respeito, o problema estava resolvido. Mais tranqüilo, saí para procurar um lugar onde pudesse comprar uma coca-cola. Logo na frente do bar, um trailer de cachorro-quente me surgiu como um oásis. Pedi minha coca-cola, conversei um pouco com os presentes sobre assalto a banco e notas marcadas (eu fico interativo quando estou nervoso, mesmo com o menos recomendável dos públicos), e voltei ao meu posto ao lado do pobre carro manquitola.
Meus amigos, levou menos de cinco minutos. Olhando para o carro ali tão vulnerável, já com os apetrechos jogados de volta no porta-malas, tive uma revelação: se erguido no ar, o pneu girava um pouco a cada golpe; firmemente plantado no chão, ofereceria um ponto de apoio muito melhor à chave de roda. Senti meu QI aumentar uns cinco pontos, abri novamente o porta-malas e dei início à Opareção Troca de Pneu 2.0.
Mais inteligente como estava, deduzi rapidamente que retirar todos os parafusos poderia trazer efeitos indesejados, como receber o peso do carro sobre o pé. Então apenas afrouxei os danados, agora com a maior facilidade, e levantei novamente o carro. Depois disso foi só terminar de desrosquear os parafusos e tirar o pneu furado. Ao tentar botar o estepe, porém, outro problema foi apresentado à minha poderosíssima inteligência: o eixo, ou seja lá como for o nome daquela porra onde se enfia o pneu, estava muito baixo para o encaixe. “Este pneu é muito grande”, pensei eu. Botei o danado ao lado de seu colega ferido, e de fato ele estava uns 10 centímetros maior. E eis que o gênio se manifesta novamente: os dois eram do mesmo tamanho, só que um estava furado e o outro não. Bastaria subir o carro um pouco mais e estaria feito. Pronto: com essa genial dedução final, terminei a troca do pneu, liguei para o seguro cancelando o chamado (atendido por uma moça, dessa vez) e voltei para casa.
A lição que aprendi e agora repasso a vocês: o bom mesmo é nascer mulher. Não que essa lição vá me servir para alguma coisa.

A foto de abertura deste post nada tem a ver com o episódio do pneu. Foi tirada numa estradinha perto de Piracaia, interior paulista, onde eu e Ana Cartola passamos dias agradáveis. Nesse penúltimo dia o radiador furou, o carro faleceu e voltamos de guincho para casa. Abrir o capô foi mera pose de minha parte. Entendo tanto de mecânica quanto de cirurgia abdominal de ruminantes.

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