Desanimado e frustrado por antecipação, o emissário do rei chega à praça principal do vilarejo para colher as últimas notícias vindas dos mais distantes pontos do reino. No caminho, vinha pensando no quanto Sua Majestade estava desatualizado. Antigamente era outra coisa: cinco ou seis arautos revezavam-se no coreto, liam suas proclamações, alguns menestréis arriscavam cantigas em troca de uns cobres, pequenos contrabandistas vendiam suas bugigangas. Isso até o dia em que algum imbecil declarou que o mundo vivia uma nova era, um tempo de informação para todos e participação geral, um mundo em que todos estavam conectados. A teoria era linda, mas a prática era o que se via na praça agora: uma zona.

Com a chegada do funcionário do palácio, fez-se silêncio na praça — alguma coisa dos velhos tempos havia de permanecer. O emissário suspirou, fechou os olhos e fez sua solicitação:

— Quero informações sobre guerra!

Mal terminou a frase, e fez-se a Babel na praça, com as vozes de mil arautos sobrepondo-se umas às outras:

— Selas, arreios, estribos? Casas Javier Guerra é de confiança!

— Não!

— Agora é guerra! Campeonato regional de gamão!

— Não!

— Fotos de Arminia Guerra nua!

— Er.. Fica aqui do lado, já falo com você.

— Você quis dizer garra?

— NÃO, CARALHO!

— “Já dura três dias a guerra nos Bálcãs. Boatos dão conta de que o rei de França teria interesses na guerra, já que sua esposa é da linhagem da casa montenegrina. O rei nega os rumores, e diz que a soberania francesa não será…”.

— Ah, agora sim! Leia o resto, arauto.

— Xi. Página não encontrada.

— Como?!

— Eu li isso em algum lugar, memorizei e tal, mas não tenho cópia. Quer ler a página em cache?

— Onde?!

— A página que eu memorizei…

— Vá lá.

— “Já dura três dias a guerra nos Bálcãs. Boatos dão conta de que o rei de França teria interesses na guerra, já que sua esposa é da linhagem da casa montenegrina. O rei nega os rumores, e diz que a soberania francesa não será…”.

— Não será o quê?

— Sei lá. Só guardei até aí.

— ARGH!

Exasperado, o emissário voltou para o palácio. Diria ao rei o de sempre: que tudo estava bem.