Me pergunto qual a patologia de uma pessoa que acusa outra de ser arrogante. Nunca acusei ninguém disso, nem mentalmente; de burro, sim, de idiota, de vulgar, de fresco, de cretino; mas nunca de arrogante, porque a arrogância é uma vaidade alheia que nos desagrada, uma vaidade que parece prestes a humilhar a nossa. Ninguém humilha a minha vaidade.
(Alexandre Soares Silva)
Arrogância
■ substantivo feminino
1 ato ou efeito de arrogar(-se), de atribuir a si direito, poder ou privilégio
2 Derivação: por extensão de sentido.
qualidade ou caráter de quem, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; orgulho ostensivo, altivez
3 Derivação: por extensão de sentido.
atitude desrespeitosa e ofensiva em atos ou palavras; insolência, atrevimento, ousadia
(Houaiss)
Descobri hoje na faculdade que algumas das pessoas mais agradáveis da sala me acharam arrogante nos primeiros dias. Senti-me ofendido. Por que cargas d’água deixaram de achar?
É engraçado. Nego tem um bíceps do tamanho da minha cabeça, anda por aí de regata e ninguém diz nada (ah não ser as moças, que suspiram por ele, ou os invejosos, que cochicham sobre o tamanho do pau do rapaz). Uma portadora de belos peitos faz questão de exibir as tetas em profundos decotes, e está tudo muito bem (muito, muito bem). Agora, tente citar Dostoiévski. Tente desprezar o que é reles e chão (como livros espíritas, de auto-ajuda e Dan Brown). “Arrogante!”, berram as hordas horrorizadas, já de tocha na mão. Ah, vão à merda!
Há uma comunidade no Orkut chamada Eu sou arrogante. Em sua descrição, uma frase de Schopenhauer:
Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas.
O brasileiro valoriza muito a modéstia. O brasileiro é idiota. Coincidência? É foda não ser idiota neste país.
No último post, algumas pessoas (inclusive meu querido Giggio, sempre me criticando e discordando de tudo que eu digo, o safado) vieram defender a diversidade e coisa e tal. Bem intencionados, não querem que eu seja arrogante (provavelmente para não reencarnar como ácaro). Então me vem um tal LP e sapeca:
Leiam Vonnegut, esqueçam Kardec, e ler Paulo Coelho é ser analfabeto. Semi-analfabeto, pelo menos.
Santo e arrogante LP. Obrigado, LP. Leiam Refluxo Gástrico, o blog do LP.