Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em abril de 2007

Puto

Eu estou puto.
Não, isso não quer dizer que virei veado, nem que estou fazendo sexo por dinheiro. Isso quer dizer que eu estou com muita raiva no coração, e pronto a distribuir patadas indiscriminadamente.
Fui ao candomblé no sábado. Pessoas incorporadas, muitas bichas, um babalorixá fundamentalista. Isso daria um post e tanto, não? Pois é, mas não consigo escrever. A raiva é tanta que não consigo ser engraçadinho.

A gente roda, roda, e acaba chegando sempre na mesma encruzilhada: que diabo eu faço da minha vida?

Tá, tá

Deixem pra lá. Ativei um diabo de uma publicação dinâmica por aqui, e uma busca mais rápida. Ficamos assim por enquanto.

Pergunta simples

Alguém conhece uma maneira de importar para o Wordpress usando linha de comando?

Estátua!

Por falar em testes, parem tudo. Nada de comentários por enquanto. Estou testando a migração para o WordPress. Volto depois, provavelmente com o blog todo fodido.

Mudança

Os mais atentos hão de perceber uma leve mudança nos caça-níqueis deste miserável blog. Estou testando.

Chega!

“Chega de historinha!”. “Chega de DVD!”. “Chega de desenho!”. É assim que minha sobrinha Ana Julia demonstra sua exasperação diante da informação em excesso. Imitando-a, digo eu: chega de Second Life! Sim, sim, os mundos virtuais são fascinantes, abrem novas possibilidades, oferecem oportunidades e coisa e tal. Eu escrevi sobre isso em agosto do ano passado; foi (acho) a primeira matéria extensa sobre o assunto na imprensa brasileira. No final, eu escrevi:

Até o final do ano, segundo estudo da E-Consulting, o Brasil terá 4,1 milhões de usuários de internet banda larga. A consultoria prevê que esse número mais do que dobrará em dois anos: em 2008, serão 8,3 milhões. Uma parcela ainda pequena da população total do País, é verdade, mas um público consumidor altamente qualificado. São milhões de pessoas de classe média, portadores de cartão de crédito, internautas convictos, e-consumidores. Em outras palavras, um contingente pronto para conhecer a nova realidade dos mundos virtuais. Que empresas estarão a postos para recebê-los?

A resposta parece ser: TODAS! É um inferno. Todo dia alguma empresa anuncia sua chegada “pioneira” ao mundo sintético do Second Life. Lembro de quando a Internet chegou ao Brasil: todo mundo falava em www. Você corria para lá e para cá, abria outra revista, mudava de canal ou estação de rádio, e não adiantava: lá estava nego falando em arroba, em agatetepê, em dabliodabliodablio. Agora a onda é Second Life. Tomara que venha logo uma bolha como as da .com, que é pra neguinho aprender que não existe atalho milagroso para ganhar dinheiro, e que as regras da economia valem no mundo real, no virtual, no sintético, no inferno, na casa do caralho.

UPDATE: Paulo Vivan, o médium Nelson Moraes e o colega Alexandre Barbosa também andaram exibindo seus respectivos sacos cheios de Second Life. É a blogolândia se revoltando contra o último hype. Blogueiros acham que Second Life é coisa de nerd derrotado. Blogueiros! Pra vocês verem como a situação é grave.

Dois gigantes da internet se encontram

marco_orkut.jpg
Clica na foto, clica. O Orkut veste pra dá.

Obediência

Seguinte: deus disse que eu estou chato e que devo escrever mais. Obedeço, que remédio?

Direitos iguais

Nessa conversa toda sobre arrogância (que descambou para uma discussão sobre espiritismo; deus-me-livre de falar mal do espiritismo), lembrei de um sujeito que trabalhava comigo. Bom, não exatamente: eu trabalhava numa empresa grande, o tal sujeito era da subsidiária carioca. Assim que nos conhecemos (juro, logo depois de apresentados) ele olhou para minha barriga e disse:
— Precisa se cuidar, hein, bicho? Jogar um futebolzinho, pedalar. Não pode ficar gordão assim na sua idade, rapá! Olha o coração, olha o coração!
Eu pensei em várias respostas, mas me contentei em mandá-lo tomar no cu mesmo. O que mais me espantou, porém, foi a falta de reação das outras pessoas presentes. Ninguém se mostrou minimamente constrangido diante daquela clara invasão.
Depois dessa, passei a considerar a possibilidade de começar a agir assim, partindo do princípio da igualdade de direitos. Da próxima vez em que ouvir alguém falando uma bobagem, ou que ler algo horrendamente escrito num blog (ou nos comentários deste blog, algo muito comum), ou qualquer coisa assim, terei o direito de comentar:
— Precisa se cuidar, hein? Ler um livro que não seja espírita, assistir a uns filmes, sei lá. Não pode ser burro assim não, mano! (sou paulista) Olha o cérebro, olha o cérebro!

Apologia da arrogância

Me pergunto qual a patologia de uma pessoa que acusa outra de ser arrogante. Nunca acusei ninguém disso, nem mentalmente; de burro, sim, de idiota, de vulgar, de fresco, de cretino; mas nunca de arrogante, porque a arrogância é uma vaidade alheia que nos desagrada, uma vaidade que parece prestes a humilhar a nossa. Ninguém humilha a minha vaidade.
(Alexandre Soares Silva)

Arrogância
■ substantivo feminino
1 ato ou efeito de arrogar(-se), de atribuir a si direito, poder ou privilégio
2 Derivação: por extensão de sentido.
qualidade ou caráter de quem, por suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; orgulho ostensivo, altivez
3 Derivação: por extensão de sentido.
atitude desrespeitosa e ofensiva em atos ou palavras; insolência, atrevimento, ousadia
(Houaiss)

Descobri hoje na faculdade que algumas das pessoas mais agradáveis da sala me acharam arrogante nos primeiros dias. Senti-me ofendido. Por que cargas d’água deixaram de achar?
É engraçado. Nego tem um bíceps do tamanho da minha cabeça, anda por aí de regata e ninguém diz nada (ah não ser as moças, que suspiram por ele, ou os invejosos, que cochicham sobre o tamanho do pau do rapaz). Uma portadora de belos peitos faz questão de exibir as tetas em profundos decotes, e está tudo muito bem (muito, muito bem). Agora, tente citar Dostoiévski. Tente desprezar o que é reles e chão (como livros espíritas, de auto-ajuda e Dan Brown). “Arrogante!”, berram as hordas horrorizadas, já de tocha na mão. Ah, vão à merda!

Há uma comunidade no Orkut chamada Eu sou arrogante. Em sua descrição, uma frase de Schopenhauer:

Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas.

O brasileiro valoriza muito a modéstia. O brasileiro é idiota. Coincidência? É foda não ser idiota neste país.

No último post, algumas pessoas (inclusive meu querido Giggio, sempre me criticando e discordando de tudo que eu digo, o safado) vieram defender a diversidade e coisa e tal. Bem intencionados, não querem que eu seja arrogante (provavelmente para não reencarnar como ácaro). Então me vem um tal LP e sapeca:

Leiam Vonnegut, esqueçam Kardec, e ler Paulo Coelho é ser analfabeto. Semi-analfabeto, pelo menos.

Santo e arrogante LP. Obrigado, LP. Leiam Refluxo Gástrico, o blog do LP.

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