Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2006

Tecelão

O Jubilado comentou que o Carioca traz um Chico Buarque “… mais maduro, mais musical”. Como se ele tivesse gravado Construção em 1971, aos 27 anos de idade, e só reaparecesse agora, aos 63. Esquece-se o leitor que Chico Buarque gravou o bom Cambaio em 2001 e o excelente As Cidades em 1998. Era ele menos maduro então? Era nada!

Nego agora vai dizer que estou seguindo a modinha de falar mal de Chico Buarque. Num outro blog em que escrevo um sujeito falou em hype e sei lá o quê. Típico pensamento de gente besta: se tantos falam mal de Carioca, isso é uma modinha. Não pensam que pode haver uma outra razão, mais clara e simples: tantos falam mal porque o disco é ruinzinho mesmo.

Eu tenho todos os discos de Chico Buarque (não me canso de dizer isso), e esse último é, sem dúvida, o pior. Chico era um tecelão da canção popular. Em suas composições, a letra era a trama, a música era a urdidura. O resultado era — quase sempre — maior do que a soma das partes. Letra e música de Pedro Pedreiro, Construção ou Moto-Contínuo tomadas em separado não têm o mesmo valor que as canções completas. Em algumas ocasiões essas composições atingem a perfeição ao encontrarem o intérprete ideal — foi o que aconteceu com A Bela e a Fera gravada por Tim Maia (todo o disco O Grande Circo Místico é feliz nesse quesito, exceçaõ feita à sempre dispensável Simone).

Acabou-se o tecelão. Letra e música podem ser separadas, embaralhadas, jogadas no lixo. Parcerias com gente sem talento, como Carlinhos Vergueiro e Ivan Lins, apenas reforçam a impressão. Repetições fazem lembrar O Rappa. A letra de Ela Faz Cinema parece originada de um pagode dos mais safados.

Talvez fosse o caso de Chico Buarque tomar a decisão que adia há anos, de dedicar-se exclusivamente à literatura. A excelência de Budapeste lhe dá créditos para tanto. Um livro mais, ou dois. Depois, quem sabe, longe da obrigação de compor, ele possa reencontrar o velho tear.

Memento

Para comemorar a volta do Emotionrélio, assistam àquele que foi o ponto mais alto da história do blog: minha participação no programa da Adriane Galisteu.

Na verdade eu ia falar do JMC, mas quando disse do que se tratava o repórter José Luiz vetou. Sabem como é, não ficava bem a minha heresia na emissora do Bispo…

Quem te viu, quem te vê

Fui ao Tom Brasil Nações Unidas ver o show de Chico Buarque, e me lembrei da inauguração na casa. Na ocasião, os proprietários buscavam a certificação máxima de qualidade de som: a bênção de João Gilberto. Conseguiram. João fez o show todo sem reclamar um só instante, mantendo o bom humor por mais de duas horas. Além do som, a casa de espetáculos tinha boa distribuição de lugares, e era bem mais espaçosa que o Tom Brasil original, na Vila Olímpia.

Quem te viu, quem te vê… Por 115 reais, fiquei sentado num lugar apertado, em comunhão desconfortável com as pessoas das mesas vizinhas, todo mundo espremido num canto da platéia. Lá na frente, gente que desembolsara 200 reais passava pelo mesmo tormento. O Tom Brasil conseguiu democratizar o desconforto.

O som continua bom, no entanto. Ainda bem: um som de qualidade permite desfrutar o talento do finado Chico Buarque. Já explico.
Nas canções antigas, notamos Chico Buarque criativo, brincando com as palavras, entrelaçando-as na melodia, criando harmonias surpreendentes, juntando letra e música como ninguém.

Quem te viu, quem te vê… Esse sujeito morreu. As músicas do disco novo são todas parecidas uma com as outras. Divido a culpa entre o próprio Chico, que talvez pudesse ter esperado mais para lançar o disco, e Luis Cláudio Ramos, o arranjador, que parece estar no meio de uma crise de falta de criatividade. Ode aos Ratos, única que se sobressai em Carioca, é na verdade uma composição em parceria com Edu Lobo — cujo talento parece inesgotável — para o balé Cambaio.

Querem ver só? Que necessidade Chico Buarque tinha de compor algo assim:

Outros Sonhos

Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava
Quando me via
Sonhei que ao meio-dia
Havia intenso luar
E o povo se embevecia
Se empetecava João
Se emperiquitava Maria
Doentes do coração
Dançavam na enfermaria
E a beleza não fenecia

Belo e sereno era o som
Que lá no morro se ouvia
Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia
De mão em mão o ladrão
Relógios distribuía
E a policía já não batia

De noite raiava o sol
Que todo mundo aplaudia
Maconha só se comprava
Na tabacaria
Drogas na drogaria
Um passarinho espanhol
Cantava esta melodia
E com sotaque esta letra
De sua autoria
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias

Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardía
Y por soñar lo imposible, ay, ay
Soñé que tú me querías

Se já havia dito o mesmo, de forma muito mais bela e eficaz oito anos atrás, no disco As Cidades

Sonhos Sonhos São

Negras nuvens
Mordes meu ombro em plena turbulência
Aeromoça nervosa pede calma
Aliso teus seios e toco
Exaltado coração
Então despes a luva para eu ler-te a mão
E não tem linhas tua palma

Sei que é sonho
Incomodado estou, num corpo estranho
Com governantes da América Latina
Notando meu olhar ardente
Em longínqua direção
Julgam todos que avisto alguma salvação
Mas não, é a ti que vejo na colina

Qual esquina dobrei às cegas
E caí no Cairo, ou Lima, ou Calcutá
Que língua é essa em que despejo pragas
E a muralha ecoa

Em Lisboa
Faz algazarra a malta em meu castelo
Pálidos economistas pedem calma
Conduzo tua lisa mão
Por uma escada espiral
E no alto da torre exibo-te o varal
Onde balança ao léu minh’alma

Em Macau, Maputo, Meca, Bogotá
Que sonho é esse de que não se sai
E em que se vai trocando as pernas
E se cai e se levanta noutro sonho

Sei que é sonho
Não porque da varanda atiro pérolas
E a legião de famintos se engalfinha
Não porque voa nosso jato
Roçando catedrais
Mas porque na verdade não me queres mais
Aliás, nunca na vida foste minha

Nem sei como encerrar este post, então termino com uma foto tirada por Ana Cartola:

Nhó!

Ela continua a ser minha namorada, mesmo depois da foto. Isso, meus caros, é amor!

Opa!

Ia esquecendo de recomendar um blog para vocês. O recém-atualizado…

Blog Day, apesar da palhaçada

Eu peço pra vocês me recomendarem blogs legais, e só o que sabem dizer é “recomenda o meu”. Porra, vão se tratar!
Já que meus leitores não colaboram, vão aí minhas recomendações para o Blog Day:

  • falecomdeus – não adianta clicar. Não existe mais. É o melhor blog que já existiu, porém, e portanto fica aqui in memorian
  • Alexandre Soares Silva – indicação óbvia, o melhor escritor revelado por blog. Desafio qualquer um a me provar o contrário.
  • vida mais ou menos – sempre que leio o blog do Daniell Rezende, penso em adicioná-lo aos Profetas. Depois penso nas hordas que invadirão o espaço do pobre rapaz, e adio. Hoje não deu. Se é pra indicar blog bom, não tem como deixar de lado.
  • techboogie – o Giba manda cada vez melhor com sua capacidade de conectar idéias díspares, até quando lhe roubam o carro.
  • CALABOCA que eu tô falando! – porque sim, uai. E porque ela manda muito bem, também. E porque sou apaixonado por ela.

Blog Day

O Edu deu o toque: amanhã é dia internacional dos blogs. Por quê? Segundo o site BlogDay, é porque a data “3108″ parece a palavra “Blog”. Bom, faz algum sentido.
O negócio é que as comemorações envolvem uma recomendação geral de blogs. A idéia é cada blogueiro recomendar 5 blogs, de preferência pouco conhecidos e que não façam parte de sua panelinha (instruções aqui).
Eu quero participar da brincadeira, mas não sei quem recomendar. Sugestões?

Capa de revista

Revista cabeça

Revista cabeça

Sim, sou eu na capa da B2B Magazine.

Não, eu não aprovo usos bizarros da publicação.

Conselho de graça

Apesar de meus vetustos 31 anos, não sou de dar conselhos. Hoje, porém, após uma experiência terrível, ofereço-lhes um graciosamente. Vocês sabem em quem confiar ou não? Não sabem, né? Manés… Pois eu lhes digo: não confiem em gente que precisa de todo um intróito antes de dizer que estava assistindo a um canal de TV aberta. Sabem do que estou falando? Aquele povo que diz “Eu estava passando pela sala e meu irmãozinho estava vendo o Chaves, aí…”, ou “A empregada estava vendo a Luciana Gimenez, então eu dei uma espiada e…”, ou ainda “Eu assisto muito TV a cabo, mas nesse dia eu estava zapeando a TV aberta só para passar o tempo e parei no programa do Ronnie Von”. Sacaram? Pois então: não confiem nessa gente. Nego que tem toda essa necessidade de parecer bem aos olhos alheios não pode prestar pra muita coisa.

De nada.

Profetas re-reloaded

Dei uma enxugada na lista de Profetas ali do lado. Mantive apenas os blogs que ainda leio com alguma freqüência. De novidade, só o bom Balaio S/A, da gaúcha Paula Pereira.

Férias frustradas

Pensando em passar uns dias no Marriot Costa do Sauípe, ou em promover um evento por lá? Desista da idéia. Parece que o dinheiro dos hóspedes some misteriosamente dos quartos, e o pessoal do hotel, além de não dar satisfações, ainda chama o hóspede de mentiroso e putanheiro. Safados.

Espalhem a história, espalhem! Vamos botar esses pilantras pra se coçar. Nego acha que pode tratar o consumidor como bem entender. País de merda.

Página 5 de 12« Primeira...34567...10...Última »