Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2006

Do tempo do blog em branco e preto

Andando ontem pela Paulista, encontrei Rafael Capanema.

RAFAEL CAPANEMA!

Nos idos de 2002 — naquela época blog era ao vivo, não tinha videotape, e era tudo em preto e branco, todo mundo muito amador — a mera menção ao nome e, principalmente, ao sobrenome, fazia a blogosfera nacional tremer. A blogosfera nacional de então cabia numa Kombi (com Sergio Faria de motorista, provavelmente), mas ainda sim era um feito e tanto. Rafael e seu primo Thiago eram os enfants terribles da primeira geração blogueira, e aos 16 anos de idade tinham mais talento do que toda a Academia Brasileira de Letras reunida — não que isso seja vantagem, pobres velhinhos.

O negócio é que, ao encontrar o meu querido amigo Rafael, me bateu uma saudade desgranhenta daquele tempo. Ele, Thiago, Pedro Nunes, Daniel Lima, moskito, boo (e mais tarde a Fer) tiveram a generosidade de aceitar minha convivência, mesmo sendo eles jovens e cheios de energia, e eu um careca à beira da crise dos trinta. Aprendi muito com eles, e de cada um deles roubei alguma coisinha: um trejeito de texto, uma interjeição, um trocadilho besta, uma inversão de frase. Saudade desse tempo em que cada post era forrado de links para os blogs dos outros componentes da panelinha.

Este não é, porém, um post nostálgico. O negócio é que ontem o Rafael me disse que tem vontade de voltar a manter um blog. Queira Deus que ele volte, e que encoraje outros velhos paneleiros (eu inclusive) a voltar à carga de antigamente.

Das virtudes do espírito ditatorial

O sujeito lê sobre este blog na malfadada matéria da Época. Não gosta. Faz “fiau” e fecha a janela do browser? Claro que não! Furibundo, escreve um comentário em que despeja um temporal de asnices. O comentário não é aprovado, é claro, e o sujeito ainda recebe um e-mail do autor tachando-o de imbecil. O que ele faz? Responde com outro e-mail imenso e ainda faz um novo comentário no blog. Leiam:

Por favor creio eu que vivemos numa democracia, ou não, caso não saiba o que significa esta palavra lamento muito. Por que lhe fasso este questionamento? Fiz comentários por sinal muito coerentes, lamentavel que viva blindado ainda na decada de 60. Sugestõe: 1º – Preparece para receber criticas, sim porque não, principalmente quando elas forem tão construtivas. sugestão: 2º – Leia mais, atualize-se só assim conseguirá mudar seu vocabulário que é de baixo escalão e extremamente de mal gosto. Deixe que opinem sobre isto você vai se surpreender, o que em meu caso não foi o que aconteceu até agora. Atenciosamente. Charles.

Valha-me, Deus! Ou o sujeito tem uma mentalidade muito sutil e — sabendo de minha tendência à intolerância e de meu gosto por fazer chacota da burrice — escreveu um comentário assim de propósito só para ser aprovado e ainda comentado em post, ou o fulano é mesmo dolorosamente estúpido. Percebem, bons leitores, de que tipo de poluição mental eu os livro filtrando os comentários? Agradeçam-me, putões!

Drops

  • Fui me matricular na faculdade hoje. Passei no processo seletivo para o curso de jornalismo da Uninove — feito comparável a ganhar de Stephen Hawking nos 100 metros com barreiras. Não sei que classificação eu obtive, mas meu cunhado já avisou que me proíbe de continuar o namoro com sua irmã caso não tenha ficado entre os dez primeiros. Por via das dúvidas, achei melhor não pagar para ver.
  • Estava agora mesmo vendo o Lula no Roda Viva. Se é verdade que esse negócio de ser presidente da República envelhece, também é verdade que traz habilidades insuspeitadas. Viram como o barbudo consegue mexer aquelas orelhas pontudas? Antes ele não fazia isso. Parece o Yoda!
  • Capítulo novo, né? Pois é…

Foda-se

Eu comecei um post sobre eleições. Ia falar do meu apoio a Lula em 2002 (neste blog, inclusive), da minha ida a Brasília para a posse e da maior decepção política de minha vida.
Pensando bem, porém, fodam-se as eleições. Roubam no Congresso, no Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministério, nas assembléias legislativas e câmaras de vereadores? Bem feito para esse povo feladaputa, canalha e desonesto que elege seus semelhantes. Os nojentos paulistas falam que Lula permanece forte apesar da corrupção por causa da ignorância dos “lá de cima”, referindo-se aos nordestinos, e orgulham-se de ter levado a disputa presidencial para o segundo turno ao votarem em peso em Geraldo Alckmin. Enquanto isso, botam na Câmara dos Deputados o velho ladrão Paulo Maluf, o patético Clodovil (à guisa de voto de protesto, talvez), o assustador Enéas, o neoladrão e mensaleiro-mor Valdemar da Costa Neto. Ao mesmo tempo, ligam o desconfiômetro errado, e quase elegem Afif no lugar do inofensivo e dolorosamente honesto Suplicy. “Somos a locomotiva do país”, dizem os paulistas batendo no peito. Porra de locomotiva, que se empenha em levar a composição toda para o brejo.
Fodam-se as eleições. Foda-se o Brasil. Foda-se o desonesto e safado povo brasileiro.

Maná

Leitores velhos vão se lembrar de Javé fumando maconha durante o Êxodo. O baseado divino, aliás, foi o grande guia do povo de Israel pelo deserto. Pois muito bem: um dia, vendo que o povo passava fome no meio do nada, Javé resolveu acender um para pensar melhor. Deu uma tragada funda, outra, mais outra. Os anjos que assistiam à cena viram que os olhos vermelhos do Senhor faiscaram repentinamente.
— Já sei, ó. Vou mandar pão pra eles.
— Pão?
— É, pô. Pão. Mas não qualquer pão. Maná.
— O quê?
— Maná, Maná!
E os anjos cantaram:
— Tchutchu-tchururu.

Post de piada interna especialmente dedicado à Alessandra, que se comove com essas coisas. Feliz aniversário, dona.

Mais Cantores de Ébano

Juntei tudo o que consegui garimpar de Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano e deixei aqui para quem quiser. Pirataria? Se a EMI relançar os CDs, eu tiro o arquivo de lá.

Escolhas

Aprender a tocar piano ou fazer faculdade? Quero a primeira opção, preciso da segunda. Sacrifique-se o piano.

Diabo de vida…

Update

O Wagner de Paula oferece aqui as 20 faixas da coletânea Seleção de Ouro: 20 Sucessos – Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano, já fora de catálogo. Não sei que diabo vocês estão esperando para ir lá e baixar tudo.

Cantores de Ébano

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Leva eu, sodade!

Eu deveria estar dormindo, ou pelo menos escrevendo um capítulo novo (em breve, juro!). Em vez disso, estou aqui ouvindo belas canções de Nilo Amaro e Seus Cantores de Ébano, grupo vocal brasileiro dos anos 60 inspirado no gospel (o de verdade, não aquela xaropada neopentecostal). Alguns de vocês devem conhecer mais do que eu, outros podem lembrar-se do maior sucesso do grupo, Leva Eu, Sodade. A voz de baixo profundo nessa música é de Noriel Vilela, que mais tarde veio a gravar Dezesseis Toneladas, canção que se tornou hit durante o recente revival do samba-rock. Agora alguém vai dizer que a música é do Funk Como Le Gusta. Não acreditem: trata-se de uma regravação de segunda categoria. Vão atrás do artigo original, e entenderão o que estou dizendo. O timbre grave da voz do negão é inimitável.

Dezesseis Toneladas foi a razão de minha busca no Soulseek por mais canções de Noriel Vilela. Encontrei o disco Eis o Ôme, que traz várias músicas de macumba, entre elas a impagável Só o Ôme, receita de despacho apresentada a mim pelo Polzonoff há alguns anos.

Empolgado, saí em busca de gravações dos Cantores de Ébano. Encontrei dois discos maravilhosos, com canções de temáticas diversas — duas delas em inglês canhestro — mas todas com arranjos vocais de cair o queixo. Destaco Vai Lá Moisés, versão em português de um velho spiritual americano. É de arrepiar qualquer um que não seja indiferente aos mistérios da religião. Além disso, a abrasileirada da letra (Quando os judeus eram escravos / Sofreram mais que condenados / Então Deus disse: / Vai lá / Moisés / Lá dentro do Egito / Vá dizer ao faraó / Deixe meu povo ir) me fez lembrar com carinho dos tempos áureos deste blog.

Procurem os CDs por aí, ou baixem as músicas. Vale o esforço da garimpagem.

E leiam mais aqui, onde eu roubei a capa do disco.

Quem tem orkut tem medo

orkut

O que uma empresa não faz para atrair a simpatia do público quando tem a justiça em seu encalço, não?

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