Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Outro sujeito divertido

Um semi-homônimo meu resolveu comprar briga comigo lá no blog do pastor. No meu comentário, mencionei de passagem a dificuldade com que o sacerdote lida com o idioma pátrio. Eis que esse imbecil resolve levar a briga toda para esse foco, questionando minhas credenciais acadêmicas e dando a entender que dá aula num MBA qualquer (disse que ia preparar a aula da próxima aula [SIC], não entendi.

Não contente em querer chamar a atenção no blog do ministro de Deus, o rapaz resolveu vir expor seu brilhantismo numa arena mais ampla. E se saiu com a seguinte pérola:

Oi Marco Aurélio!

Frase retirada do seu texto:
“…E não é mera questão de intolerância atéia:”

Existe a palavra atéia?
NÃO, o correto é ATEÍSTA.

Não vou chamar vc de analfabeto. Como vc se refiriu a algém em outro blog. Ao contrário, lhe falta um pouco de instrução.

Que coisa, não? Que dizer depois disso? É muita capacidade intelectual! Não vou responder, não estou à altura de tal bestunto. Cito, pois, um certo Sr. Houaiss:

ateu

Datação
1611 cf. GuerRel

Acepções
? adjetivo e substantivo masculino
1 que ou o que não crê em Deus ou nos deuses; ateísta
2 Uso: pejorativo.
que ou aquele que não revela respeito ou deferência para com as crenças religiosas alheias; ímpio, herege

Etimologia
lat. athèus ou athèos,i ‘id.’, adp. do gr. átheos,os,on ‘que não crê em Deus’; ver te(o)-; f.hist. 1611 atheo, 1671 ateu

Sinônimos
ver sinonímia de herege

Antônimos
crente, supersticioso; ver tb. antonímia de herege

Parônimos
atéia(f.) e atéias(f.pl.)/ ateia /ê/ e ateias /ê/ (atear)

Gramática
fem.: atéia

E mais, a conjugação do verbo referir no pretérito perfeito do indicativo:

referi
referiste
referiu
referimos
referistes
referiram

E chega, né? Elias está ficando em segundo plano neste blog, e o profeta não há de gostar disso.

Idiotas de lá e de cá

Comentário do Johann, leitor luterano do JMC, no blog do tal pastor:

Me irrito muito com crentes chatos. São pessoas como você, que não sabem se divertir, não riem, não passeiam, não vão no cinema (“é coisa do capeta”). Pessoas como você fazem os amigos me olharem torto, quando digo que sou crente. Pensam que sou como você. Felizmente, na minha igreja ninguém é assim.

Ao escrever sobre os ataques do pastor a este blog, queria repudiar (e não reputiar, como diz o Pr. Arcângelo) a intolerância. Que vejo, no entanto? Um bando de ateuzinhos safados atacando os pastores, os crentes, a fé, Deus, Jesus Cristo, tudo. Eu sempre acreditei que a proporção de intolerância com base na burrice é igual entre os ateus e os religiosos, mas às vezes sinto-me compelido a crer que a imbecilidade é maior entre os primeiros.
Há preconceito contra crentes no Brasil, um preconceito escancarado e violento. Um Edir Macedo serve para jogar na lama todo o protestantismo. Curiosamente, casos de sacrifícios humanos em rituais supostamente afro-brasileiros não despertam a ira contra todo o Candomblé.
O Candomblé é respeitado, admirado até. Há mais consideração por uma cumbuca de farofa acompanhada de uma galinha preta e velas vermelhas do que por qualquer homem que ande de terno e Bíblia sob o braço nas manhãs de domingo. O bater frenético de atabaques e as convulsões de quem recebe uma entidade num terreiro são levados em grande conta; uma oração em línguas estranhas num templo pentecostal é mero motivo de chacota.
Acredito tanto na oração em línguas quanto em exus, ou seja, nadinha. O que me espanta é que um seja respeitado e outro não. E não é mera questão de intolerância atéia: muitos seguidores de outras religiões igualmente absurdas sentem-se no direito de azucrinar os crentes, como se fossem leprosos ou extraterrestres.
O fato de ter sofrido na pele esse preconceito durante boa parte da minha vida é, obviamente, algo que aumenta a minha raiva por essa postura hipócrita e altamente tolerada em todo canto. Dizer que o crente é esquisito, é burro, é explorado por pastores inescrupulosos, não vale nem como generalização aceitável. Olhe à sua volta: no trabalho, na sala de aula, na rua em que você mora, você convive o tempo todo com todo tipo de crente: protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais. São muito diferentes uns de outros, acreditam em coisas diferentes, relacionam-se com sua fé de forma diferente. Mais que isso: são iguaizinhos a você e eu, cheios de medo e de esperança em coisas bestas.