Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2005

Casa na areia

De todas as parábolas de Jesus, a preferida da minha infância era aquela dos dois sujeitos que construíram suas casas sobre fundamentos diferentes: um na rocha, outro na areia. O que firmou o alicerce na rocha manteve sua moradia depois do temporal; o da areia ficou sem teto. A intenção de Jesus ao contar essa parábola era mostrar a diferença entre quem ouvia seus ensinamentos e os praticava, e quem não lhes dava bola. O fascínio da história para mim, no entanto, vinha de um detalhe dos mais bestas: da primeira vez em que a ouvi, fiquei sabendo que o néscio construíra sua casa na areia. Eu, é claro, tinha certeza que Néscio era o nome do fulano. Ficava pensando no pobre do Néscio, desolado ao ver os destroços de sua casa espalhados pela praia.
Lembrei-me da parábola hoje enquanto assistia ao filme Casa de Areia, de Andrucha Waddington. Não pelo título, mas pelos fundamentos do filme: assim como a casa do coitado do Néscio, o filme foi construído sobre uma base frágil, e não se sustenta de maneira alguma. O roteiro é fraco, as atuações são apenas passáveis (com exceção de Fernanda Montenegro contracenando com ela mesma, mas aí já é covardia), a direção é sonífera. São 109 minutos de filme: nove de diálogos e cem de longas tomadas de areia, água, areia, céu, areia, Seu Jorge, areia, areia, Fernanda Montenegro de oclinhos, areia, Fernanda Torres pelada, areia, areia, areia, areia…

(As tomadas são longas mesmo, creiam. É de bom tom apreciar tomadas longas. Eu poderia escrever um artigo deslumbrado para qualquer caderno cultural, comparando Waddington a Akira Kurosawa e Glauber Rocha, sem ter precisado assistir a nenhum filme de qualquer um dos dois. Depois era só dar uma pincelada de psicanálise, dizer que a areia é o símbolo da opressão, ou da insignificância humana, ou do isolamento do indivíduo, ou do útero primordial, ou de qualquer bobagem, e pronto!, mais um texto para ser discutido pelos desocupados que insistimos em chamar de intelectuais).

O filme se passa nos Lençóis Maranhenses, o que mostra ao menos a esperteza dos produtores: aprenderam com Cacá Diegues que não há apenas tetas federais; há muitos mamilos estaduais e municipais doidinhos para verterem seu leite em troca de imagens que possam atrair turistas. Está lá o selinho do Governo do Estado do Maranhão que não me deixa mentir. Um mamão lava o outro, dizem, e Néscio Waddington e sua gangue sabem muito bem disso.
O filme é longo à exaustão, previsível ao tédio, chato à morte. E é o nosso dinheiro, não se esqueçam. Não, não o dinheiro do ingresso. Acordem: o dinheiro dos nossos impostos.

Aliás, uma das co-produtoras do filme é a Quanta Centro de Produções.
Peraí.
Então parte do dinheiro da Petrobrás, da Ancine, do Governo do Maranhão e de outras tetas foi para a empresa que pertence ao Ministro da Cultura? É isso?
Eita país danado!

Viagens

Leiam as viagens do daerson. O autor do finado fale com deus livre das amarras do personagem.
Aproveitem enquanto ele não mata mais esse blog…

Sonho

Rapidinho.
Tinha um povo discutindo religião numa sala. Então chegou o Zé, irmão da minha mãe, e cantou a seguinte canção (com a melodia de “O Cravo Brigou Com A Rosa”):

Se você quer ser amigo
amigo do coração
vivendo sempre contente
dá a bunda e vira crente.

Foi esse o sonho.
Depois eu volto.

(E obviamente eu passei o dia todo com o raio da cantiga grudada na cabeça. É o diabo…)

Eba!


ELA VOLTOU!

Um palácio vazio

Voltando para casa hoje, fui surpreendido por um pronunciamento do vice-prefeito Gilberto Kassab no rádio.

(No rádio da lotação, obviamente, já que não tenho carro nem carteira de habilitação e sou incapaz de aprender a dirigir, como vocês podem ler aqui e aqui. Voltemos).

No pronunciamento, Kassab dizia que o Brasil tem crescido menos do que poderia, que as rodovias continuam esburacadas, que o presidente Lula ainda está devendo os 10 milhões de empregos que prometeu etc.
Pois muito bem. Votei em Lula várias vezes, inclusive nessa última aí em que ele ganhou por falta de opção. Vou defender o presidente? Não, não vou. Perdi totalmente o meu interesse por política depois de sua eleição. Uns dizem que o país está crescendo por conta da administração petista, outros dizem que é só porque o mundo anda muito chato mesmo: não há mais nenhuma crise daquelas brabas como foram as da Rússia e da Argentina não muito tempo atrás. Enfim, não discuto: é? Não é? Estou me lixando.
No entanto, me irrita vir o senhor vice-prefeito, cuja reputação não é das melhores, encher meus ouvidos com sua conversinha oposicionista. Oras, o PFL (partido de Kassab) esteve no governo por quanto tempo? Quinhentos anos? E o que ganhamos com isso? Eu digo o que ganhamos com isso: nabo, como sói.
Mas o pior mesmo é o sujeito sentar no rabo e vir criticar a cauda alheia. Os leitores que não moram em São Paulo talvez não saibam, mas esta cidade só não está totalmente às moscas porque vemos aqui e ali sinais da presença do governo estadual ou federal. Prefeitura? Que prefeitura? José Serra foi eleito, tomou posse e puf! virou morcego. Melhor seria o Maluf. Até o Pitta. Ora, Jânio Quadros embalsamado no Palácio Anhangabaú teria mais presença; ao menos seria uma oportunidade de ver o Jânio sóbrio. José Serra destaca-se pela sua total ausência.
(Sinal bem claro disso é a seção “Governo” do site da Prefeitura de São Paulo: a notícia em destaque na página, de 1 de janeiro de 2005, anuncia a posse do prefeito. Podemos concluir daí que nada de importante aconteceu depois da posse).
Ou José Serra está preparando algo de muito grandioso para anunciar dia desses (e tomara que seja logo: o final do primeiro semestre de gestão está próximo), ou então devemos congratular-nos todo dia por uma coisa: pelo menos foi para o Anhangabaú que mandamos o vampirão. No Planalto provavelmente seria pior.

Ingratidão

Ontem eu fiz trinta anos, como vocês estão cansados de saber. Mas vocês por acaso sabem o que minha namorada me deu de presente? Sabem? Pois a danada MATOU O BLOG! Isso é que eu chamo de ingratidão! Esperou apenas meu aniversário passar e, vupt!, mandou o CALABOCA pros quintos. Isso é que é presente, hein, dona ana cartola? Que vergonha…
Ah, ela também me deu as duas primeiras temporadas de Seinfeld em DVD, mas isso já é outro assunto que não tem nada a ver com a discussão de agora. O que eu quero é propor a vocês um verdadeiro ato de desobediência civil: vamos até o CALABOCA que eu tô falando! para lotar aquela caixa de comentários, até que a autora desista de tão vil atitude. Vamos, companheiros. Eia! Urra! Uêpa! Zás!

Hmmmmm, remedinho…

30 anos!

Chego aos 30 com família, amigos e namorada que só me dão alegrias, e tendo conseguido mudar de área, coisa de que muita gente (eu inclusive) duvidava. Mereço os parabéns, pois.
E PRESENTES.

Pérolas

Em quatro dias de carreira com jornalista eu já percebi alguns fatos bem interessantes sobre o mal necessário que são as assessorias de imprensa. O primeiro é que toda empresa é líder em seu segmento, isso quando não é líder global. Bom, pelo menos é o que dizem os releases. Em Tecnologia, então, é uma festa: tirando Microsoft, Oracle, HP, IBM, Cisco e outras quitandas, tudo quanto é empresa é líder. “A Chibungo Software, líder global no desenvolvimento de software para associações de albinos jogadores de gamão, anunciou hoje um lucro de R$ 2,70 e meia mariola”.
Além de todas essas lideranças, toda hora tem alguém comemorando alguma coisa. “‘Se contarmos a mariola, nosso lucro foi o dobro do esperado’, comemora Asclépio Lompas, CEO da Chibungo Software”.
Tendo percebido essas características, pensei em criar um blog só para deliciar meus leitores com essas e outras pérolas. Felizmente, porém, tal blog já existe e é escrito pelo Edu, meu colega de redação: Pérolas das Assessorias de Imprensa. Divirtam-se.

Lista de presentes

Muito bem. O blog tem um milhão de visitas, o autor completa trinta anos no domingo. Nada mais justo, pois, do que vocês me darem presentes. Certo?

— …

Humpf. EU QUERO PRESENTES!


LISTA DE PRESENTES DO MARCO AURÉLIO

Eu quero ter um milhão de amigos

O Sitemeter é aquela beleza, então foi um verdadeiro show do milhão: vários leitores viram ali nos “Fiéis” a marca de um milhão de visitas. Bárbara Oliveira, Carlos Henrique, Pericles Souza, Sá Milena, Conrado Emerick, meu camarada Daerson, Rafael e Paulo Donato mandaram as provas. Quem foi? Quem não foi? Não importa, deixemos o contador com suas maluquices. O negócio é que este blog chegou à marca impressionante de um milhão de visitas. UM MILHÃO. É muita coisa. Obrigado, obrigado, um milhão de vezes obrigado.
Como eu já disse, não tem prêmio pra ninguém. Vão mamar nas tetas de outro, oras! No entanto, a Ale/Lain fez com que uma idéia brotasse cá dentro do cabeção quando perguntou se não teria nem um cover do Coldplay como prêmio. Pensei: sim, sim, meus leitores merecem me ouvir cantando.

— NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO!

“Não” é uma porra. Mas como eu ia dizendo: merecem, mas não Coldplay. Algo mais adequado à ocasião. Então pensei numa belíssima canção do Rei. Pensei até em gravar alguma coisa do Pelé (A-B-C, A-B-C…) só de sacanagem. Sou bonzinho, porém, então gravei uma do Roberto Carlos mesmo. O esquema é o de sempre: cliquem com o botão direito, salvar como e cantem comigo.


MARCO AURÉLIO – EU QUERO APENAS


(3,4 Mb)

Eu quero apenas olhar os campos, eu quero apenas cantar meu canto
Eu só não quero cantar sozinho, eu quero um coro de passarinhos

Quero levar o meu canto amigo a qualquer amigo que precisar
Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar

Eu quero apenas um vento forte, levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar quero dividir quando lá chegar

Eu quero crer na paz do futuro, eu quero ter um quintal sem muro
Quero meu filho pisando firme, cantando alto, sorrindo livre

Eu quero amor decidindo a vida, sentir a força da mão amiga
O meu irmão com sorriso aberto, se ele chorar quero estar por perto

Venha comigo olhar os campos, cante comigo também meu canto
Eu só não quero cantar sozinho, eu quero um coro de passarinhos

Página 9 de 17« Primeira...7891011...Última »