Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2005

Um ateu sem argumentos

Explico o porquê de minha contrariedade ao me ver definido como um ateu sem argumentos.

Já faz uns dias que eu e Ana fomos assistir ao excelente Millions, de Danny Boyle (Boyle é responsável por coisas díspares e muito boas como Cova Rasa, Trainspotting, A Life Less Ordinary, e por aquela porcaria com Leonardo DiCaprio, The Beach. Millions recebeu por aqui um título até que feliz, Caiu do Céu; e chega de parêntese). O filme se passa em tempos recentes, mais exatamente quando da adoção do Euro. Dois irmãos se deparam com um problema e tanto: uma mala cheia de libras esterlinas, dinheiro que deve ser trocado ou gasto rapidamente, antes que se oficialize a troca da moeda na Grã-Bretanha. Até aí, nada de mais: Danny Boyle parece gostar muito mesmo de malas de dinheiro. O que faz desse um filme belíssimo, porém, é o personagem Damian, um garoto que sabe tudo da vida dos santos, e chega mesmo a falar com eles: fala com Santa Clara, com São Francisco de Assis, com o velho pescador Pedro e com São José, pai de Jesus. O menino é daqueles personagens feitos especialmente para conquistar o público logo de cara, como na cena em que o irmão o censura por ter levado uma enorme quantia de dinheiro à escola:

— What did you bring a thousand pounds to school for? Can’t you see that’s suspicious?

— It’s not suspicious, it’s unusual.

Pois muito bem: numa cena muito tensa do filme, eu achei que o menino fosse encontrar Jesus Cristo. Senti que ia começar a chorar, que é minha reação de sempre, ateu ou não, quando se fala de Jesus, ou quando o personagem aparece num filme, num livro, num quadro. No fim das contas o encontro nem acontece no filme (para meu alívio), mas comecei a pensar no quanto eu admiro Jesus, apesar de não ir com a cara do Pai dele.

Pensando nisso, cheguei a um trecho do livro A Misteriosa Chama da Rainha Loana, de Umberto Eco. O livro é narrado em primeira pessoa por um homem de sessenta anos que perde totalmente a memória, retendo apenas o que leu durante sua vida, o que não foi pouco. Ele viaja à propriedade rural da família para tentar recuperar suas lembranças, mas só consegue mesmo reproduzir sua formação literária, musical e política, sem conseguir lembrar lhufas. Bom, não vou contar o que acontece então, mas nesse trecho que citei um personagem chamado Gragnola, um anarquista na Itália de Mussolini (pense num cabra azarado…), expressa ao jovem Yambo (o protagonista) essa minha idéia sobre Jesus:

Jesus é a única prova de que pelo menos nós, homens, sabemos ser bons. Para dizer tudo, não estou seguro de que Jesus fosse filho de Deus, como uma matéria boa assim pode nascer de um pai cuja maldade é tanta coisa que não sei explicar. Também não estou seguro de que Jesus realmente existiu. Talvez nós o tenhamos inventado, mas é justamente esse o milagre, que tenhamos tido uma idéia tão bonita. Ou talvez tenha existido, era o melhor de todos e dizia ser filho de Deus por bom coração, para nos convencer que Deus era bom. Mas se você lê bem o Evangelho, percebe que ele também se deu conta no final de que Deus era mau: assustou-se no monte das Oliveiras e pediu que afastasse dele aquele cálice, e necas, Deus não lhe dá ouvidos; grita na cruz, pai, por que me abandonaste, e necas, Deus estava virado para o outro lado. Mas Jesus nos ensinou o que um homem pode fazer para reparar a maldade divina.

E há também a ressureição, é claro. Porque, vejam, hoje em dia você dizer que Jesus ressuscitou ou não dá no mesmo, ao menos em lugares razoavelmente civilizados. Porém, quando o cristianismo começou, professar essa certeza significava ser crucificado, ou comido pelos leões, ou exilado numa ilha remota até ficar maluco ou, na melhor das hipóteses, condenado a uma prisão domiciliar perpétua, que foi o que aconteceu a São Paulo. E, apesar disso, dezenas e dezenas de homens e mulheres continuaram afirmando que o tal judeu que morrera poucos anos antes era filho do único Deus existente, e que ressuscitara ao terceiro dia. Ei, há algo de errado aí. Pensem em Pedro, por exemplo. Pedro andou com Jesus o tempo todo. Devia ser seu discípulo mais chegado, se repararmos no quanto Jesus tirava sarro do coitado. Então: quando chegou a hora do vamos ver, Pedro não titubeou em fazer todas essas afirmações perigosas. Ora, se a ressureição fora um embuste, que razão o pescador teria para manter essa posição? Será que ele estava doidinho para morrer crucificado de cabeça para baixo?

E Tiago, então? Tiago era irmão de Jesus. E quem tem irmãos sabe bem que eles não vão dar muita trela para o que você fizer. Não sei se Einstein tinha irmãos, mas vamos supor que tivesse: aposto que o irmão de Einstein achou todo aquele negócio de Relatividade, revolução da ciência, nova visão do universo e o escambau apenas “outra bobagem dessas do Albert”. Tiago era irmão de Jesus, portanto devia ser o último a se deixar convencer pela religião fundada pelo primogênito da família. E no entanto, sabem como ele saúda os cristãos em sua epístola universal? “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão, saudações”. Opa, aí está uma coisa que eu queria ver só uma vez: meu irmão se referindo a mim como “senhor”. Mas sabem quando isso vai acontecer? Nunca! Mesmo que um dia eu ganhe o Nobel de Literatura, ou descubra a cura definitiva para as frieiras, ou invente o moto-contínuo, meu irmão só vai olhar e dizer, “Ih, lá vem o Marco com as coisas dele”. Porque irmãos são assim, ora. Então por que Tiago não só se referia a seu finado irmão com o respeito devido a um deus, como ainda afirmou sua ressurreição, sendo levado à morte pela espada por isso? Não é normal, não é normal.

A fé que eu sustentei pela maior parte da minha vida era herdada de meus pais. Esse tipo de crença não se sustenta, e estou feliz por tê-la abandonado. Agora, porém, reconheço a possibilidade de voltar à fé por um caminho mais difícil e totalmente inesperado. E talvez não, talvez seja só minha cabeça me pregando peças. Eu sei lá. Nada no universo me leva a crer nem por um instante que exista algum tipo de deus, mas essa questão toda de Jesus Cristo me apoquenta diariamente.

Poucas páginas adiante, Yambo fala sobre Gragnola:

Seu problema era só com Deus, e devia ser um trabalhão, porque era como atirar pedras num rinoceronte, ele nem percebe e continua fazendo suas coisinhas de rinoceronte, enquanto você fica vermelho de raiva e acaba tendo um ataque.

É assim que eu me sinto. Não, não exatamente: sinto como se houvesse um muro, e que algumas pessoas dissessem que existe um rinoceronte do outro lado. Então eu apanho pedras no chão e jogo por cima do muro, para acertar o rinoceronte, o que é duplamente imbecil: se houver rinoceronte, ele nem se dá conta das pedradas; se não houver, estou jogando pedras em quê?

Salomão prepara a construção do templo

(I Reis 5)

Vimos no último capítulo a organização do reino de Israel sob o comando de Salomão. Tal organização era tão eficiente que chamou a atenção até de estrangeiros, entre eles Hirão, rei de Tiro. O rei fenício fora muito amigo de Davi, e assistira de longe à subida de seu filho ao trono. Agora, porém, tendo tomado conhecimento da enorme sabedoria do novo rei, enviou a Israel uma missão diplomática. E Salomão, mostrando mais uma vez sua sabedoria, aproveitou a visita dos emissários de Hirão para dar início a um projeto grandioso. Para começar, mandou uma carta ao monarca fenício:

Caro Hirão,

Pela órdi?

Saúdo-vos em nome de Deus.

Estais vós ligado que meu véio pai Davi não pôde construir um templo para Javé, uma vez que o bicho tava pegando vivia em guerra contra seus inimigos. Eis, pois, todavia no entanto, que eu, seu filho, sentei o dedo mandei subir me vi livre dos meus inimigos internos por graça de Deus, e consegui diplomaticamente viver em paz com os países vizinhos, de modos que estou de boa em paz.
Sendo assim, ó Hirão, pretendo eu agora levantar a goma construir uma casa para Javé, o Deus de Israel, pois foi assim que Ele prometeu a meu pai. Eu queria, então, pedir a você que mandai-me a mim cortar cedros do Líbano. Enviar-te-lo-ei meus empregados, que vão dá um trampo trabalharão juntamente com os seus, e eu pagarei o salário de todo mundo.

mano Salomão, rei de Israel

Hirão ficou muito feliz ao receber essa mensagem, pois estava mesmo ansioso para colaborar com Israel, uma nação que começava a prosperar. Então enviou sua resposta a Salomão:

Cara Salomón,

Bendita seja a Deus de Israel, que deu a Davi uma filho tón sábia.
Gostei muito de seu mensagem, e já estou tomando os providências. Minhas servos vão começar a cortar os cedras para levá-los da Líbano até onde a senhor quiser, de jangadas pelo mar.
Negócia fechada, entón? Certinha, certinha.
Só um coisinha: o ticket-refeiçón das minhas trabalhadores fica por seu conta. Tudo bem?

Abraço,

Hirão, rei de Tiro.

Negócio fechado, os dois reis começaram os preparativos para a construção do templo. Hirão enviava a Israel todo o cedro e pinho que Salomão solicitava. Em troca, o rei de Israel fornecia anualmente duas mil toneladas de trigo e quatrocentos mil litros de azeite para os trabalhadores fenícios. Além desses, o rei convocou trinta mil israelitas para os trabalhos forçados, com Adonirão por chefe. O contingente foi dividido em três grupos de dez mil homens, e cada grupo passava um mês no Líbano e dois em casa. Além desses, Salomão mandou oitenta mil homens para cortarem pedras nas montanhas, e outros setenta mil para carregá-las. Esse grupo de pedreiros e carregadores, responsáveis pelas pedras para os alicerces do templo, tinha três mil e trezentos chefes.
Quatrocentos e oitenta anos depois de chegar a Canaã, o povo de Israel finalmente começava a construir um Templo para Javé. Tendo uma casa de verdade para morar em vez de uma barraca, talvez ele deixasse de ser tão estressado.

Eu na Folha

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Sim, sim: sou eu na Revista da Folha, dizendo que os imbecis são sempre maioria. Bom, eu disse outras coisas, mas essa valeu até título. Débora Yuri, autora da matéria, entendeu bem quem eu sou: “Aparelho nos dentes, careca, gordinho, falante e usuário compulsivo de palavrões”, ela define. Excelente. Só não gostei daquele negócio de “ateu sem argumentos”. A expressão fez parte de uma declaração mais elaborada, em que eu deixava bem claro que estava me afastando do ateísmo por achá-lo mais estúpido do que qualquer religião.

Quando a Débora veio aqui me entrevistar, uma das coisas que me perguntou foi sobre o que me irritava.
— Ah, sei lá. Falsidade.
— Hum…
— Não, porra! Não anota não. Estou sendo irônico. Tem muita coisa que me irrita, cazzo. O que você quer saber?
— Ah, por exemplo: quando eu estou andando na rua e o vento bate de frente, joga o cabelo todo na cara, eu não gosto.
— Bom, eu não sei o que é isso…
— AI! DESCULPA!
Ficou sem graça de verdade. Como é bom deixar as pessoas sem graça, não? No fim das contas, disse que o que me irritava era o Código Da Vinci.

Bom, comprem o jornal. Ou leiam a matéria na internet, se forem assinantes do UOL.

A torcida de vocês não vale nada

E lá fui eu fazer a prova do Detran pela terceira vez (primeira, segunda). Dessa vez foi diferente: a autoescola antiga se dedicava à venda de habilitações. Os instrutores se encarregavam de deixar os alunos nervosos no dia da prova, e depois ofereciam a carteira de motorista por 400 reais. A nova autoescola, lá perto de casa, tem bons instrutores, responsáveis, didáticos, a porra toda. Além de tudo, falam bobagem o tempo todo. Ou seja: ambiente ideal para mim.
Com tudo a meu favor, fui lá fazer o teste. Chegamos ao estacionamento do Shopping Aricanduva e o instrutor foi nos apresentar o percurso. Mostrou de onde deveríamos sair, onde fazer a baliza e a ladeira. O lugar da ladeira era uma curva.
Epa.
Você, caro leitor mais velho, talvez não saiba, mas nós, os jovens, temos uma dificuldade a mais no teste de ladeira: o carro deve parar a exatamente um palmo da guia (o que os estrangeiros chamam de meio-fio). Como é que eu ia ter essa precisão toda numa curva? Comecei a tremer nessa hora.
O instrutor terminou de dar a volta e chegou nossa vez. Antes de mim foram quatro alunos: três passaram, uma menina foi reprovada. Na minha vez eu fiquei semi-inconsciente. Se o sujeito do Detran perguntasse meu nome eu não saberia responder. Mas fui, saí direitinho com o carro.
— Faz a primeira baliza, lá da frente.
Fui, parei o carro um pouco à frente do cone e engatei a ré. Soltei a embreagem e o bicho foi para a frente. Pisei de novo, ré outra vez, e o danado indo pra frente. Na terceira oportunidade, consegui engatar a marcha direito e fiz a baliza perfeitamente. Saí da baliza e fui fazer a tal da ladeira na curva. Para minha total e absoluta estupefação, consegui parar o carro do jeito certo e sair sem deixar que ele descesse.
Aí vem a desgraça: logo depois da ladeira havia um cruzamento. Num estacionamento de shopping center às nove da manhã, achei que não haveria ninguém passando por ali e entrei sem olhar. Mas um desgranhento dum corno feladaputa resolveu passar justamente naquela hora.
— A preferencial era dele.
— É, eu sei.
Se fosse só esse erro, eu ainda teria chances. Só que estava nervoso, e mais adiante esqueci de dar uma seta. Quatro pontos, até a próxima.
E na próxima eu não peço torcida de ninguém. Cambada de ingratos.

Recado para os que dizem que eu deveria comprar a CNH: vocês são um bando de canalhas, uma gente sem conceito de honra. O que eu penso de comprar a carteira está aqui; o que eu penso de vocês está aqui. E não discuto. Canalhas. Não me venham falar mal do Congresso Nacional: vocês são piores do que eles.

Chantagem

Torçam por mim amanhã. Se tudo der certo, eu digo do que se trata e ainda escrevo capítulo bíblico.

Discussão

Crianças são seres angelicais que semprem fazem brotar um sorriso em meu semblante cansado. Agora mesmo, no ônibus vindo para casa, ouvia a conversa de dois meninos de cerca de nove anos. Um deles, um pretinho mirrado vestido de rapper, disse ao outro, um gordinho todo cor-de-rosa, com cara de quem é vestido pela mãe:
— Eita, cabeça de paçoca mordida, hein?
Olhei para trás e tive que rir: o moleque tinha mesmo cabeça de paçoca mordida; não me peçam para explicar. O gordinho nem se abalou:
— Cala a boca, macaco, senão não ganha banana.
— Cê vai ver a bananona que eu vou te dar. Coberta de chocolate, do jeito que cê gosta.
— Dá pra sua mãe.
— Não bota a mãe no meio, viado.
— Tá bom. Boto o pai.
— Fica quieto, ô. Sua mãe toca siririca com luva de boxe.
— E a sua… A sua… A sua mãe USA BONÉ!

Não adianta: quando se recebe certos xingamentos certeiros e bem elaborados, o melhor é ficar quieto. Como o que aconteceu com meu amigo Zezinho.
O Zezinho é o melhor contador de histórias que existe. Em qualquer mesa de bar ele se torna o centro das atenções sem esforço. Um invejável talento nato, que deve muito ao fato de ele nunca ficar desconcertado com nada. Bom, quase nunca.
Aconteceu que o Zé — que tem a minha idade, 30 anos — passou um tempo desempregado. Por opção, é claro: sem emprego ele ganhava mais dinheiro do que todos nós, os amigos cansados da labuta. Sem ter muito o que fazer, inventava. E um dia inventou que ia empinar pipa. Pensou em comprar uma pipa, mas a loja era longe. Pensou em fazer uma, mas dava trabalho. Então chegou à solução mais simples e rápida: roubar de alguma criança.
Imbuído desse propósito, saiu para a rua e não demorou a encontrar um grupo de moleques entretidos com seus carretéis de linha. Chegou perto do menorzinho e arrancou a pipa das mãos dele:
— Dá aqui essa porra, moleque.
— Ô! Me devolve meu pipa!
— Devolvo uma porra. Cala a boca.
(Os outros moleques, assustados, tinham atravessado a rua e assistiam de longe à cena)
— Devolve, filho da puta!
— O quê? Do que cê me chamou moleque? CÊ É DOIDO?
— …
— Filho-da-puta é você, moleque do caralho. Sua mãe é uma puta, uma vaca, uma piranha, uma…
— … E sua mãe é uma coruja!
— … cadela, uma horizontal, uma… Hein? Minha mãe é o quê?
— UMA CORUJA!
— Cê é retardado, moleque? Minha mãe é uma coruja?
— É! Senta no pau e arregala uns zoião assim, ó.
Não tinha mais o que dizer. Do outro lado da rua, os moleques aplaudiam. Derrotado, o Zezinho devolveu a pipa ao moleque e entrou em casa novamente.

Ah, as crianças…

De mansinho

Eu não queria falar nada, mas não resisto: o falecomdeus está de volta. Vão lá, leiam, divirtam-se. Mas devagar, pra não assustar o véio. Se não ele acaba com aquela bodega pela centésima vez.

Azar

Bons tempos aqueles, quando brasileiro que tinha azar correndo era só o Barrichello…

Bígola

Era um corredor com paredes dos dois lados. Sim, eu sei que corredores geralmente têm paredes dos dois lados, mas essas eram diferentes: imagine que você está de frente para um elevador e as portas se fecham. Imaginou? Pois bem, agora imagine que atrás dele há outro par de portas, que se fecham em seguida. E outro par de portas, e outro, e outro, e outro. Assim era o corredor: eu corria por ele, e as tais portas (que eram bem grandes, paredes mesmo), iam se fechando. Um segundo que eu vacilasse, já era. Para tornar tudo mais difícil, tinha que prestar atenção aos símbolos gravados em cada parede. Quando as duas que se chocavam tinham os mesmos símbolos (círculos, quadrados, cruzes), elas se desintegravam, formando um novo corredor. E aí era a mesma coisa: corre, corre, corre, símbolos iguais, paredes somem, corredor novo, corre, corre, corre. Uma voz em off me dava instruções para o bom uso do labirinto móvel:

“O objetivo do jogo é chegar ao centro e subir a escada. Lá você encontrará Nosso Senhor o Rei, o Bígola criador desse Cruel Entretenimento”

E então minha cunhada tropeçou no colchão em que eu dormia (era depois do almoço, tínhamos todos comido quilos de lasanha) e eu fiquei sem resposta para a pergunta que me martela o cabeção até agora: que cazzo é Bígola?

Novo sistema

Recentes acontecimentos provam definitivamente que a democracia não funciona. Pedir a dezenas de milhões de ignorantes que elejam seu líder é uma estupidez sem tamanho. Eleições indiretas talvez fossem a solução, mas a quem cabe escolher os componentes do colégio eleitoral. Pois é, os mesmíssimos ignorantes.
Pensando nisso, hoje de manhã (no banheiro, onde mais?) me saí com um novo sistema: a Millorcracia. Pergunta-se ao Millôr quem deve ser o presidente, e aceita-se sua escolha sem discussão.
Só pode dar certo.

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