Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2005

Mudança

Uma vez a Fer me disse que costumava fazer download de programas gratuitos, geralmente inutilidades divertidas, sempre que estava meio para baixo. Eu me espantei, não pela estranheza da mania, mas porque faço o mesmo. Acho que é o equivalente a fazer compras para se sentir alegre, com uma vantagem: é quase grátis.
Ao contrário da Fer, porém, eu não posso ficar mudando o cabelo para melhorar meu humor (pelas razões óbvias). Então mudo as cores do blog.
Gostaram?

Ô situação!

Semana passada recebi o e-mail de cobrança da Fapesp referente ao pagamento pela manutenção do domínio jesusmechicoteia.com.br. Trinta reais, mixaria, com vencimento em 25 de abril. Mesmo assim, pensei em não pagar, em deixar que excluíssem o domínio. Porque eu não tenho a mínima vontade de escrever aqui. Já passei por situação semelhante em outras ocasiões, mas sinto que agora é diferente, mais dolorido e difícil.
Estou às vésperas de completar os 30 anos e, enquanto os amigos recebem promoções, ganham dinheiro e se casam, eu continuo na mesma de sempre. Arranjei emprego numa empresa grande, uma das maiores do mundo. Muita gente estaria feliz com uma oportunidade assim, mas o bonitão aqui não se adaptou ao trabalho sem inteligência, sem aprendizado. Então eis minha situação: após doze anos de trabalho na área de tecnologia, continuo um profissional medíocre e sem ambição alguma. Eu só queria mesmo um emprego que me desse o dinheiro suficiente para pagar minhas contas e me deixasse tempo para escrever.
Escrever. Com tanta gente por aí com vocações úteis, eu nasci com esse talento (duvidoso) para algo que não me dá dinheiro e cada vez me dá menos prazer. Se escrevo é porque preciso, porque não sei me expressar de nenhuma outra forma.
Uma vida medíocre. Tentei a música, atingi a mediocridade. Tentei a fotografia, e nem à mediocridade cheguei. Tentei escrever, e a mediocridade mais uma vez me assombra. Agora tento (pela segunda vez) o jornalismo: escrevi matéria para uma revista, mandei idéia de pauta para outra, e estou aqui angustiado para ver no que isso vai dar. Larguei um emprego seguro, com bom salário (para alguém tão medíocre), benefícios, seguro de vida para não apoquentar a família com o peso de minha morte. E por quê? Porque o emprego me corroía a saúde, porque o trabalho não fazia sentido nenhum para mim.
Trinta anos, nenhum juízo e uma pilha de contas para pagar. A isso se resume minha vida. Tenho crises de ansiedade cada vez piores e mais freqüentes. Sinto-me cansado, derrotado, perdido. E, olha, a sensação não é nada boa.

Aham…

Sim, sim: sou eu no especial de aniversário do Garotas Que Dizem Ni. Escrevi lá qualquer coisa, que ultimamente minha capacidade para a escrita é essa que vocês estão vendo. Pobres Garotas…
(E com o Inagaki por cima de mim, só para não perder o costume. Vejam .)

Transformações

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Status do projeto (ARGH!)

Pois então, lembram-se daquele emprego que eu arrumei em dezembro? Pois podem esquecer: pedi demissão e meu último dia foi ontem. Ainda tenho pouco mais de um mês antes de completar os 30 anos; achei que tinha direito a um último ato inconseqüente antes da inevitável maturidade. Então pedi demissão e agora estou mais perdido do que nunca. Tenham paciência, pois. Eu ainda volto, mas não agora. Antes tenho uma matéria para escrever.
Cuidem-se.

Hum

Eu olho para este blog e ele parece o fantasma do que foi um dia. É como me olhar no espelho, pensando bem.

Jesus renovado

Notaram a diferença no logo desta pocilga? Pois então. As novas cores de Jesus são um oferecimento de Namorada S.A.

Xi

Ok, eu estava enganado: o Papa estava mal mesmo. Tão mal, vejam vocês, que até morreu.
Agora vêm uns e outros questionar a necessidade de toda essa comoção em volta da morte de João Paulo II. Ora! O velho foi, por 26 anos, líder de uma religião que hoje reúne 970 milhões de pessoas, contribuiu decisivamente para o fim da Guerra Fria, foi o primeiro a entrar numa mesquita, numa sinagoga e, o que talvez parecesse mais difícil, o primeiro a dialogar com a Igreja Ortodoxa depois de um cisma de mil anos, teve peito para pedir perdão a Deus e ao mundo pelos erros cometidos pela Igreja — inclusive a Inquisição. Se a morte desse sujeito não é causa de comoção, não sei mais o que possa ser.

* * *

E o Lula disse que vai a Roma para o enterro do Papa (disse também que gostaria que o próximo Papa fosse brasileiro, mas vamos fingir que não ouvimos). Pois vai ao enterro, não? Três dias de velório, deve estar pensando que vão beber o morto.

* * *

E quando crescer eu quero ser camerlengo. Olhem que nome legal. Camerlengo.

Primeiro de Abril

Mas vocês são mesmo muito crédulos, não? Esse negócio de Papa morre-não-morre é tudo brincadeira de Primeiro de Abril. Podem anotar: amanhã o Sumo Pontífice aparece andando de jetski e mandando um fiau pra todo mundo.

E o ministro de Saúde do Vaticano, cardeal Javier Lozano, disse que o papa está em “pré-morte”. Minha pergunta: quem não está?

Ajuda

Muito bem, muito bem. Isto aqui está mais parado que puteiro em Pelotas, mas quero dar um jeito nessa situação embaraçosa. Logo, logo. Tomei uma decisão um tanto assustadora esta semana, o que me levou a crises de ansiedade, taquicardia, falta de ar e insônia — para ser veadagem completa só me faltou mesmo dar a bunda. Mas é só tentar ficar parado que as coisas acabam se ajeitando de um jeito ou de outro (aprendi isso lendo Clarah Averbuck e Alexandre Soares Silva, quem diria que os dois têm algo em comum…).
Essa decisão assustadora foi tomada, dentre outros fatores, por conta de algo que me caiu nas mãos. O negócio é que surgiu aí uma oportunidade para escrever uma matéria. Dei a idéia de pauta para um sujeito maluco, o qual cometeu a sandice de me convidar para escrever a matéria para sua revista. Para escrever, porém, preciso entrevistar taxistas. E aí está o problema: sou um sujeito tímido, e tenho tremedeira só de pensar em me aproximar de um ponto de táxi para falar com os caras. Sendo assim, resolvi mais uma vez apelar para a generosidade dos meus leitores. Portanto, se você conhece um taxista bem falante, contador de histórias (picantes, de preferência), entre em contato. Terá minha gratidão eterna.
Dinheiro? O cacete!

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