(I Reis 4)
Depois de receber de Javé tamanha sabedoria, Salomão achou por bem utilizá-la para reformular a estrutura do reino. Seu pai fora um grande rei, mas era mais um guerreiro do que um estadista. O funcionamento da máquina oficial podia ser muito melhorado, e Salomão sabia exatamente como fazê-lo. Para começar, nomeou os trutas para os cargos de confiança:
- Sacerdote: Azarias, filho de Zadoque
- Escrivães: Eliorefe e Aías, filhos de Sisá
- Conselheiro do rei: Josafá, filho de Ailude
- Comandante do exército: nosso já conhecido mano Benaías, filho de Joiada
- Sacerdotes: Zadoque e Abiatar
- Chefe dos administradores distritais: Azarias, filho de Natã
- Conselheiro particular do rei: o sacerdote Zabude, filho de Natã
- Mordomo: Aisar
- Encarregado dos trabalhadores forçados: Adonirão, filho de Abda
Notem que nada nessa vida é de graça: Natã desempenhara papel primordial para que Salomão subisse ao trono; em troca, dois de seus filhos foram nomeados para cargos de confiança.
Tendo nomeado seus servidores diretos, Salomão partiu para uma reorganização do reino em distritos. Para isso, nomeou doze homens para serem administradores dos distritos de Israel. Cada um dos administradores era obrigado a prover o palácio de mantimentos durante um mês do ano. Dos doze administradores, dois eram genros do rei. Tudo coincidência.
Israel funcionava como um conjunto bem azeitado de engrenagens. Como nada faltava, não havia necessidade de guerras, e Salomão pôde governar em paz e com grande prosperidade. Viveu em paz com os reinos vizinhos durante toda sua vida, e muitos deles pagavam tributos a Israel. Os gastos do palácio do rei só eram comparáveis aos da Casa da Dinda: por dia eram consumidas três toneladas de farinha de trigo, seis toneladas de outras farinhas (não especificadas, sei de nada), dez bois gordos, vinte bois de pasto e cem carneiros. Isso sem contar veados, gazelas, cabritos monteses e aves domésticas. O rei tinha quatro mil baias para os cavalos de seus carros de guerra, e doze mil animais da cavalaria. Fornecer palha e cevada para as montarias também estava entre as obrigações dos administradores distritais, cada um no seu mês.
Com o reino perfeitamente organizado para gravitar em torno do palácio, não deixando que nada lhe faltasse, Salomão tinha tempo de sobra para cultivar sua descomunal sabedoria: estudou as árvores e plantas, os animais, os astros; escreveu três mil provérbios e compôs mais de mil canções (a mais conhecida delas é provavelmente o Cântico dos Cânticos). O rei de Israel foi considerado o homem mais sábio de seu tempo, e reis do mundo inteiro mandavam representantes para ouvi-lo.