Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2004

LogoMarco – o cúmulo do narcisismo

Com essa história de mudança de cores, um dos logos que pensei em usar foi esse:


(Clique para ampliar)

Eu sei que parece apenas uma combinação arbitrária de tons de marrom. Só PARECE! Porque essas cores não foram escolhidas ao acaso. Não, meus caros! Peguei uma foto minha e, no Photoshop, selecionei para padrão de fundo um pedaço da minha face direita, e para as letras a cor dos meus olhos na parte mais perto da pupila(#412F2F).
Meu narcisismo vai bem, obrigado.

Gideão sai à francesa

(Juízes 8:22-35)

Depois de ver de que maneira espetacular Gideão derrotara os invasores midianitas, alguns homens foram falar com ele:
— Gideão, cê é foda.
— Que é isso…
— Nah, sem falsa modéstia: cê é foda. O que você fez com os midianitas foi impressionante. Então pensamos, conversamos e decidimos que queremos que você seja rei de Israel, assim como seus descendentes.
— Hum… Rei, é?
— É. Rei. E aí, aceita?
Gideão ficou pensativo. Ser rei era uma honra e tanto. Mas e o trabalho que dava, a dor de cabeça? Pensou bem e se saiu com uma resposta espertalhona, bem ao seu estilo:
— Não serei rei de vocês, nem meu filho: Javé será o rei hoje e sempre. Mas…
— Mas…?
— Sabem aqueles brincos que os midianitas usavam? Se vocês pudessem me dar eles…
— Vai usar brinco agora, Gideão?
— Claro que não, ó caralho! É pelo ouro mesmo. Acho que mereço um pequeno espólio de guerra, não?
— É claro. Daremos os brincos a você então. Uma pena você não querer ser rei de Israel.
— O único rei de Israel é…
— Javé. Tamos sabendo.
Então eles estenderam uma capa no chão, e cada um pôs sobre ela os brincos que havia tomado dos midianitas. Com isso Gideão ganhou quase trinta quilos de ouro. Estava rico, portanto. E duvido que vocês adivinhem o que ele fez com tanto ouro… Ele pegou todos os brincos, mandou fundir e fez um ídolo! Sim, Gideão, que acabara de libertar Israel com ajuda de Javé, descambou pra idolatria assim que pôde. Ele botou o ídolo em Ofra, sua cidade, e todos os israelitas abandonaram Javé e foram adorar o deus de Gideão.
— Vixe. Javé deve ter ficado mais puto do que nunca. O que ele fez?
Nada.
— NADA???
Pois é. Javé, que fizera os israelitas beberem o ouro fundido do bezerro que adoravam enquanto Moisés estava no alto do Sinai, resolveu fazer vista grossa à idolatria de Gideão. Aliás, se pensarmos bem, Gideão é um herói bíblico um tanto atípico: primeiro teve coragem de duvidar de Javé várias vezes antes de cumprir suas ordens, depois equiparou-se a ele (quando ordenou a seus homens que invadissem o acampamento midianita gritando “Por Javé e Gideão!”). Talvez embasbacado por tamanha ousadia, Javé não soube o que fazer com Gideão, e foi deixando. Quando ele resolveu desafiá-lo frontalmente, adorando a outro deus sob suas barbas, por assim dizer, Javé já estava desmoralizado.
Seja como for, Gideão viveu por mais quarenta anos, durante os quais reinou a paz em Israel. Ele teve setenta filhos de várias esposas, e mais um de uma concubina, em Siquém. Esse último, chamado Abimeleque, ainda vai dar muito trabalho. Mas isso fica para os próximos capítulos. Por enquanto, vamos chorar a morte de Gideão, o personagem bíblico que mais desafiou a autoridade divina. E não sofreu qualquer castigo por isso, muito pelo contrário.

Still got the blues

Não adianta, eu sempre volto ao azul.

Crediário

saomarcurelinho.jpg

O santo sou eu, o profeta é ele. Seja bem-vindo, meu bom rapaz.

Agora falando sério

Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver banda passar

Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal ?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal

Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo para eu cantar

Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério

Agora falando sério
Eu queria não falar
Falando sério

(Chico Buarque)

[Dias tristes, esses primeiros do ano]

Marquinho

marco_fev76.jpg

Minha mãe achou essa foto aí — reparem no enquadramento perfeito — fuçando nos arquivos da família. Sou eu, aos nove meses de vida, no colo do Zé, meu tio. Fevereiro de 1976. Acho que a maioria dos meus leitores não era nascida então, quase 28 anos atrás. Notem que eu não tinha cabelo. Procurei meu pinto na foto, sem sucesso. Ninguém esperava muito de mim: eu era feio, tinha vários problemas de saúde, era quieto demais e vivia olhando o mundo, em silêncio, com meus olhos enormes.
Há coisas que não mudam muito.

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