Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2004

Chateação

A regra para comentar o post Preguiça tinha o objetivo de evitar discussões inúteis. Mas adianta alguma coisa? Claro que não! O Walter (ah, Walter…), por exemplo, saiu-se com essa:

…a porra do filme é, sim, anti-semita PACARALHO!

E digo mais: se o filme é FIDELÍSSIMO à Bíblia como você disse (o que eu duvido – sempre é uma interpretação da interpretação da interpretação…), então a porra da Bíblia também é anti-semita PACARALHO!

E, para completar, vem o Asmodeu e sapeca essa:

Será que o evangélio é tão puro assim? Não contém nem um pouco de anti-semitismo?

É verdade, meus caros, é bem possível que os Evangelhos sejam anti-semitas. Claro. Livros escritos por quatro judeus (apenas um deles, Lucas, não nascido na Judéia) têm uma grande probabilidade de serem anti-semitas. O são de tal forma, aliás, que eu acho que deveríamos mudar os nomes dos evangelistas para Himmler, Goebbels, Goering e Hitler.
Cada uma…

Orgulho da burrice

Estava na livraria Cultura ontem caçando algo para ler, e acabei encontrando um livro que me pareceu interessante: “A Pré-História da Mente”, de Steven Mithen. O autor se propõe a fazer “uma busca das origens da arte, da religião e da ciência”. Abri o livro, li uns trechos ao acaso, e me detive um pouco no prefácio à edição brasileira, escrito por um certo Walter Neves. As primeiras palavras do prefácio do Sr. Neves me irritaram. Vejam:

Como vivemos num país onde os novos paradigmas das “ciências” humanas aplicadas demoram décadas para chegar (e, às vezes, quando chegam, são implacavelmente “fritados” pela inteligentsia local), a pedagogia entre nós ainda apresenta forte tendência piagetiana

Três motivos para minha irritação: primeiro esse “ciências” assim, entre aspas. Depois que ele começa pela abordagem errada, já que não se trata de uma obra de pedagogia (eu arriscaria dizer que o livro trata de psicologia evolutiva). E o que mais me irritou: a forma desdenhosa como ele fala do Brasil. Oras, onde já se viu coisa igual? Comprei o livro, mas já saí da loja indignado com o tal Walter Neves, que eu nem sei quem é. Comprei o livro, apesar do prefácio.
Pois bem: saí e fui direto para a outra loja da Cultura, essa especializada em livros técnicos e científicos, à cata de publicações sobre meu hobby predileto: Neurociência. Subi ao mezanino, encontrei a prateleira correspondente e comecei o garimpo. Decepção: os bons livros eram todos edições americanas, luxuosas e caríssimas. As edições nacionais eram quase todas coisas do tipo “Como fazer seu cérebro trabalhar para você”, “Como ganhar dinheiro com o lado direito do cérebro”, “Aumentando a capacidade de sua memória”, “Exercite seu cérebro”, “Como fazer amigos, influenciar pessoas e explorar o potencial dos lobos parietais sem fazer força”. Bom, os títulos não eram bem esses, mas algo nessa linha. Mesmo os livros “sérios” sobre o assunto restringem-se quase que totalmente às obras de Oliver Sacks. (Sacks é um dos neurocientistas mais respeitados da atualidade, mas como escritor popular de ciência é uma negação. Subestima a inteligência do leitor, o pior pecado que qualquer autor pode cometer).
Vendo o contraste entre as publicações nacionais sobre Neurociência e as estrangeiras (não apenas americanas), tive que ceder um ponto ao Sr. Walter Neves. Como é possível que num país tão populoso não haja um número suficiente de pessoas interessadas no funcionamento do cérebro a ponto de justificar a edição de livros sobre o assunto? Quando eu li Fantasmas no Cérebro, de V. S. Ramachandrian (já citado aqui), pensei que comprometeria todo o meu orçamento a partir de então com livros de neurociência. Qual o quê! O excelente livro de Ramachandrian (lançado pela Record) é uma exceção incompreensível: é científico, denso, e ao mesmo tempo fascinante e acessível. Eu pensava que encontraria outras publicações de mesmo nível, mas não: o que se encontra por aí são manuais de instrução do cérebro, livros com muita preocupação utilitária e quase nenhuma verdadeiramente científica. E isso se aplica não só à neurociência, é claro: tente você encontrar qualquer tipo de boa literatura científica. Nem precisa tanto, tente achar alguma boa literatura.

Indignado com esse estado de coisas, comecei a pensar em algo que observo desde criança: aqui no Brasil, ser inteligente não é considerado de bom tom. Pode parecer estranho eu dizer isso, mas apenas olhem ao redor. Pessoas bonitas não têm o mínimo pudor de se afirmarem como tal (e nem deveriam). Mas vá você dizer que é uma pessoa inteligente. Os outros vão olhá-lo com espanto, asco, reprovação. Ninguém quer ser feio, e isso é compreensível: ser feio é uma desvantagem e tanto, creiam em mim. O problema é que, por aqui, ninguém parece se importar muito em ser burro. Há até algum charme numa burrice despreocupada, numa ignorância graciosa. Claro que o Brasil tem sérios problemas em educação e saúde, mas não é esse o problema de que trato aqui: pessoas que estudaram nos melhores colégios, bem nutridas na infância, cultivam com o mesmo orgulho (e cinismo, sempre) suas ervas-daninhas de burrice.
É desesperador. É triste observar as pessoas no metrô e notar os olhares bovinos (e o comportamento bovino, quando as portas se abrem na hora do rush). É triste ver os livros com que as poucas pessoas que lêem ocupam seu tempo: coisas esotéricas, auto-ajuda. Ninguém quer ser inteligente. Faça o teste: chame alguém de inteligente, à queima-roupa. Ninguém gosta desse elogio. Os poucos conscientes (e um tanto orgulhosos) de sua capacidade mental buscam cercar-se de pessoas com capacidade semelhante, salpicando a paisagem de burrice geral com nódoas de inteligência aqui e ali.
Posso prever os comentários do tipo “ae mew ce é mó nerd huahuahuahuahua vai comer alguem flw!!!”. É triste, muito triste. Eu queria entender por que isso acontece. Queria estudar o cérebro das pessoas e descobrir que área dele está adormecida nos brasileiros. Mas não é possível, é claro. PORQUE NÃO SE ACHAM BONS LIVROS DE NEUROCIÊNCIA NESTE PAÍS, CARALHO!

(Eita, que hoje ninguém segura o meu mau humor…)

Preguiça

Eu ia falar aqui sobre as acusações de anti-semitismo lançadas sobre Mel Gibson depois de seu filme A Paixão de Cristo. Mas estou com insônia e uma preguiça monstruosa, então vamos fazer assim: eu digo que não há nada de anti-semita no filme, ele apenas mostra o que está nos Evangelhos. Quem discordar de mim deve fazer a seguinte reflexão ANTES de qualquer comentário: “Eu conheço a Bíblia, particularmente os Evangelhos, tanto quanto o Marco Aurélio, a ponto de ousar discutir com ele?”. Responda com sinceridade a esse questionamento interno. Se a resposta for “não”, cale-se. Pouparemos muita bobagem com isso, acredite.

Tableless

Movido pela minha constante inveja de deus, resolvi que o JMC seria tableless também. Não está pronto ainda, mas esta página principal já não tem mais <table>, <tr>, <td&gt, essas coisas arcaicas. É impressão minha ou está mais rápido?

(Digam que está mais rápido. Que estão impressionandos, oh. Só para agradar o pobre rapaz, sabem como é.)

Guerra contra os filisteus

(I Samuel 13)

Outra guerra contra os filisteus? Pois é, outra. Na última guerra, o autor de I Samuel deu a entender que os filisteus teriam sofrido uma derrota vexaminosa. Neste capítulo vemos que provavelmente a grande derrota narrada ali foi só um pequeno percalço. Só assim se explica a situação em que Israel se encontra neste capítulo: estado vassalo da Filistia, não podia sequer contar com ferreiros em seu território. Para evitar que os israelitas tivessem espadas e lanças, os filisteus os proibiram de trabalhar o ferro. Quando algum israelita precisava amolar suas ferramentas, tinha que levá-las até os filisteus, que cobravam pelo serviço. Uma situação humilhante, que fazia de Israel quase uma colônia filistéia.
Resumindo: A Filistia fazia aos israelitas mais ou menos o que Israel hoje faz aos palestinos.

— Anti-semita! Anti-semita!
Ué, os palestinos também são semitas. Não me torrem. E voltemos à história.

Saul já estava em seu segundo ano de reinado, e percebia que não passava de figura decorativa. Disposto a reverter a situação, escolheu três mil homens para serem seu grupo guerrilheiro. Dois mil ficaram sob seu comando em Micmás e nas montanhas de Betel, enquanto os outros mil ficaram sob as ordens de seu filho Jônatas, em Gibeá. O primeiro ato terrorista não tardou a acontecer: Jônatas matou o comandante filisteu em Geba (não confundir com jeba, por favor), o que emputeceu os filisteus, claro.
Orgulhoso do heroísmo de seu filho, Saul foi até Gilgal e de lá enviou mensageiros por todo o país, convocando os homens para a guerra contra os filisteus. Em pouco tempo, uma multidão vinda de todo o Israel veio juntar-se aos guerrilheiros. Milhares e milhares de israelitas imbuídos do mais puro orgulho cívico.
Sabendo da movimentação em Israel, os filisteus apressaram-se em organizarem seus exércitos, e acamparam em Micmás, do outro lado da fronteira. Tinham trinta mil carros de guerra, seis mil cavaleiros e incontáveis soldados. Vendo-se cercados por tal exército imponente, os patriotas israelitas deram uma grande demonstração de coragem: uns esconderam-se nas cavernas da região, outros em buracos, no meio das rochas, em poços. Alguns, mais medrosos ainda, atravessaram o Jordão e foram se esconder em Gade e Gileade. Um vexame sem tamanho.
Saul via a autoridade lhe escorrendo entre os dedos conforme a debandada aumentava. Havia recebido instruções de Samuel: deveria esperar o velho profeta para que ele oferecesse sacrifícios, e então iria combater os filisteus. Passaram-se sete dias e nada de Samuel, então Saul entrou em desespero. Olhou em volta e viu seu exército consideravelmente diminuído. Pensou um pouco e deu a ordem:
— Tragam os animais para o sacrifício.
Os homens entreolharam-se, em dúvida. Os sacrifícios só deveriam ser oferecidos pelos sacerdotes ou, na falta deles, por uma autoridade religiosa, como Samuel. (Havia um sumo-sacerdote, na verdade, como veremos no próximo capítulo. Mas era descendente do velho Eli, e portanto totalmente desacreditado).Era uma ordem do rei, porém, então eles acharam melhor obedecer. Trouxeram os animais, e Saul ofereceu os sacrifícios. E é claro que Samuel logo apareceu. Saul foi cumprimentá-lo, mas o velho ignorou a mão estendida.
— Que merda você está fazendo, Saul.
— Er… Hum. Então. Os filisteus acamparam em Micmás, meus homens ficaram com medo e começaram a fugir. Você não chegava nunca. Eu pensei: “Os putos vão vir nos atacar, e eu ainda nem tive como pedir a ajuda de Javé”. Então achei por bem oferecer eu mesmo os sacrifícios.
— Ah, claro! Oferecer os sacrifícios! Que bobagem!
— É, né?
— CLARO QUE NÃO! O QUE VOCÊ FEZ FOI UMA LOUCURA!
— …
— Você foi leviano com as coisas sagradas. Se você obedecesse a Javé, sua descendência reinaria em Israel para sempre. Como não obedeceu, porém, Deus vai escolher outro homem para assentar-se no trono.
— Trono? Que trono? Nem palácio eu tenho! Pô, Samuel, alivia essa…
Mas o velho já havia se retirado, resmungando impropérios. Saul tinha outras preocupações, entretanto, e não podia ficar pensando no que Samuel dissera. Tratou logo de juntar seus homens e ir com eles até Gibeá, para encontrar Jônatas. Lá chegando, pai e filho contaram seus soldados e desanimaram: tinham com eles seiscentos homens ao todo, um quinto do que tinham antes. Não dava mais para voltar atrás, porém: os filisteus já se preparavam para o ataque, e uma simples desistência seria a esculhambação definitiva para Israel. Então Saul, Jônatas e seu exército foram até Jeba, digo, GEBA, e ali acamparam. Enquanto isso, continuando sua estratégia de pressão psicológica, os filisteus dividiram-se em três grupos de patrulha: um ficou em Ofra, outro em Sual e o outro no monte acima do vale de Zeboim, frente ao deserto.
Era muito difícil a situação dos israelitas: eram seiscentos homens assustados cercados por milhares de filisteus. Devido às imposições de seus opressores, os hebreus não tinham espadas nem lanças (com exceção de Saul e Jônatas, cada um com sua espada). Do outro lado, os filisteus tinham um exército muito bem equipado e treinado. Para piorar tudo, parecia que nem com a ajuda de Javé os israelitas poderiam contar. Guerra perdida? Veremos.

Diálogo

Acredite ou Não de layout novo.
— Acredito, ué.
— Acredita no quê?
— Que tá de layout novo. Só não percebi a mudança…
— Mudança onde?
— Aqui, ué.
— Não, aqui não mudou nada. Acredite ou Não.
— Acredito sim, não mudou mesmo.
— Claro que mudou! ACREDITE OU NÃO!
— Ok, estou confuso. Mudou ou não mudou?
— TÔ DIZENDO QUE MUDOU!
— Aqui?
— Claro que não! Acredite ou Não. Fui eu que fiz.
— Espera. Vamos ver se eu entendi: não mudou e foi você quem fez? FEZ O QUÊ?
— A mudança, meu Deus!
— Er… Mudança DE QUÊ!
ACREDITE OU NÃO, DIABOS!
— Isso está ficando difícil. É pra acreditar ou não?
— Hein? Ah, entendi! Hehehehehe. Desculpe. Acredite ou Não é o nome do blog.
— Que blog?
— Da minha namorada.
— Qual o nome do blog da sua namorada?
Acredite ou não!
— COMO EU VOU ACREDITAR OU DEIXAR DE ACREDITAR SE VOCÊ NEM FALA O NOME DA PORRA DO BLOG?
— GAH! VOCÊ É MUITO BURRO! ACREDITE OU NÃO!
— CLARO QUE NÃO ACREDITO QUE SOU BURRO! VOCÊ QUE É ESQUIZOFRÊNICO!
— HÃ? COMO? BAH, EU VOU EMBORA!
— TCHAU!
— TCHAU!

Perguntinha

Por que esse súbito interesse generalizado pelo Balde de Gelo? Acalmem-se, logo Daniela e eu teremos novidades para vocês…

Chuif

Meu querido Daniel Appollyon Bastos escreveu a meu respeito:

Como dizer em apenas uma frase toda a beleza interior (e exterior, ora bolas) do senhor Marco? Bem, ele tem o pau grande.

É tão bom descobrir que os amigos notam o que temos de melhor. Obrigado, Popô!

Mais mudanças

- Alessandra foi ameaçada de processo pelos caras que fazem aquele licor lá, e mudou-se para o blog Licor de Marula Com Flocos de Milho Açucarados (ou, para complicar, Alê Félix)
- Daniel mudou-se, e agora o Crediário atende nesse balcão
- Dona Nilda cansou desse negócio de Bolinho resolveu assumir de vez o nome que eu lhe dei.

Emotioncouple

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