Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Ah, meu saco…

Desde que eu escrevi o post criticando, ou melhor, queimando em praça pública o “livro” O Código Da Vinci, não tenho mais sossego: todo dia alguém acha aquele post através de mecanismos de busca e, sem conhecer este blog e muito menos seu autor, faz algum comentário imbecil partindo do pressuposto de que eu teria me sentido ofendido como cristão ao ler a excrescência expelida por Dan Brown. Eu não aprovo tais comentários, é claro, mas vocês podem acreditar em mim quando eu digo que TODOS os que vêem defender o livro são analfabetos funcionais: não sabem pontuar, desconhecem acentuação, fogem da ortografia, ignoram a semântica. Um exemplo bem ilustrativo que acaba de chegar:

ow

u povu q mete pau(tipo vc) so pod ser catolico roxo…pq u livro eh mtu bom,bem elaboradu i tals,o livro naum quis simplesmente contar um assasinatooo,sim a historia d q jesus cristo foi um homem qualquer capaz d amar e ter filhos!! e que leonardo da vinci foi um seuper cabeca…ants d falar mal du q os outros fazem pq vc naum iscreve um livro!? facu questao d ler…=] abracos =]

A autora dessa pérola (uma ostra, claro) assina como Loirinhaa. E aí eu penso: se a maior parte das pessoas que defendem apaixonadamente o tal “livro” escreve assim, isso só demonstra que eu estou certo em odiá-lo. Por que é que pessoas que defendem Doistoiévski, ou Machado de Assis, ou Gabriel Garcia Márquez, sabem fazê-lo de forma clara, escrevendo com elegância?

Ok, a pergunta é retórica (aprendi que preciso explicar isso).

Velório

Você alimenta um sentimento, ou a outra pessoa alimenta um sentimento por você, ou, com muita sorte, vocês o fazem simultaneamente. Não importa: todos os amores vão para o caralho, e um dia esse de vocês também irá. E isso nem é pior: que um sentimento morra, tudo bem, estamos acostumados. O ruim mesmo é agüentar o velório.
Porque aí não há mais possibilidade de convivência normal entre você e o outro. Vocês até tentam emendar uma conversa qualquer, mas o sujeito deitado no meio da sala com algodão nas narinas os impede com o peso de sua presença defunta. Você tenta dizer algo casual e besta, mas é forçado a se interromper no meio da frase, porque o finado começa a cheirar mal, o maior dos embaraços. E você tem que tapar o nariz e exclamar “Que horror!”.
Até que o morto é enfim levado para sua sepultura, as janelas são abertas e o chão, varrido. Você olha para a outra pessoa e vê em seus olhos o mesmo alívio que você experimenta. “Quer café?”, você pergunta, e vão para a cozinha, já conversando animadamente sobre o tempo, ou fofocando a respeito da vizinha gorda, ou contando piadinhas. Porque, sem a presença opressiva daquele amor que morreu, vocês enfim são livres.
Sentimentos morrem todos os dias: são assassinados, suicidam-se, morrem de velhice ou nalgum acidente estúpido. Vem o velório em seguida, e esta é a pior parte. E é uma sensação e tanto quando ele acaba, e nos vemos livres daquele cadáver atravancando a sala.

O independente

No canal da Igreja Universal, um pastorzinho muito do mal-ajambrado fala sobre como reconhecer uma vida atormentada pelo tinhoso, de acordo com um certo número de sinais. Entre tais sinais está a insônia, e o pastorzinho comenta:
— Insônia, meu amigo — com ênfase nos “i”s, como é de hábito entre os pastores da Universal. — Por que é que você está acordado a esta hora da madrugada? É a insônia causada pelos espíritos maliiiignos!
Eis um sujeito independente, que não se importa com índices de audiência…