Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Fascinação

“I could watch the dreams flicker in your eyes
Lying here asleep on a sunbeam
I wonder if you realise you fascinate me so”

(Belle & Sebastian – Asleep On A Sunbeam)

Por mais que eu viva, nunca esquecerei essa cena: sentado numa cadeira e usando roupas adequadas a uma sala de cirurgia, meu cunhado segura o pacotinho delicado que é sua filha recém-nascida. Deitada, com uma expressão entre exausta e eufórica (não me peçam para explicar), minha irmã olha para os dois. O casal troca olhares de incredulidade. Está ali. É de verdade, e é um amálgama perfeito dos dois. Nunca vi nada que se aproximasse tanto do ideal do Sagrado. Aquela cena merecia uma pintura, uma escultura, uma sinfonia. Não contávamos, porém, com nenhum artista, e o Hospital-Maternidade Albert Einstein não os fornece às mães. Paciência, usamos o que havia a mão: o tio babão aqui, que filmava a cena com mãos trêmulas.
Passaram-se dezessete dias desde então, e a cada vez que olho para Ana Julia, minha sobrinha, é como se anjos descessem do céu entoando hosanas e jogando pétalas de rosas. Bem bichonas, os anjos. Agora mesmo estava com ela nos braços cantando Asleep On A Sunbeam. Enquanto eu cantava, ela me olhava com seus grandes olhos verdes. Essa música já foi plena de sentidos para mim, mas nunca antes o trecho que botei como epígrafe teve tamanho significado.
Fico pensando se você percebe o quanto me fascina, Ana Julia.

Pérolas pythonianas aos porcos comedores de bordões

Impressão minha ou estamos vivendo uma onda de Monty Python revival? Para todo canto que olho há algo sobre o grupo inglês (mesmo fora de casa, que fique claro. Aqui dentro não tem muito como escapar…). Eu até diria que é bom e tal, mas o que me espanta são os tipinhos que resolveram gostar de Monty Python. Numa comunidade do Orkut, por exemplo, vi uma garota dizendo que MP é humor para pessoas mais alternativas, porque suas amigas que curtem coisas mais adversas apreciam o sexteto. Sim. Coisas adversas.
Eu queria saber quantas dessas pessoas que dizem gostar de Monty Python entendem de verdade o humor daqueles senhores. Duvido que haja, num país em que a maior parte do humor ainda se baseia em bordões e trocadilhos, tantos fãs do grupo que implodiu (ou ajudou a implodir) a ditadura da punch line na comédia. Duvido que algum desses “fãs” consiga assistir uma esquete como a Confuse-a-Cat e entender.
Mas, bah, quem liga, não é mesmo? É só comédia! Não é pra rir? Então pronto, a gente ri!
Humpf.