(I Samuel 16:1-13)

O tempo passou e Samuel continuava com pena de Saul. Mal saía de casa, envergonhado com o papel que desempenhara ao comunicar ao rei que ele seria destituído. Oras, para começo de conversa Saul nem quisera ser rei. Javé tinha insistido, e ele se tornara rei a contragosto. Vinha fazendo um mau governo? Pelo contrário! Defendera Israel de seus vizinhos hostis, treinara um exército de respeito (em contraponto à meia dúzia de camponeses assustados que antes eram toda a força de defesa israelita), unira o país em torno de si. E, por causa de um pouco de gado trazido da terra dos amalequitas, fora rejeitado pelo mesmo Deus que o escolhera. Samuel passava seus dias pensando nisso, mortificando-se, sentindo-se culpado por tudo. Até que um dia Javé veio falar com ele:
— Samuel!
— Oi.
— Ué. Que desânimo é esse, rapaz?
— Bah. Você sabe.
— Ah, Samuel! Ainda essa história do Saul? Até quando você vai ficar aí se lamentando? Parece o Jeremias!
— Quem?
— O Jer… Ah, esquece. Esse cara não foi ainda. Às vezes eu me confundo com esse negócio de linha do tempo e tal. Mas então: chega de ficar aí choramingando por causa do Saul. Eu não quero mais que ele seja rei de Israel. Não quero e pronto.
— Ah! Então o negócio do gado amalequita foi só uma desculpa?
— Er… Pode ser. E não vem ao caso. O negócio é que agora eu tenho um trabalho para você.
— Não vou ter que ir falar com Saul, né? Eu não suportaria olhar na cara dele.
— Não, nada disso. Você vai encher um chifre com azeite e levá-lo com você até Belém.
— Chifre? Chifre de quê?
— Qualquer um! Seu, do seu pai, um chifre qualquer. Não se atenha aos detalhes, Samuel, essa missão é importante. Lá em Belém você vai procurar a casa de um tal Jessé para ungir um dos filhos dele como rei.
— CÊ TÁ DOIDO??? Se Saul sabe de um negócio desse, acaba com a minha raça!
— Hum. É verdade. Bom, então é melhor você disfarçar. Já sei: leve um bezerro com você e diga ao povo que foi até lá para oferecer um sacrifício. Convide Jessé para o ritual, e depois eu digo o que você deve fazer.
Sem muita vontade, mas já sabendo que discutir com Javé era perda de tempo, Samuel pegou seu chifre de azeite, seu bezerro e tocou para Belém. Quando viram o velho profeta chegando, os líderes da cidade tremeram de medo. Conheciam a fama de Samuel, e sabiam que praga rogada por ele era pior do que praga de mãe. Então foram falar com ele:
— S-Seu Samuel. Er… Que milagre o senhor por aqui!
— Humpf.
— Hehehe. Hehe. Hehe…
— Tão rindo de quê, caralho?
— Hum. É. Bom. Essa sua visita é de paz, Seu Samuel?
— É, é sim. Não me encham o saco.
— Ah, que bom… E esse bezerro aí?
— É meu noivo…
— HEIN?
— PRA QUE EU IA ANDAR COM UM BEZERRO, PORRA?
— Er… Sacrifício?
— É ÓBVIO! E vocês purifiquem-se e venham comigo.
— Pois não, pois não…
— RÁPIDO!
Nota-se que Samuel não estava no seu melhor humor. Enquanto os líderes se lavavam, Samuel mandou uma mensagem a Jessé convidando ele e sua família para o sacrifício. Quando o belemita chegou com seus filhos, Samuel viu Eliabe, o mais velho, e pensou: “Ah, deve ser esse. É grandão, forte, bonito. Do jeito que Javé gosta”. Mas Javé respondeu:
— Tá me estranhando, Samuel??? Desde quando eu fico reparando nessas coisas?
— Ué, eu só pensei. O cara tem o mesmo tipo físico de Saul, então…
— Pois é! Eu escolhi Saul me baseando só na aparência e deu no que deu. Não, não. Agora eu vou escolher com mais cuidado. Quero alguém que tenha bom coração e, principalmente, que não seja maluco. Fica calmo. Quando for o cara que eu escolhi, você saberá.
— Tá bom. — disse Samuel e, dirigindo-se a Jessé: – Eu tenho um recado de Deus para um dos seus filhos, mas já sei que não é esse. Quem é o segundo?
— Esse aqui, Abinadabe. É campeão de atletismo e faz musculação.
— Hmmmmm. Não, não é esse. O próximo?
— Meu terceiro filho, Siméia. Ponta direita do Belém F.C., escala montanhas e corre mais que o capeta.
— Sei, sei. Mas não é esse não. Próximo!
E assim Jessé apresentou a Samuel os sete filhos que estavam com ele, e nenhum deles era o escolhido por Deus.
— Você não tem mais nenhum filho, Jessé?
— Tenho mais um, o caçula, que está tomando conta das ovelhas agora.
— Ah, então mande chamá-lo.
— Seu Samuel, com todo respeito: se o recado de Deus não era para nenhum desses, para o moleque é que não vai ser.
— Eu sei, eu sei. Mas você não acha melhor oferecer o sacrifício com toda a família reunida?
— Ah, isso é.
— Então manda chamar o menino.
Jessé mandou um dos filhos chamar o caçula, e logo ele voltou trazendo o irmão. Era um rapazinho ainda adolescente, ruivo, de olhos brilhantes, muito bonito e de aparência saudável. Assim que ele apareceu, Samuel ouviu a voz de Javé em sua cabeça:
— É ESSE! É ESSE! PODE UNGIR!
— Calma, Javé. Ô. — e para o menino: — Qual o seu nome, filho?
— Davi. O que o senh… ARGH! Que é isso?
— Azeite, ué.
— AZEITE???
— É. Estou ungindo você como futuro rei de Israel.
— Peraí, Seu Samuel — interrompeu Jessé. — Deve haver algum engano.
— Engano nenhum. Seu filho Davi será rei.
— Mas é só um menino!
— Bom, discuta com Javé.
— E o sacrifício?
— Mané sacrifício! Tchau.
Samuel voltou para Ramá e deixou Davi todo besuntado em Belém. A partir daquele dia o Espírito de Deus tomou conta de Davi. Já sabemos o que isso significa: o menino estava pronto para aprontar suas loucuras.

O que leva um suposto homem feito a infernizar a vida de uma garota de 17 anos que ele mal conhece? O que leva esse homem a gastar seu tempo passando-se por ela em blogs, emails, chats e finalmente no Orkut?
Pois então: uma amiga minha tem sido importunada por esse cara. Não sabíamos quem era, até que hoje ele cometeu um erro primário e mostrou sua cara cínica, a qual já conhecíamos. Estou surpreso: por que isso? Por quê? Muito bem, sujeito. A caixa de comentários está aí. Você já comentou aqui como “clone”, então sabe o que fazer: comente, justifique-se, explique o que o levou a fazer tamanha imbecilidade. E, já que a máscara caiu, aproveite para dizer quem foram seus parceiros na brincadeira.
Mil perdões aos meus leitores. Daqui a pouco teremos capítulo bíblico novo, um personagem importantíssimo será introduzido, vai ser legal. Mas é que eu já estava com essa história atravessada na garganta há meses, e fiquei com mais raiva ainda ao saber quem era o sujeito. Desculpem esse arroubo de quase fúria, meus caros. Já voltamos à programação normal.