Tendo mais uma vez arrebentado um bracket do aparelho, liguei para o consultório do Japonês Maluco e marquei um horário. Cheguei lá todo ressabiado, e já me preparando para levar bronca (eu sempre levo bronca). O danado demorou para me atender, acho que de pura pirraça. Quando enfim me chamou, estava todo simpático, nem se lembrou de brigar comigo. Deve ter se dado bem no fim-de-semana, sei lá. Então fiquei mais tranqüilo:
— Se eu te contar como foi que eu arrebentei o aparelho desta vez…
— O que aconteceu?
Então contei: quinta-feira de madrugada, eu meio dormindo e meio acordado, deitado de bruços. Acordei assustado sei lá com o quê, e me levantei bruscamente. Só que o danado do aparelho estava preso no travesseiro, e lá se foi o bracket. Foi das cenas mais ridículas que protagonizei. O japonês ouviu a história, deu lá o seu risinho abafado e começou a trabalhar com suas ferramentas de serralheiro. Quando já havia colado o bracket, comentou:
— Ê, Seu Marco… Vou falar pra sua namorada que você anda mordendo travesseiro, viu?
Eu queria responder direito, mas estava com arames por todos os lados da boca, além daquele treco que emite uma luz azul e que eu não sei para que serve. Então soltei um ininteligível:
— TOMANOCU.
Assustado, ele tirou o treco da minha boca (o treco da luz azul, ô!):
— COMO É QUE É?
— TÔ MALUCO!
— HAHAHAHA. Tá mesmo! Tá mesmo!
Admitam, eu tenho presença de espírito.
Pois bem. Saí do consultório, fui até a ex-empresa, depois fui almoçar com Camila. Queria ir ao cinema, mas bateu a preguiça. Voltando pra casa, passei na locadora. Estava lá tentando escolher algum filme razoável e conversando com a loirinha do balcão (linda, linda), quando começou a tocar uma música familiar. Demorei um segundo para reconhecer: era Black, do Pearl Jam. Aí já era demais. Exclamei:
— TOMANOCU!
Acho que falei alto demais, porque a menina se assustou:
— Hein?
Eu não estava com nada na boca, infelizmente (ah, aqueles peitinhos adolescentes…), então tive que repetir:
— Tomanocu, ué.
— Eu?
— Não! O Eddie Vedder.
— Quem?
— Vocalista do Pearl Jam. Canta essa música aí.
— Ah… Essa música é triste, né?
— Humpf.
Peguei qualquer filme lá e vim-me embora. Será o Benedito que hoje todo mundo resolveu portar-se acintosamente contra mim?

De volta à nossa programação normal.