A derrota dos filisteus 12

(I Samuel 14:1-23)

Os filisteus continuavam usando sua estratégia de pressão psicológica. A guerra de nervos fazia efeito sobre os israelitas, cada vez mais assustados. Acampados em Gibeá, esperavam pelo momento em que os filisteus desceriam para começar o massacre. Alguns até torciam por isso, ao menos acabaria com a ansiedade.
Jônatas, porém, não partilhava desse sentimento. Conhecia o passado glorioso de Israel, e não se conformava em ser vassalo da Filistia. Tinha ódio mortal dos filisteus, e estava disposto a arriscar a própria vida combatendo-os. Tanto que um dia, cansado de tanta inação, chamou seu escudeiro para conversar:
— Ei. Por que a gente não vai até ali do outro lado do desfiladeiro?
— Porque os filisteus estão acampados lá, Seu Jônatas.
— …
— Não!
— Sim! O que nós temos a perder?
— Hum… A VIDA?
— E daí? Sua vida é tão boa assim?
— Não tenho muito do que reclamar não.
— Oras, deixe de ser bunda mole!
— Deixo. Mas precisa ser agora?
— Vamos, vamos logo!
— Mas… Mas o senhor não vai nem falar com seu pai?
— Pra quê? Meu pai está tão assustado quanto os outros. Machos mesmo neste acampamento, só eu e você.
— Er… Eu?
— Sim, você!
— Droga. Posso ao menos me despedir dos amigos?
— Pra quê? A gente volta logo.
— O senhor é muito otimista, Seu Jônatas.
— Ah, isso eu sou. E aí, vai comigo ou não?
— O senhor vai de qualquer jeito, né?
— Claro que vou. Estou doido pra chutar uns rabos filisteus. E, sei lá, pode ser que Javé nos ajude.
— E pode ser que não ajude.
— É verdade.
— Bah, foda-se! Vamos logo.
— Muito bem, rapaz, assim que eu gosto! Olha, vamos fazer assim: vamos até lá como quem não quer nada. Se eles nos mandarem parar, nós obedecemos. Mas se disserem pra gente subir até lá, este será o sinal de que Javé nos dará a vitória.
— Como é que o senhor sabe?
— Ué, ele deve estar ouvindo.
— Ai, ai…
— Vambora.
Os dois foram para o vale e ficaram andando por lá, certificando-se de que os inimigos podiam vê-los. Não demorou para que isso acontecesse, e os filisteus começaram a gritar:
— Olha lá! Dois narigudinhos perdidos!
— Que beleza, saíram da toca!
— Ei, hebreus! Subam aqui que eu tenho um negócio pra mostrar pra vocês!
Jônatas abriu um sorriso:
— É o sinal!
— Um filisteu balançando o pau pra gente é um sinal???
— Oras, estão nos chamando. É o sinal! Javé nos ouviu! Vem atrás de mim.
— Mas Seu Jôn… Ô, diabo!
Jônatas já havia começado a subir pelas pedras, engatinhando. Não tendo outro remédio, o escudeiro foi atrás. O príncipe israelita ia atacando e derrubando os filisteus enquanto subia, e o empregado os ia matando. Nesse primeiro ataque, mataram uns vinte homens em uma área de mais ou menos mil e duzentos metros quadrados.
A notícia do ataque terrorista começou a espalhar-se pelo acampamento filisteu. As informações eram desencontradas. Uma confusão danada, ninguém sabia direito o que estava acontecendo. Espiões que Saul enviara viram que os filisteus corriam de um lado para o outro, e foram avisar o chefe do que estava acontecendo. O rei ficou sem entender nada: seu exército estava ali acampado com ele, então quem estava atacando os filisteus? Deu ordem aos seus oficiais para que contassem os homens e descobrissem quem estava faltando. Eles voltaram com a notícia: Jônatas e seu escudeiro não estavam no acampamento. Saul inchou-se de orgulho:
— Ah, moleque! Esse meu filho é macho mesmo! Cadê o Aiás? Cadê o filho-da-puta daquele songomongo do Aiás?
— E-estou aqui, majestade!
— Vá puxar o saco da puta que o pariu! Que merda de sumo-sacerdote eu tenho, meu Deus! Vá buscar a Arca, vamos precisar dela.
— É pra já, meu soberano!
Enquanto Saul falava com o sacerdote (Aiás era sobrinho de Icabô, e um dos últimos descendentes do sacerdote Eli), foi informado de que a confusão no acampamento filisteu aumentava cada vez mais.
— Ah, é? Que maravilha! Aiás, esquece a Arca. Vamos atacar aqueles putos é agora!
— Mas Javé pode ficar nervoso se a gente não levar a Arca.
— Fica nada, fica nada! Para agradá-lo, faço agora um juramento: nenhum israelita comerá nada enquanto não tivermos derrotado nossos inimigos. Estamos de jejum a partir de agora, e maldito seja quem o quebrar.
Saul juntou seu pequeno exército e marchou contra o acampamento do inimigo. A confusão gerada pelos ataques de Jônatas e seu escudeiro era enorme. Os dois atacavam os filisteus um por um, pelas costas, e ninguém sabia quem estava matando os homens. Apavorados, os filisteus lutavam uns contra os outros. Alguns dos hebreus mais covardes, que ao fugir tinham passado para o lado do inimigo, trocaram de lado mais uma vez e juntaram-se ao exército de Saul. Os que estavam escondidos nas cavernas ficaram sabendo do que ocorria e saíram de seus buracos. Todos juntos atacaram os filisteus, perseguindo-os até Bete-Avém. Mais uma vitória espetacular do exército israelita, dessa vez mais graças à temeridade de um homem do que à intervenção divina.

Ed 10

Como boa parte dos garotos nascidos na segunda metade da década de 70 (tecnicamente eu nasci na primeira, mas não vem ao caso), eu também tive na revista MAD uma das pilastras de minha formação. Deu no que deu, vejam que tristeza. Bom, não vamos lamentar, é tarde demais. O negócio é que um dos melhores colaboradores da revista era o Ed (que assinava com o horrível trocadilho Ed Lascar). Cheguei a pegar um autógrafo dele na Bienal do Livro de 1990, um autógrafo que é motivo de orgulho até hoje.
Pois muito bem: visitando comunidades do Orkut aqui e ali, acabei me deparando com o Ed perdido por lá. E desobri que o danado mantém um fotolog com seus desenhos. Ah, que alegria! Visitem, e vejam por que eu me tornei fã desse cara em tão tenra idade (eu, não ele, que é mais velho que o capeta).