Quando comecei a ler o blog do Alexandre Soares Silva, tornei-me logo fã do rapaz. Eu tenho essa tendência à tietagem, posso fazer nada. Mas um dia pensei: “Muito bem, muito bom, mas como será que esse sujeito se sai como romancista?”. Havia folheado um exemplar de seu A Coisa Não-Deus numa Siciliano em Curitiba. Fiquei entusiasmado com o primeiro parágrafo, mas acabei não comprando o livro por falta de dinheiro. Semanas depois, já cheio da grana, encomendei meu exemplar no site da Saraiva. Li numa sentada só e fiquei embasbacado com tudo: a prosa elegante, o senso de humor preciso, o cenário e os personagens tão bem imaginados, o ritmo exato. Ranheta que sou, porém, resolvi mandar um e-mail ao autor falando apenas do que não gostara no livro (uma frase, apenas). Uma petulância que Alexandre respondeu com a gentileza habitual.

DÁ LOGO PRA ELE!
SHHHH!

O negócio é que, tendo lido A Coisa Não-Deus, e sabendo que a Candide cuidaria do livro seguinte, fiquei ansioso pelo novo romance. A ansiedade foi quebrada no último dia 4, com o lançamento de Morte e Vida Celestina. Eu não havia gostado do título nem da capa quando os vi no blog. No Bar Balcão, passei a gostar da capa, mas o título continuou não me agradando muito. Tudo bobagem minha, provavelmente. Além do mais, título era o de menos: eu já conhecia a qualidade da prosa do autor, restava ver se resistia a mais essa prova.
Resistiu, e com louvor. Saí do Bar Balcão naquele dia, entrei no metrô e comecei a ler. Só fui dormir às três da manhã, depois de terminá-lo. Foi para mim o primeiro e principal mérito de Morte e Vida Celestina: fez com que eu me sentisse adolescente outra vez, voltando a um tempo em que eu cheguei a ler um livro por dia durante quase dois meses. Não parou por aí: o livro me devolveu o gosto de ler uma boa história policial, gênero que eu havia mais ou menos abandonado aos dezesseis anos, depois de ter lido tudo de Conan Doyle e Agatha Christie. Foi uma reconciliação e tanto. Outro prazer foi o de conhecer mais um pouco de Quaresmeiras Roxas, a cidade do Paraíso onde a história se passa, e de seus habitantes, anjos ou não.
E tem o Dundas. Ah, o Dundas… O danado seduz todo mundo em Quaresmeiras Roxas e, não contente com isso, tem a capacidade de jogar todo seu charme diretamente sobre o leitor, seduzindo-o também. Pilantrinha.
Eu gostaria de escrever mais sobre o livro, mas tenho preguiça. Leiam, oras. Escrever sobre livros é um trabalhinho de corno, o legal mesmo é lê-los. Alexandre Soares Silva já é um dos grandes nomes da literatura brasileira. Eu, se fosse ele, acrescentaria ao nome um Albuquerque Corrêa da Costa, passando a ser logo o maior de todos.

(A honestidade herdada de Seu Lindauro e Dona Ana me obriga a dizer que essa última piadinha não é minha: é do Sergio Augusto e está na orelha do livro O Day After do Carioca, de Carlos Eduardo Novaes)