No longínquo ano de 1982, a família toda estava de férias em Cidade Ocean (Ocian?), litoral sul de São Paulo. Não tendo muito o que fazer no fim da tarde, meu pai nos levou ao cinema. No primeiro dia, assistimos Lagoa Azul. No segundo, Loucos de Dar Nó (“Stir Crazy”), com Gene Wilder e Richard Pryor. O que mais impressionou minha cabecinha (hahahaha) de sete anos de idade foi a cena em que Pryor vai para a arena montar um touro bravo. O touro permanece quieto. Ele espiaça o bicho a não mais poder, e nada. Então alguém (não me lembro se era ou não o personagem do Gene Wilder) explica:
— Ele só fica bravo se você falar a palavra mágica.
— Palavra mágica? E qual é?
— Tente adivinhar…
— Hum… ABRACADABRA!
E o touro na dele.
— HOCUS-POCUS!
E o touro quieto.
— ABRE-TE SÉSAMO!
E o touro nem aí.
— Mas que merda…
O bicho saiu corcoveando, enquanto o outro ria:
— Taí! Descobriu a palavra mágica!
E ontem, por meio dos meandros absurdos que eu chamo de linha de pensamento, lembrei-me dessa cena ao ver você indo embora. Porque nessas ocasiões a sensação que eu tenho é de ter, mais uma vez, falhado em encontrar a palavra mágica, o abracadabra que fará o azul dos seus olhos brilhar na intensidade certa.
Puta que pariu, olha as associações que eu faço…