Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Esclarecimento

Lendo o Asimov’s Guide To The Bible, descobri que a palavra “chibolete”, que os gileaditas usavam para descobrir quem era de Efraim, significava “córrego”, “corrente de água”. E também aprendi que, em inglês, o termo shibboleth é usado para definir qualquer palavra que sirva para distinguir um grupo de pessoas de outro. A frase “Espera a pêra”, por exemplo, que o Jô Soares — achando que é engraçado — faz qualquer um que fale espanhol pronunciar (“Espêra pêra”), é um shibboleth.

Observação: Se vocês se dessem ao trabalho de ler os capítulos bíblicos, entenderiam este post. Caralho.

I’m going through changes

APARELHO!!!

Acabei de botar esse troço. Fiquei mais BONITO ainda…

Jefté e a tribo de Efraim

(Juízes 12)

No capítulo em que Gideão derrotou os midianitas, ficamos sabendo que os homens de Efraim eram os melhores guerreiros de Israel. Tudo muito bem, mas tinha um detalhezinho chato: eles gostavam de ver sangue e não admitiam de forma alguma serem deixados de fora de qualquer batalha. Jefté os convocou para a guerra quando os amonitas já estavam praticamente derrotados, o que os emputeceu deveras. O exército efraimita atravessou o Jordão e os líderes foram falar com Jefté:
— Porra, Jefté! Agora cê vem chamar a gente pra guerra? Tá doido? Isso não vai ficar assim! Vamos queimar sua casa com você dentro, filho da puta!
— Ei, peraí! Primeiro: sou filho da puta mesmo, e tenho muito orgulho da profissão de mamãe. Segundo: eu mandei um e-mail convocando vocês para a guerra. Não receberam não? Mandei o e-mail e fiquei esperando. Como vocês não vieram me ajudar, vim com os soldados que tinha e derrotei os amonitas, com ajuda de Javé. Sinto muito.
— MENTIROSO! NÓS VAMOS ACABAR COM A TUA RAÇA!
— Ei, não fiz nada contra vocês! Que negócio é esse?
— Vocês, gileaditas, vivem nas terras de Efraim e Manassés, e no entanto são uns traidores! Você é um desertor de Efraim!
Jefté não tinha metade do jogo de cintura de Gideão, então nem tentou uma solução diplomática:
— EU QUERO MAIS É QUE EFRAIM SE FODA! E AÍ? VÃO ENCARAR?
O clima ficou bem pesado, e a guerra foi declarada, Gileade contra Efraim. Como estratégia, os gileaditas tomaram todos os pontos de travessia do Jordão, para evitar que os efraimitas passassem. Então, sempre que alguém chegava por ali, a sentinela perguntava:
— É efraimita?
Se o cara respondesse “sou”, era morto na mesma hora. Se negasse ser efraimita, a sentinela fazia um teste:
— Fala “Chibolete”.
— Como???
— FALA “CHIBOLETE”, CARALHO!
Parece absurdo, mas na verdade era um jeito simples e eficaz de saber se o sujeito era efraimita ou não: devido ao sotaque de Efraim, qualquer um nascido naquela terra pronunciaria “Sibolete”. Algo como pedir a um carioca para falar “sinistro” (“sinishtro, aê!”) ou a um paulistano para dizer “evento” (“evêinto, meu!”). E o que aconteceu ali às margens do Jordão foi mesmo um evêinto sinishtro: 42 mil efraimitas mortos por causa de seu sotaque. Diabólico, não?
A vitória sobre Efraim foi o último feito digno de nota na vida de Jefté. Depois disso, ele governou Israel por seis anos, após os quais morreu e foi enterrado em Gileade.

Jefté foi sucedido por um certo Ibsã, da cidade de Belém (aquela). Ibsã tinha trinta filhas e trinta filhos, para os quais arrumou noivos e noivas de outras tribos. Governou Israel por sete anos. Depois que Ibsã morreu e foi enterrado em Belém, foi a vez de Elom tornar-se juiz. Ele governou por dez anos, e foi enterrado em Aijalom, na tribo de Zebulom, sua terra natal. Abdom, filho de Hilel, sucedeu a Elom, e seu governo (se é que podia se chamar assim) durou oito anos. Foi enterrado em Piratom, sua cidade de origem, na tribo de Efraim.
Três juizezinhos muito dos sem-vergonhas, que nada fizeram de notável. Em compensação, depois de Abdom (o inventor dos abdominais, rá!), vem o cara que fez algumas das coisas mais impressionantes de toda a Bíblia, um verdadeiro herói. Começaremos a falar dele no próximo capítulo.

Inagaki

No lançamento do livro Depois Que Acabou, de Daniela Abade, uma garota veio falar comigo:
— Marco Aurélio, você sabe se o Inagaki já chegou?
— Sei não. Não o conheço pessoalmente.
— Puxa… Eu fui falar com aquele japonês ali, perguntei se ele era o Inagaki, e o cara respondeu um “não” bem seco.
— Putz! Então é o Inagaki mesmo! Ele adora fazer essa brincadeira, tava me falando que sempre faz isso. Vai lá e fala pra que você sabe que ele é o Inagaki e que tá de sacanagem.
— Sério?
— Sério, o japonês é cheio de mumunhas.
— Legal, vou lá.
Bom, claro que o tal japonês era o fotógrafo contratado para o lançamento, e claro que eu me diverti bastante às custas da garota. O Inagaki chegou logo depois, com seu largo sorriso e nível zero de antipatia.
Digo isso porque fiquei muito feliz em conhecê-lo e trocar algumas palavras com ele naquele dia, e fico muito feliz agora em pedir a vocês que votem no Pensar Enlouquece. Pense Nisto. para o prêmio iBest Blog 2004.

Hã? Não, o JMC não estava participando do iBest Blog. Que idéia…
— CLARO QUE ESTAVA! EU VOTEI! VOCÊ ENCHEU O SACO PRA TODO MUNDO VOTAR! PERDEDOR! PERDEDOR! PERD… EI! Por favor, não atire! Não! NÃAAAAAAAAA……..
Aham… De volta à nossa programação normal.

BBBah!

Eu odeio o Big Bother Brasil. Não, nunca assisti. Assisti às duas primeiras versões da Casa dos Artistas, no SBT, confesso. Mas o BBB nunca me atraiu; devo ter assistido a uns dez minutos do primeiro, e foi o que bastou para pegar nojo.
Nem é por isso que eu odeio o programa, no entanto: o que me faz ter convulsões de raiva é saber que até o fim desse negócio eu vou me sentir ainda mais alienígena do que o costume. Porque todo mundo só fala disso, comenta que fulana mostrou os peitos, que beltrano agarrou sicrana, que a outra lá está fazendo intrigas na casa, que aquele um quase que sai na mão com aquele outro. E eu sem entender nada. Ô, merda…

21 gramas

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O filme é sobre morte, claro, mas também sobre redenção. Benicio Del Toro e Sean Penn (per brindare un en… AAARGH) estão magníficos. A estrutura não-linear, que me irritou no começo, acaba por justificar-se. Assistam.

Sergio Faria já falou sobre isso, mas é que aconteceu comigo também: cheguei na bilheteria do Bristol e pedi:
— Uma inteira pro Vinte e Um Gramas, por favor.
— Vinte e UMA Gramas? — me corrigiu grosseiramente a bilheteira.
Ignorância? Onde?