Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Ei!

O que vocês acham de um chat?
(Só até as cinco, ok?)

Os amonitas escravizam o povo de Israel

(Juízes 10:6-18)

Esse livro dos Juízes é claramente cíclico: o povo se afasta de Javé, aí vêm os inimigos e dominam Israel. Então os israelitas se arrependem dos seus pecados, Deus manda um líder para libertá-los, há paz por muitos anos. Tranqüilos, os israelitas voltam a adorar outros deuses, aí vêm os inimigos, dominam Israel, e assim por diante. Pois bem, depois da morte de Jair, os israelitas se empolgaram e começaram a adorar os deuses e deusas dos cananeus, da Síria, de Sidom, de Moabe, de Amom e dos filisteus, uma grande salada de divindades. Javé ficou com muita raiva, e castigou seu povo, mandando contra Israel os amonitas e filisteus. Durante dezoito anos eles escravizaram os israelitas que viviam em Gileade, na margem leste do Jordão. Além disso, os amonitas atravessaram o Jordão e começaram a lutar contra as tribos de Judá, Benjamim e Efraim.
Desesperados com a situação, os israelitas pediram a Deus que os libertasse:
— Ô, Javé! A gente sabe que fez cagada com esse negócio de adorar outros deuses e tal. Mas precisava tanto? Os amonitas estão pegando pesado. Vem ajudar a gente, Javé!
E Javé, deixando o orgulho um pouco de lado, dignou-se a responder:
— Tá ruim aí, é?
— Tá!
— Tá insuportável, é?
— Insuportável, Javé! Insuportável!
— Puxa… Das outras vezes eu ajudei vocês, não foi?
— Foi mesmo, Javé!
— Pois é… E mesmo assim vocês me abandonaram, não foi?
Foi…
— Ei, pra que tanto desânimo? Vocês não querem ajuda? Pois terão ajuda!
— EBA!!!
— Sim, sim!
— E como é que você vai ajudar a gente, Javé?
— Eeeeeeeu??? Eu não vou ajudar ninguém, tão loucos? Vocês têm tantos deuses, peçam ajuda a eles, oras. Se são tão melhores que eu, a ponto de vocês me trocarem por eles, devem ajudá-los com mais eficiência.
— Mas… Mas o Senhor vai abandonar seu povo?
— Er… Deixa eu pensar… Sim! Vou abandonar o meu povo e tirar umas férias! Tchau, boa sorte com seus deuses.
Não fode, Javé! Tudo bem, só fazemos merda, mas nos ajude só dessa vez!
Então os israelitas destruíram todos os seus ídolos e voltaram a adorar apenas a Javé. Este, por sua vez, resolveu pensar melhor e talvez conceder uma nova chance ao seu povo.
Enquanto isso, o exército amonita acampava em Mispa. O povo de Israel, tendo voltado para Javé, sentia-se seguro para começar a combater o opressor. Então os chefes de Gileade combinaram que o homem que comandasse os israelitas na luta contra os amonitas governaria a região. E é aí que surge um grande filho da puta, do qual falaremos no próximo capítulo.

Aérea, pois não!

A sanguessuga tem duas filhas, e as duas se chamam: Me dá! Me dá!
(Provérbios 30:15a)

Ah, que coisa repugnante é a esperança! Fala-se dela com grande entusiasmo por aí, e até o apóstolo Paulo, sempre tão ponderado, escorregou ao incluí-la entre as virtudes teologais, colocando-a ao lado da fé e do amor, tão nobres e necessários. Porque o que é a esperança senão uma sanguessuga de elasticidade ímpar, que começa pequenininha aqui dentro e acaba ocupando todo o espaço disponível? Para crescer, ela suga a fé, o amor e todo o resto, para que só ela permaneça. E nós, achando talvez que nos beneficiamos disso, servimos a ela fatias de mente, porções de coração (grelhadinho na manteiga, nham!), nacos de alma.
Então, quando já se alimentou de tudo o que havia, ela vai embora. Pffff, acabou. “A esperança é a última que morre”, dizem aqueles que gostam de adágios. E é verdade, porque quando (e se) ela morre é porque já matou todo o resto (“Por que o que a gente procura está sempre no último lugar em que a gente olha?”, “Porque depois de achar você não continua procurando”).
Esse parasita vai embora, gordo como um porco, e nos deixa ocos, desmoronados, implodidos. Sobrevivemos, porém. E prometemos que jamais incorreremos no mesmo erro, que nunca mais alimentaremos outra sanguessuga. Até o dia em que ela volta, pequenininha de novo, desamparada, olhar de cão. E lá vamos nós, as bestas, alimentá-la novamente.