Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Bom Dia, Tristeza

Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você

Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui nessa mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar

(Adoniran Barbosa / Vinicius de Moraes)

Curitiba

The wrong girl
The wrong kind
The wrong hand to be holding
The wrong eyes to go searching behind
The wrong dream to have on my mind

(Belle & Sebastian)

Curitiba tem todos os aspectos positivos que uma cidade quer ter: é capital ecológica – cartazes na saída do aeroporto informam que há 55m2 de verde para cada habitante (o que deve dar um trabalho danado, pensando bem) –, o sistema de transportes é modelo para o mundo todo, as ruas são limpas e iluminadas, as pessoas exibem o ar altivo dos bem alimentados. Há cultura para todos os gostos, boas escolas e universidades, triunfos arquitetônicos. Tudo por aqui, como bem notou Paula Foschia, é O Maior da América Latina, e o povo se orgulha disso.
E, no entanto, fui tomado por ondas de ódio insano por este lugar. Quero fretar aviões cargueiros em Cumbica, enchê-los com todo o lixo de minha cidade triste para depois despejá-lo sobre as cabeças atônitas dos habitantes desta cidade feliz. Quero sair por aí de motosserra nas mãos, derrubando suas árvores com um sorriso sereno no rosto; quero asfaltar seus gramados. Quero depredar seus tubos e ônibus, e espancar os passageiros; quero metralhar seus táxis cor-de-abóbora com seus taxistas engraçadinhos. Lançar ácido sulfúrico no rosto de suas lindas mulheres, e assistir com deleite suas feições dissolvendo-se, e depois atear fogo às suas roupas caras. Implodir seus teatros, museus, prédios comerciais e shopping centers. Trazer meu sósia Fernandinho Beira-Mar e seus asseclas para cá, e deixar que eles instalem aqui o seu reinado. Ir até sua prefeitura e crucificar de cabeça pra baixo o prefeito japonês.
Porque hoje, em Curitiba, a velha tristeza finalmente deixou cair seu véu, olhando fundo dentro dos meus olhos escuros e sem brilho.