Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em January de 2004

Ei…

Calma, pessoal. Fui demitido, mas saí da empresa numa boa. Vou continuar prestando serviços, estou negociando o contrato. Não se apoquentem, portanto. Muito obrigado pelas demonstrações de preocupação, vocês são uns amores. Então:


CHAT DO DESEMPREGADO

Ei!

FUI DEMITIDO!

\O/

Lost in Translation e Daniela

Fui assistir ao filme Encontros e Desencontros (“Lost in Translation“) há uma semana, e só agora me resolvi a escrever sobre ele. Motivo: o Jairo, meu cunhado, ficou entusiasmadíssimo com o filme, e não me deixou em paz enquanto não assisti. O problema é nosso gosto para filmes poucas vezes coincide: ele odeia Amèlie Poulain e acha Magnolia apenas bom, enquanto eu não alimento a mesma paixão que ele por Great Expectations. Dos filmes em cartaz, meu preferido até agora foi 21 Gramas, que ele achou fraco.
Enfim, fui assistir ao filme acreditando que seria melhor do que 21 Gramas. Não é. Mas é bom, muito bom. Há um excesso de longas tomadas que servem apenas para mostrar o quanto o Japão é diferente. Imagino que a diretora tenha pretendido criar uma atmosfera com isso; não funciona. De resto, é engraçado (em algumas cenas Bill Murray faz rir mais do que em toda sua carreira), é bonito, é delicado. E o que mais me atraiu foi o fato de tratar-se de uma comédia romântica sem romance: o filme, na verdade, é sobre a amizade entre um homem e uma mulher. Saí do cinema pensando nas minhas amigas: pensei em Mariana, pensei em Fernanda. E pensei em Daniela, claro.
Somos amigos há oito anos, e nesse tempo tornamo-nos irmãos. Em todos os momentos estamos presentes um na vida do outro. Em determinadas situações, eu penso “O que a Loira diria agora?”, ou ela pensa “O que o Marco faria?”. Sim, nossos parâmetros são bem fracos. Não importa: somos irmãos.
Ainda na Paulista, liguei para saber como ela estava (mesmo sendo dia de fechamento da revista, e correndo o risco de ser xingado). E ela nem sabia que era por causa do filme. Bom, agora sabe.

daniela_marco_chapeus.jpg

Aos imbecis que não acreditam em amizade de verdade entre homem e mulher, recomendo que assistam Lost In Translation.

O levita e sua concubina — Uma tragédia

(Juízes 19)

Terminada a história de Mica, com o episódio lá com os danitas, o livro dos Juízes muda de assunto mais uma vez, passando para uma história que não guarda relação alguma com a anterior, a não ser pela presença de um levita que viaja entre a região montanhosa de Efraim e a cidade de Belém, em Judá.
O levita dessa história morava em Efraim, e arrumou uma concubina lá de Belém. Acontece, porém, que a mulher botou-lhe um reluzente par de chifres na testa, os dois brigaram e ela voltou para a casa da mamãe. Quatro meses depois, já recuperado do golpe (eram chifres de leite, caíram logo), ele mandou que um empregado preparasse dois jumentos e pegou a estrada para Belém, disposto a convencer a amante a voltar para casa. Quando chegou, o pai da moça ficou muito feliz em vê-lo.
— Rapaz, mas que surpresa! Que bom que você veio!
— Hum. Estou muito feliz de ver o senhor também…
— Sim, sim, que maravilha! Veio buscar minha filha, foi?
— Sim senhor.
— Que bom, rapaz, que ótimo! Ainda bem que você não se deixa abalar por pouca coisa.
— Pois é!
— Tem gente que não consegue suportar traição de jeito nenhum.
— Hum… É.
— Mas você não! Você levou um belo par de chifres e nem ligou!
— Bom, não é bem as…
— NEM LIGOU! Corno ou não, deixou que o coração falasse mais alto.
— É que sua fi…
— Que coisa mais bonita de se ver, um chifrudo apaixonado! É de encher os olhos de lágrimas!
— Olha, eu acho que o senhor não…
— Tá certo, rapaz, certíssimo! Esse negócio de chifre é só uma coisa que botam na sua cabeça…
— AH, NÃO! EU POSSO SUPORTAR TUDO, MENOS PIADA VELHA! CADÊ MINHA MULHER? VIM BUSCÁ-LA, VAMOS EMBORA AGORA MESMO.
— Calma, rapaz, calma. Nunca vi você nervoso assim, foi sempre tão manso…
— EI!
— Hehehehe. Brincadeira, pô. Cadê seu senso de humor? A verdade é que estou muito feliz em revê-lo. E não vou deixar que vá embora não: durma aqui pelo menos uns dois dias.
O levita, acalmando-se aos poucos, aceitou a oferta do sogro. O casal reconciliou-se, e ele ficou lá por três dias. Ao quarto dia, os dois levantaram-se prontos para a viagem, mas o pai da moça não aceitou:
— Que é isso, rapaz? Agora vocês vão lá para Efraim, e quando é que eu vou ver minha filha de novo? Só se ela pular a cerca de n… Er… Então. Mas não tenha pressa! Fique aí, coma alguma coisa pelo menos, para não viajar com fome.
Eles ficaram, comeram, beberam, conversaram, contaram causos e, quando preparavam-se para partir, notaram que já começava a anoitecer.
— Mas de jeito nenhum que eu vou deixar vocês viajarem à noite! Vão dormir aqui, amanhã vocês vão.
— Agradeço muito a sua hospitalidade, mas precisamos mesmo ir.
— E atravessar o deserto à noite? Não, muito perigoso. Fiquem aí.
— Hum… Tá bom, vai.
O casal dormiu mais uma noite ali, e no dia seguinte prepararam-se (de novo) para a viagem. O velho ainda tentou detê-los por mais tempo, mas dessa vez o levita foi firme. Saíram, então, e andaram até o fim da tarde. Quase anoitecia quando chegaram à cidade de Jebus, futura Jerusalém, e o empregado sugeriu:
— Chefe, acho que a gente podia passar a noite ali na cidade.
— Ah, não sei… Ficar hospedado aí com os jebuseus, não confio nessa gente. Vamos andar mais um pouco, aí dormiremos em Gibeá ou Ramá, que pelo menos são habitadas por israelitas.
Então eles passaram direto por Jebus, e chegaram a Gibeá quando já era noite. Entraram na cidade e sentaram-se na praça. Depois de horas ali, sem que ninguém sequer lhes dirigisse a palavra, um velho que voltava do trabalho na roça foi falar com o levita.
— De onde você vem, rapaz?
— Da cidade de Belém, em Judá. Fui buscar minha mulher lá, e agora estou voltando para minha casa, em Efraim.
— Hum… Que lugar de Efraim?
— Ali nas montanhas.
— Pô, você é meu conterrâneo! Seguinte: vocês vão ficar lá em casa.
— Não precisa não, senhor! Temos comida e água aqui, e palha para os jumentos. Estamos bem, sério mesmo.
— E eu lá vou deixar um efraimita dormir na praça pensando neeeeeeeela? De jeito nenhum! Você, sua mulher e seu empregado serão meus hóspedes.
— Bom, já que o senhor faz tanta questão…
— É isso aí!
Os três acompanharam o velho até sua casa. Depois de darem comida aos jumentos, entraram, lavaram-se, comeram e beberam bastante. Estavam conversando e rindo alto quando ouviram batidas na porta.
— VOVÔ-Ô! VOVOZI-NHÔ! CADÊ O MOÇO QUE ESTAVA COM VOCÊEEE?
— Ih caralho…
— Quem está batendo à porta?
— Essa bicharada dos infernos. São uma praga aqui em Gibeá. VÃO EMBORA, MONAS! O MOÇO É MEU, SÓ ME-EU!
— Ei, peraí…
— Nah, é só pra assustar.
— BICHA VELHAAAAAAA! SE VOCÊ NÃO TROUXER O MOÇO AQUI, A GENTE ARROMBA A PORTA!
— VÃO ARROMBAR SEUS CUS, FILHOS-DA-PUTA!
— MAIS???
— Ah, que saco… EU TENHO UMA FILHA VIRGEM, E O MOÇO AQUI ESTÁ COM A AMANTE DELE! VOU MANDAR AS DUAS PARA VOCÊS SE DIVERTIREM, MAS DEIXEM MEU HÓSPEDE EM PAZ!
— AI, CREDO! TEM CORAGEM DE OFERECER RACHA PRA GENTE???
As bichas começaram a se revoltar. O levita, cagando de medo, jogou sua concubina pra fora, trancando a porta em seguida dentro da casa. Os rapazes, vendo que não conseguiriam nada melhor que aquilo mesmo, deram de ombros e abusaram da moça a noite toda, deixando-a em paz só quando o dia amanheceu. Ela veio se arrastando e ficou caída na entrada da casa. Quando o levita acordou — devia ter passado a noite com o veado velho —, viu-a ali prostrada e, numa demonstração de amor impressionante, disse:
— Ô. Levanta.
A mulher, porém, não respondeu: estava morta. Ele então pegou o corpo, ajeitou-o sobre um dos jumentos e seguiu sua viagem carregando a defunta. Quando chegou em casa, pegou uma faca e cortou o corpo da mulher em doze pedaços. Depois disso, enviou os pedaços para cada uma das doze tribos. O fato escandalizou o país, e em todo canto havia só um assunto: o levita que enlouquecido pela morte da mulher que amava, e pela qual empreendera uma longa e perigosa viagem. A história não era bem assim, como vimos, mas essa foi a versão que pegou. Um clima de vingança e ódio contra os habitantes de Gibeá começou a tomar conta de Israel. O que aconteceu? Veremos nos próximos capítulos.

Quem acompanha isto aqui desde os primórdios (e quem conhece um pouco de Bíblia também, claro) deve ter notado a semelhança dessa história com aquilo que aconteceu na casa de Lot, em Sodoma (aqui). Só que naquela ocasião os hóspedes eram anjos, e livraram-se mais facilmente.

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…

(Vinicius de Moraes)

Jesus, me chicoteia! — sua fonte constante de poemas óbvios.

Logo

Bom, mudei o logo ali em cima. O outro era muito alto, ocupava quase a tela toda num monitor em resolução 800 X 600. Além do mais, aquela fonte era muito imatura, coloquei uma mais sóbria e adulta. Depois eu mudo o resto. Ou não, sei lá.

Bah, gosto da minha fonte imatura

Bah, ficou uma merda. Admito.

Louvemos

Quando O Carnaval Chegar

Quem me vê sempre parado, distante
Garante que eu não sei sambar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando
E não posso falar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo
Molhado de maracujá
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando
Que eu vou aturar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar

(Chico Buarque)


Todo Carnaval Tem Seu Fim

Todo dia um ninguém josé acorda já deitado
Todo dia ainda de pé o zé dorme acordado
Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia
Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado
Mas o dia insiste em nascer
Mas o dia insiste em nascer
Pra ver deitar o novo…

Toda rosa é rosa por que assim ela é chamada
Toda Bossa é nova e você não liga se é usada
Todo o carnaval tem seu fim
Todo o carnaval tem seu fim
É o fim, é o fim

Deixa eu brincar de ser feliz
Deixa eu pintar o meu nariz

Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul
Pra que mudar?

Deixa eu brincar de ser feliz,
Deixa eu pintar o meu nariz

(Marcelo Camelo)

Falta do que fazer

Vendo deus todo feliz por ter chegado ao milésimo post, resolvi ver por aqui quanto faltava para eu chegar a essa marca. E eis que me surpreendi:


VOCÊS ESTÃO LENDO O 3522º POST DO JESUS, ME CHICOTEIA!

Eu preciso começar a viver, puta que pariu…

Jabaculê sem-vergonha

Divina inspiração

Cês tão acompanhando os comentários de deus sobre as fotos da festa do ano passado? NÃO??? Tão vacilando… Vão lá AGORA.

(o título deste post parece nome de grupo de pagode, né não?)
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