Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2003

Mais Profetas

Dois novos links ali do lado: ChickenDog e Na minha humilde opinião… O primeiro já era pra estar nos Profetas há décadas, mas o Sr. Paulo Vivan às vezes passa tanto tempo sem postar que a gente pensa que ele vai desistir. Mas ele sempre volta, e sempre se supera. O segundo é o blog do cara que mencionei no post anterior. O Rafael sempre comenta por aqui e eu nunca tinha ido até o blog dele. Sim, sou um relapso. Resolvi começar a ler por esses dias e já viciei.
Divirtam-se.

Situação

Alguém escreve um texto genial. Você lê, fica embasbacado e, como boa pessoas desprovida de inveja e outros sentimentos baixos, elogia. O autor, em vez de agradecer, pergunta o quanto de ironia contém seu elogio. Agora me digam: uma cara que dá uma dessas é ou não é uma biba muito da safada e chupeteira? Pois então! Leiam o último post do Sr. Rafael Batata e digam se não é indiscutivelmente genial. Se concordarem, por favor, mandem o puto tomar no cu.

(Se bem que eu já desconfiava da baitolagem desse rapaz. Aquele link pra cá, “Jesus, me chicoteia! (com paixão e fúria)” deixa entrever uma certa tendência ao cultivo da perobagem)

A divisão das tribos – o capítulo mais sucinto da história do JMC

(Josué 15, 16, 17, 18 e 19)

Feito o sorteio, a divisão das tribos ficou assim:

divisaodastribos.jpg

Ah, e Calebe expulsou os anaquins de Hebrom e se mudou pra lá.
Pronto.

Terraço Itália

Ontem teve festa de fim de ano da empresa em que trabalho. Aquela presepada de sempre, mas com uma vantagem: foi um jantar no Terraço Itália, o restaurante cujo prato principal é a vista.
— A prazo não tem?
Asifudê.
O Regis, consultor aqui da empresa, tirou essa foto magnífica:

vista_terracoitalia.JPG
Clique para ampliar, dá um belo wallpaper

Puta que pariu, como eu amo esta cidade.

Duas considerações sem nenhuma relação entre si

- Ontem eu descobri que faço o C ao contrário quando danço YMCA. Estou triste.
- Sabe o que eu acho sexy, sexy mesmo? Aquelas meninas de roupinha de Mamãe Noel nos shopping centers. Hmmm, come to daddy

Salve o Tricolor Paulista

Ah, esse meu time só me dá alegrias!
— O São Paulo perdeu pro River, seu burro.
É. MAS TEVE BRIGA!


Luís Fabiano incorpora o espírito de Savamu

O presente de Calebe

Essa onda que tu tira, Calebe
Essa marra que tu tem, Calebe
Tira onda com ninguém, Calebe
Calebe, neguinho, Calebe…

Tá, parei.

(Josué 14)

Josué e Eleazar (sumo-sacerdote, filho do velho Arão, estão lembrados?) estavam preparados para o sorteio dos territórios de cada uma das doze tribos. Só lembrando: a tribo de Levi não receberia terras, uma vez que os levitas eram dedicados ao serviço de Javé. Para compensar, a tribo de José foi dividida entre os descendentes de seus dois filhos: Efraim e Manassés. Mas eu dizia que Josué e Eleazar aprontavam-se para o sorteio — começando pela tribo de Judá, sempre privilegiada — quando chegou Calebe:
— Diz aê, Josué.
— Opa, Calebe. Tudo bem com você?
— Beleza. Queria falar uma parada com você…
— Pode falar, rapaz. Somos amigos há tanto tempo, pra que cerimônia?
— É verdade… Então, você lembra de quando viemos espionar esta terra enviados pelo velho Moisés?
— Claro que lembro, como é que eu ia esquecer um negócio desse?
— Pois então. Foi muito foda aquilo. Fomos para a região montanhosa, terra dos anaquins, e os outros se cagaram de medo: que aquilo era um inferno, que os gigantes iam nos esmagar, que perto deles parecíamos uns gafanhotos e blablablá. Bando de cuzão. E nós dois lá batendo o pé: “Queisso, Seu Moisés, a gente pode muito bem vencer os caras”. Lembra, lembra?
— Opa! Como a gente era abusado, não? Os outros eram mais velhos e a gente discutindo com eles, quase partindo pra cima.
— É! Hahahaha, muito bom! O Moisés ficou tão impressionado que me prometeu que eu teria terras aqui em Canaã. Agora você veja: eu tinha quarenta anos na época, hoje tenho oitenta e cinco. No entanto estou aqui, firme e lúcido, e ainda com força para combater na guerra, como tenho demonstrado. Então eu queria te pedir um negócio…
— Pode falar, Calebe! Tá enrolando demais. Somos amigos ou não somos? Oras!
— Então… Eu queria essas terras aí da região montanhosa. Em troca, assumo o compromisso de expulsar de suas cidades os anaquins.
— Hum. Muito bem, é justo. Eleazar, anota aí! A região montanhosa passa a pertencer ao Calebe aqui a partir de hoje. Anotou? Beleza. Pronto, Calebe. A terra é sua.
— Você é um bom amigo, Josué. Muito, muito obrigado.
— Tá, tá. Agora tem jeito de me deixar fazer o sorteio das terras, porra?
— Er… Claro.
E saiu dali todo feliz, já fazendo planos para expulsar os anaquins de Quiriate-Arba (Cidade de Arba. Arba havia sido o maior de todos os anaquins), que depois teria seu nome mudado para Hebrom (do hebraico aliança, trato)

Felicidade recém-nascida

A felicidade recém-nascida, assim como qualquer bichinho no mesmo estado, precisa de muito cuidado e atenção. Porque, vejam, ela nasce com ossinhos frágeis e é toda destrambelhada, anda tropeçando, um inferno. Então convém guardá-la bem, evitar a exposição, que é pra ela durar bastante. Muita gente é feliz por pouco tempo porque não consegue seguir essa regra básica; é feliz porém descuidado de sua felicidadezinha. Aí alguém pisa nela, ou a deixa cair no chão, ou então ela mesma — danada! — pisa no skate no topo de escada e aí babau. Eu mesmo já cometi esse erro algumas vezes. Agora não: ela fica aqui comigo até estar forte o suficiente para poder sair na rua. E não adianta vocês insistirem.

A Coisa Não-Deus

Aliás, essa técnica de escolher livros pelo primeiro parágrafo é tão boa quanto qualquer outra. Quando li, por exemplo,

O Paraíso não é um estado de espírito. É um lugar. Se você der dois passos pra fora, está fora; se der dois passos pra dentro, está dentro. Uma vez lá dentro, você pode pisar à vontade na grama, dar cambalhotas, pode até se machucar dando cambalhotas, porque o chão não é de ectoplasma, não é de nenhuma espécie mística de fog, não é de gelatina amorfa; é matéria, pura e sólida e dura matéria. Mesmo os Anjos são matéria. Se você perguntar a eles se acreditam em algo que não seja matéria, eles vão rir da sua cara. Logo, eles não só são matéria, como são materialistas; e não só são materialistas, como são ateus.

eu soube imediatamente que A Coisa Não-Deus, de Alexandre Soares Silva, merecia ser lido. Não sabia ainda se era bom ou ruim, mas o comecinho dava vontade de ler o resto, e é isso que se espera de um primeiro parágrafo. Acabou que li o livro todo em um dia e ele pulou imediatamente pra minha lista de livros queridos. É original, leve, despretensioso, inteligente, engraçado; tudo o que o primeiro parágrafo já deixava entrever.
Quando terminei de ler A Coisa Não-Deus, pensei em classificar Alexandre Soares Silva como um Lovecraft do bem. Bobagem: um Lovecraft do bem já existe, e se chama Monteiro Lobato. O livro parece algo escrito pelo Monteiro Lobato com pinceladas de C.S. Lewis e Conan Doyle (influências reconhecidas do Alexandre).
Então o que vocês estão esperando? Eu é que não vou falar mais sobre o livro, estragaria tudo. Leiam! Comprem:

Criticando com os colhões

Fim de tarde de sexta-feira. Daniela Abade me telefona. Está agitada. Claro, ela sempre está agitada. Mas dessa vez é outra a agitação:
— Marco, eu estou indignada e quero dividir minha indignação com você.
— Espero que você mantenha essa filosofia quando estiver rica… — não, eu não disse isso, na verdade só pensei nisso agora, merda. O que eu disse mesmo foi: — Hum?
— O Marcelo Mirisola escreveu um artigo descendo o pau no Budapeste.
— Marcelo quem???
— Mirisola.
— Ah…
Lembrei-me do sujeito. Havia lido uma crítica do Polzonoff ao livro dele e pensado “Não é possível, o Paulo pegou pesado com o cara, sacanagem”. No mesmo dia estava na Siciliano da Barão de Itapetininga e vi um livro dele na prateleira. Alguma coisa sobre um filho morto, sei lá. Li um parágrafo e senti imediatamente a vontade de comprar todos os exemplares de todos os livros do Marcelo Mirisola que a Siciliano tivesse em estoque. Para queimar tudo na Praça da República, é claro. O cara é ruim, só isso. Sabe aquilo que Paula Foschia chama muito apropriadamente de vergonha alheia? Aquele constrangimento de se colocar no lugar de alguém que está numa situação muito embaraçosa? Pois então, foi uma das coisas que senti ao ler a prosa (!!!) do Mirisola. Mas o que eu mais senti mesmo foi raiva: raiva de alguém publicar aquilo, de outro alguém vender, de outro comprar, ler e gostar, de outro fazer uma crítica favorável (sempre um crítico que escreve com o cu, para combinar com a escrita culhonística de Mirisola).
Queria falar tudo isso para aplacar a ira assassina de minha amiga Daniela, mas achei melhor apenas chamar sua atenção para a diferença entre Marcelo Mirisola e Chico Buarque, uma diferença que se nota seja qual for o parâmetro de comparação escolhido: qualidade literária, importância histórica, caráter, beleza (o Mirisola é muito feio!). Marcelo Mirisola. Chico Buarque.


marcelo mirisola

FRANCISCO BUARQUE DE HOLLANDA

É isso. Não dá pra levar a sério o tal artigo, que tem por título um trocadilho que parece ter sido feito por um piá de doze anos©, e do qual o autor usa um terço para falar de si mesmo, talvez em busca das credenciais que não tem. E ainda acha que “benfazeja” é substantivo! Leiam, leiam. Nota-se que o autor se joga no chão, chora e esperneia: queria ser o Chico Buarque mas — desgraça! — é só o Marcelo Mirisola. Assim é a vida: uns nascem para ser olhos ardósia, outros nunca passam de remela.

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