Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2003

O primeiro discurso de Moisés

(Deuteronômio 1:1 até 4:43)

Chega de enrolação, vamos ao Deuteronômio.
O livro começa situando-se no tempo (40 anos depois da saída do Egito) e no espaço (o vale do rio Jordão). Antes da entrada do povo em Canaã, Moisés resolveu fazer uma série de discursos relembrando a eles tudo o que acontecera nesses quarenta anos, assim como as leis e rituais que deveriam seguir. Reuniu o povo e começou:
— P-povo de I-Israel, o-ouçam o que s-seu l-líder tem a d-dizer! Há q-quarenta a-anos, q-quando e-estávamos no pé do m-monte Si-Sinai, um dia Ja-Javé a-acordou p-puto. “Cês j-já tão há t-tempo d-demais a-aqui, p-porra! M-metam o pé na e-estrada a-antes que eu a-acabe com a ra-raça de vo-vocês, c-caralho!”, e a-assim p-por di-diante, c-como é o je-jeito d-dele. E-então c-começamos n-nossa jo-jornada q-que a-agora está q-quase no fi-final. C-Canaã fi-fica logo a-ali, só o r-rio nos s-separa da T-Terra P-Prometida. Mas a-antes de e-entrarmos lá, q-queria c-contar co-como foi n-nosso ca-caminho a-até aqui…
E Moisés falou. E falou. E depois falou mais um pouco: falou dos ajudantes que escolheu, dos espiões mandados para Canaã (cuja covardia irritou Javé a ponto de condenar os israelitas a 40 anos de caminhada pelo deserto), da necessidade que tiveram de contornar Edom quando o rei daquele país não permitiu sua passagem, da guerra contra o rei Seom pelas mesmas razões, da derrota de Ogue, rei de Basã, das tribos que ficariam a leste do Jordão.
— E-então n-nessa ocasião, d-depois da d-derrota de S-Seom e O-Ogue, eu p-pedi a Ja-Javé n-novamente que re-revisse sua d-decisão de não me d-deixar a-atravessar o J-Jordão. M-mas não a-adiantou n-nada: o fi-filho da p-puta c-continuou di-dizendo que e-eu m-morreria no a-alto do m-monte N-Nebo, t-também c-conhecido como P-Pisga. E-então f-foda-se. V-vou m-morrer, t-tudo b-bem, m-mas a-antes v-vou fa-fazer meus di-discursos…
E Moisés continuou seu pronunciamento exortando o povo à obediência das leis e avisando contra a adoração de ídolos.
Agora vocês imaginem o tempo que Moisés, velho e gago, levou para fazer um discurso que já era longo. Lá pelo meio do pronunciamento já tinha nego alugando banquinhos para os israelitas cansados e vendendo cerveja no meio do povo. E tome-lhe falatório.
Terminado este primeiro discurso, Moisés escolheu as cidades para fugitivos a leste do Jordão: Bezer na tribo de Rúben, Ramote em Gade e Golã na Manassés Oriental. Mas isso foi só uma pausa: escolhidas as cidades, Moisés começaria seu segundo discurso, mais longo e detalhado que o primeiro.

Outros blogs

Todo mundo pergunta sobre os três blogs da barra ali de cima. Então deixa eu dar uma geral:

- Balde de Gelo: eu e Daniela estamos trabalhando nos bastidores. Tenham paciência, vale a pena.
- Chicote Verbal: acho que perdi o personagem. Não consigo mais me botar no lugar do músico melancólico; qualquer coisa que eu tento escrever soa artificial (mais ainda)
- Emotionrélio: perdi a senha de e-mail daquela porra. Ou seja, não estou recebendo os pedidos de caretas. Ah, e também não tô no clima de fazer palhaçada.

UPDATE
Pra piorar, acabo de descobrir que não consigo fazer meu logon no Blogger. Parece que algum filho de uma puta roubou minha senha. Quando eu tento recuperá-la e boto meu nome de usuário lá, a danada é enviada para tcarrinho@hotmail.com. Para o Balde de Gelo eu tenho meu usuário de backup, e tem o usuário da Daniela também. Quanto aos outros dois, porém, creio que foram pro saco de vez. Espero que o desgraçado que pegou minha senha se divirta bastante.

Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante

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Estarei lá, é claro. Senão a autora me corta o saco.

Instinto

Não é costume dos moradores de São Paulo observar a natureza. Primeiro porque não restou muita natureza para ser observada nesta cidade, e depois porque são todos muito ocupados e apressados. Eu, no entanto, aprendi com meu pai a manter os olhos abertos para as manifestações naturais e nunca me arrependi disso.
É quase primavera, as flores começam a surgir, as plantas vão fazer seu sexo anual (quem me dera trepar com tanta freqüência!). Agora mesmo, se você olhar entre os ramos das árvores, verá passarinhos começando a construção de seus ninhos. Daqui a um tempo veremos os rituais de acasalamento: os pombos de peito inflado tentando impressionar pombas exigentes, os bem-te-vis cantando suas serenatas com voz esganiçada, os lagartixos dançando break, os ornitorrincos tocando castanholas de saia rodada.
Porém, o que mais me impressiona quando a primavera vem chegando é o comportamento dos humanos. Todos parecem mais sentimentais, mais propensos ao flerte, ao jogo amoroso, aos seus próprios rituais do acasalamento. Não é ainda aquela coisa escancarada do verão, todo mundo pelado e vamos trepar logo que daqui a pouco chega o outono e a broxada é geral. Não: é algo mais tranqüilo e calculado. Alea jacta est, e por enquanto jogamos pôquer: consideramos cada jogada, mantemos a fisionomia impassível. E blefamos, muito. No verão começa o truco, a gritaria, vale tudo, vale roubar, vale gritar “SEIS, MARRECO!” na orelha dos outros jogadores. Mas não agora: estamos jogando pôquer e ninguém sai. Ninguém sai!
Comecei a reparar nisso porque de uns tempos pra cá não se passa um dia sem que eu ouça histórias do tipo “Um ex-namorado que eu não via há anos me ligou ontem. Sei lá onde arrumou meu telefone!”, ou “Lembra aquela mina maluca do ano passado? Então, me mandou um e-mail. Assim, do nada!”. Posso estar errado (geralmente estou), mas acho que nós somos muito mais controlados pelo instinto e pela influência das estações do que gostaríamos de admitir.

Deuteronômio – Introdução

O nome do quinto livro da Bíblia, e último do Pentateuco, deriva de duas palavras gregas: deuteros (“segundo”) e nomos (“lei”). Isso quer dizer que teremos mais leis? Não exatamente: teremos as mesmas leis vistas pela segunda vez. O Deuteronômio trata da compilação de uma série de discursos proferidos por Moisés às margens do Rio Jordão.
Está aí o truque do velho profeta para prolongar sua vida: resolveu reunir todo o povo e recontar tudo o que acontecera desde a saída do Sinai até aquele momento em que se preparavam para a tomada de Canaã. Além disso, não nos esqueçamos, ele ainda tinha seus cinco livros para escrever (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e o próprio Deuteronômio). Malandro demais esse Moisés…
O Deuteronômio assume grande importância em toda a Bíblia. No começo do reinado de Josias (800 anos depois da morte de Moisés), um pergaminho do Deuteronômio será convenientemente encontrado entre as ruínas do Templo de Jerusalém, dando ânimo ao povo para a obra da reconstrução. Acredita-se hoje que este livro, assim como todas aquelas histórias heróicas do Velho Testamento, tenha sido escrito nessa época como material de propaganda e motivação, utilizando como base escritos mais antigos e velhas lendas orais.
Séculos depois (1.300 anos depois de Moisés, na verdade), quando tentado pelo demônio, é a citações do Deuteronômio que Jesus Cristo vai recorrer para derrotar seu adversário.
Devido a seu caráter repetitivo, creio que minha releitura desse livro será rápida e indolor para vocês. Não sou doido de ficar repetindo todas aquelas leis e rituais. Vamos ver como me saio. Sentem-se, acomodem-se. Vamos ouvir o que Moisés tem a dizer.

PORRA!

Eu sou burro demais. Com essa veadagem toda de tristeza e não sei mais o quê, acabei me esquecendo de um negócio legal pra caralho: conheci o Preacher fim-de-semana retrasado. O cara é muito sangue bom, conta altas histórias engraçadas e é um excelente anfitrião. Desculpa aí, cara, se acabo com sua fama de mau.
Quanto aos imbecis que vivem se babando à espera de alguma briga entre eu e ele, podem ir tomar no cu com areia.

Mais um! Mais um!

Sim, meus caros: concluí o quarto livro da Bíblia. E depois de lamberem minhas bolas e dizerem o quanto eu sou genial, vocês podem baixar a versão em formato PDF. Ficou maior que os outros três por causa do grande número de figuras que eu inventei de botar aqui e ali.

A herança das mulheres casadas

(Números 36)

Sei não, mas o tal Zelofeade ou tinha muito dinheiro ou suas filhas eram umas beldades incomparáveis. Só assim para se explicar que o livro dos Números tenha dois trechos grandes dedicados a Macla, Tirza, Hogla, Milca e Noa, filhas de Zelofeade. No primeiro, ficou decidido que as cinco moças teriam direito à herança do pai. Neste agora, os chefes da meia tribo de Manassés que ficara com o território de Gileade vieram falar com Moisés a respeito das irmãs:
— Seu Moisés, deus ordenou que nossos territórios fossem distribuídos por sorteio, e também que as filhas do Zelofeade herdassem as terras do pai, certo?
— Ce-certo.
— Então. Agora suponha que elas se casem com homens de outra tribo. A terra delas passará a pertencer aos maridos, e portanto à sua tribo. E então no próximo Ano de Libertação, a propriedade será deles definitivamente. Se a moda pega, vai ser um troca-troca danado de terras entre as tribos. Imagine o senhor as tribos de Israel espalhadas pelo mapa do país, e não cada uma em seu lugar, como deve ser.
— P-putz… Não t-tinha p-pensado nisso. V-vou f-falar com o Ja-Javé s-sobre isso.
Moisés assim o fez e Javé deu razão as homens da tribo de Manassés. Para evitar que um país dividido politicamente em tribos se transformasse a longo prazo num território caótico disputado entre pequenos grupos familiares, determinou que toda mulher israelita que possuísse terras deveria se casar com homens de sua própria tribo. Então as cinco donzelas de nomes estranhos se casaram com filhos de seus tios paternos.

* * *

E assim termina o livro dos Números. Não, não estou brincando: o livro termina dessa forma besta mesmo, falando mais uma vez das filhas de Zelofeade. Mas consigo enxergar uma razão para isso: Conforme ficara combinado, depois que os homens das duas tribos e meia a se assentarem a leste do Jordão tivessem construído as cidades para abrigarem suas esposas e filhos e os estábulos para protegerem seu gado, cruzariam o rio para batalharem junto com o resto do povo de Israel. O fato de já estarem discutindo assuntos familiares (como esse das cinco irmãs), demonstra que o processo de assentamento já estava avançado. Sendo assim, já estava quase tudo pronto para a invasão de Canaã. Moisés, porém, não pisaria em Canaã, como sabemos. Então quer dizer que Moisés morre agora? Hum… Não exatamente. Aos 120 anos de idade, Moisés era tudo menos bobo. E tinha um truquezinho na manga para engambelar Javé por algum tempo ainda. Que truque era esse? Falaramos dele no próximo livro, o Deuteronômio.

Constatação

Para quem não ia escrever a respeito, eu até que ando bem verborrágico… Bom, se meu medo era de dissolver o sentimento ao escrever sobre ele, então este é justamente o momento de escrever.

Tatá-TÁ

Ok, Los Hermanos é uma banda e tanto. A melhor do rock nacional em anos, é verdade. Mas o baterista, puta que pariu! O cara só sabe fazer aquele tatá-TÁ? Isso é ruim demais! É primitivo! Sabem aquele macaco de 2001 – Uma Odisséia no Espaço? Esse, ó:

Baterista do Los Hermanos


Então, antes de jogar o osso ele tava fazendo tatá-TÁ com ele.

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