Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em 2003

Mapa astral

Paulo Polzonoff pede em seu último post que os entendidos (uia) em astrologia manifestem-se a respeito de um mapa astral. Eu, que não entendo nada, disse o que vejo sempre que olho para um mapa astral: ciclo trigonométrico, triângulos retângulos, quadrantes, senos, cossenos, tangentes, Teorema de Pitágoras… E então resolvi fazer meu próprio mapa astral. Não tenho a mínima idéia do que essas linhas aí significam, mas vejam como é bonito:

Morram de inveja do meu mapa astral.

Mais perfeição

Você já viu o novo Mundo Perfeito? Não??? Cê é bobo, é?

Nova ordem

Um tempo atrás um leitor disse aqui que melhor seria que os comentários do blog fossem em ordem ascendente. O argumento dele era muito bom: com o último comentário no topo, o leitor tem que correr a tela até o final para começar a ler, ir subindo, e depois descer tudo de novo para postar seu próprio comentário. Não lembro quem foi o sábio que me deu esse toque, mas acatei. Comentários ascendentes a partir de agora.

Enquetezinha

Seguinte, meu povo: ligaram da produção do Meninas Veneno, aquele programa da MTV, me convidando para a gravação de hoje. Eu nunca vi esse programa, só sei que segue aquela fórmula antiquíssima de debates que não levam a ponto nenhum. Bom, não vem ao caso. O negócio é que o assunto será uma garota que, provavelmente por falta de problemas reais na vida, resolveu levar a público um probleminha de sua vida íntima: os dois últimos caras pra quem ela tentou dar broxaram. O último broxou seis vezes seguidas, vejam só! Dá pra chegar no bar no dia seguinte contando vantagem: “Ontem eu dei seis seguidas”, sem especificar que deu foi decepções. O outro foi um ex-namorado. Eles tinham uma vida sexual muito boa (“rolava uma puta química”, nas palavras da produtora, fiel seguidora do jargão MTV), mas da última vez o cara broxou.

Pois bem. Acho que essa mulherzinha aí não tem o que fazer da vida mesmo. O cara que broxou seis vezes tem problemas, deve ser um Marco Aurélio qualquer. E com o ex-namorado foi puro acaso. Mas como a feladaputa não tem mais com que se preocupar, fica fazendo disso um monstro.

E vocês, o que acham?

Descansou

Fiquei sabendo agora há pouco que dona Clarah acabou com seu blog. Não foi bem um assassinato, digamos que foi uma eutanásia: o brazileira!preta estava capengando há algum tempo. Muitos por aí declararam luto, outros soltaram fogos, outros tantos dirão que é um golpe de marketing e aquele blablablá de sempre. Eu li o anúncio do falecimento e achei natural e coerente. Liguei pra autora e ela está feliz e saltitante. Portanto não há motivos pra lamentação nem pra celebração: é apenas mais um ciclo que se cumpre. Sentirei falta do brazileira!preta, é claro. Mas, bah, Clarah Averbuck ainda tem muito a escrever. Para desespero de muita gente.

Minhas férias PORRA NENHUMA!

Escrevi um post imenso aqui sobre minhas férias, mas ficou muito chato, então apaguei. Basta dizer que minhas férias foram excelentes e cumpriram à perfeição o seu papel de me prepararem para mais um ano de trabalho, que eu reencontrei velhos amigos e fiz novos, e com todos eles me diverti feito um adolescente com anfetaminas.

Agradecimentos especiais ao Rafael, ao Pedro e à Ana por me hospedarem em Brasília e no Rio. E à Fer, porque sim.

O nerd ataca outra vez

Agora estou no shopping Iguatemi, em Vila Isabel (ou Tijuca, sei lá). Enquanto espero a dupla sertaneja Ana & Mariana para irmos ao cinema, fico aqui na lan house acessando a Internet.

Eu não era assim. Juro.

Tio Marcurélio

Semana passada, quando minha irmã e meu cunhado me telefonaram para dar a notícia, ela foi enfática:

— Só não vai falar nada no blog, tá?

Aquiesci sem problema nenhum. Afinal este blog, ao contrário do que possa parecer, não é minha vida.

Bom, entáo vocês podem imaginar minha surpresa quando fui ler os comentários do último post e me deparei com minha irmã me cobrando a divulgação da notícia. Como eu sempre digo, vá o diabo entender as mulheres. Enfim, é com alegria imensa que eu digo a vocês:

EU VOU SER TIO!!!

Para um vacilão

Tá bom

Senta aqui que hoje eu quero te falar
Não tem mistério, não, é só teu coração
Que não te deixa amar
Você precisa reagir. Não se entregar assim…
– Como quem nada quer?
Não há mulher, irmão, que goste dessa vida
Ela não quer viver as coisas por você
Me diz, cadê você aí?
E aí não há sequer um par pra dividir.
Senta aqui, espera que eu não terminei
Pra onde é que você foi que eu não te vejo mais?
Não há ninguém capaz de ser isso que você quer
– Vencer a luta vã e ser o campeão!
Pois se é no não que se descobre de verdade
o que te sobra além das coisas casuais
Me diz se assim está em paz
achando que sofrer é amar demais.

(Marcelo Camelo)

A travessia do rio Jordão

(Josué 3)

Conforme prometera no último capítulo, Josué acordou na madrugada seguinte ao retorno dos espiões de Jericó, e com ele todo o povo de Israel. Saíram do vale de Sitim e acamparam às margens do Jordão. Do outro lado do rio, mais próxima do que nunca, estava Canaã, a terra prometida aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, e mais tarde a Moisés e Arão, sua conquista agora quase uma realidade sob o comando do general Josué. A expectativa, como era de se esperar, era imensa, mas o povo ainda teve que ficar acampado ali por três dias sem maiores novidades. Depois desse período, Josué ordenou que emissários passassem pelo acampamento com as seguintes instruções:
— Olha aí, negada, tá chegando a hora da onça beber água. Quando vocês virem os levitas levantando a Arca, vocês também se levantarão e os seguirão. Mas façam o negócio direito: guardem uma distância de uns novecentos metros entre vocês e a Arca, para que não a percam de vista, pois o caminho é meio complicado.
Quando todo o povo já estava avisado e de prontidão, Josué ordenou aos sacerdotes que erguessem a Arca e esperassem novas instruções. Voltou para sua tenda só para dar um tempo e criar um suspense, e foi surpreendido pela presença de ninguém menos que Javé, bebericando um licor de tâmaras sentado numa almofada.
— Ó, meu Senhor e Deus, que honra imensurável receber tão nobre visita em minha desprezível casa. Permita agora que eu renda os louvores merecidos por tão majestosa figura, cuja glória cobre a terra tal qual o…
— Porra, Josué, vai caçar outro saco pra você puxar, que eu não tenho tempo pra essas veadagens.
— …
— Negócio seguinte: você anda meio desacreditado no meio do povo.
— Desacreditado???
— É, rapaz. Falam que você é um bundão, na verdade, e que bom mesmo era o Moisés.
— EU MATO O FILHO DA PUTA QUE DISSE ISSO!
— Vixe! Se você for matar todo mundo que tira sarro da tua cara no acampamento, será um genocídio. Sossega o rabinho aí e deixa comigo. Hoje eu vou mostrar a esse povinho bunda aí que para mim você é um líder tão bom e tão querido por mim quanto Moisés.
— Puxa, sério mesmo?
— Claro que não, porra. Você é um bundão, bom mesmo era o Moisés. Mas para vocês entrarem em Canaã, o povo precisa de motivação. E para isso, precisa acreditar nessa papagaiada.
— Hum. E qual é o plano?
— Coisa pouca: você vai ordenar aos sacerdotes que levem a Arca e parem quando chegarem às margens do Jordão.
— Tá, e aí?
— Aí você vai fazer um discurso assim para o povo…
Os dois combinaram tudo dentro da tenda, e Josué saiu de lá radiante para dar suas ordens e fazer seu discurso:
— POOOOOOOOOOOOVO DE ISRAEL! Hoje vocês verão o grande poder e majestade de Javé! Escolham doze homens, um de cada tribo, para irem à frente de vocês, seguindo a Arca. Acontecerá, então, que quando os sacerdotes pisarem as águas do Jordão, estas pararão de correr, acumulando-se de um lado, e vocês atravessarão o rio a seco!
— …
— VOCÊS ENTENDERAM O QUE EU DISSE? VAMOS ATRAVESSAR O JORDÃO NA MAIOR, SEM MOLHAR OS PÉS.
— Pra isso basta usar uma das pontes! — gritou um gaiato do meio da multidão, provocando risos aqui e ali.
— FODAM-SE AS PONTES! Com isso Javé quer demonstrar todo o seu poder!
— Então ele já foi melhor! Com Moisés foi o Mar Vermelho, agora esse riozinho mequetrefe!
— ORAS, VÃO TOMAR NO CU!
Josué abandonou o palanque furioso e os sacerdotes continuaram sua marcha com a Arca sobre os ombros. Tudo aconteceu conforme ele dissera, e o povo atravessou o rio a seco. Acostumados, porém, a ouvirem histórias e mais histórias sobre a travessia do Mar Vermelho — muitíssimo mais imponente, convenhamos — os israelitas não se impressionaram muito com mais esse truquezinho de Javé.

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