Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em December de 2003

Débora e Baraque

(Juízes 4)

Adivinhem o que aconteceu depois que Eúde morreu?
— Hummmm… Enterraram Eúde!
Er… Sim. Enterraram Eúde, tá certo. E depois?
— Missa de sétimo dia!
Ai caralho… Deixa eu reformular a pergunta. Adivinhem o que aconteceu com o povo de Israel depois que Eúde morreu?
— …
O POVO VOLTOU A ADORAR OUTROS DEUSES, A SE MISTURAR COM OS CANANEUS, AQUILO DE SEMPRE, PORRA!
— Ah, é…
Humpf. Como castigo por sua infidelidade, Javé permitiu a Jabim, rei cananeu que governava a cidade de Hazor, que dominasse Israel. O que deve ter sido bem difícil porque, como vimos antes, Hazor havia sido totalmente destruída, e Jabim morto pelo próprio Josué. Bom, paciência. Se vocês querem verossimilhança, procurem outras leituras: a Bíblia é assim mesmo. Vamos, portanto, fazer de conta que Jabim não morreu e que Hazor continuava de pé. Pois bem, Jabim dominou Israel durante vinte anos, e maltratou muito o povo. Seu exército era impressionante, contando com novecentos carros de ferro e milhares de soldados comandados por um tal de Sísera.
Enquanto isso, Débora, mulher de Lapidote, era juíza em Israel. Não me perguntem como foi que uma mulher conseguiu atingir tal importância numa sociedade tão machista, porque eu não sei. O fato é que ela era respeitada. Débora sentava-se sob uma palmeira no caminho entre Ramá e Betel, e o povo vinha até ela para que julgasse questões. Tá, eu sei que não é lá um grande sistema jurídico, mas foi o que se pode arrumar na época.
Um dia, cansada da apatia do povo diante da opressão estrangeira, Débora mandou chamar um certo Baraque, filho de Abinoão (!!!) e morador de Quedes, cidade da tribo de Naftali.
— Ô, Debbie! Mandou me chamar, querida?
— Mandei sim…
— E em que posso servi-la, meu docinho de coco?
— Pra começar, tira a mão de mim. E se me chamar de docinho de coco outra vez, corto-lhe os bagos.
— Pô, Debbie, relaxa…
— Relaxa? RELAXA??? Israel há vinte anos sendo humilhado por esse filho-da-puta desse Jabim e você me fala pra RELAXAR???
— Tá vendo? Cê só pensa em política! Assim não dá, Debbie.
— Ah, cala a boca e me escuta. Seguinte: eu tava falando com o Javé hoje e…
— PORRA! CÊ FALA COM O JAVÉ???
— CLARO QUE EU FALO, CARALHO. Cê acha que eu virei juíza como? Dando a bunda???
— …
— Humpf. Então, Javé mandou dizer que é pra você juntar dez mil homens de Naftali e Zebulom e levar esse exército ali para o monte Tabor. Enquanto isso, Deus vai fazer com que Sísera venha com seus soldados para lutar contra você. E você vai sair ganhando.
— Pô, Debbie, num fode…
— CONFIE EM JAVÉ, ÍMPIO!
— Hum… Tá, eu confio. Vou lá juntar os caras pra lutar contra Sísera. Mas com uma condição…
— Qual?
— Você vai comigo…
— Ai, meu saco.
— Pô, Debbie! Vai ficar aí sentada embaixo dessa palmeira enquanto a gente se diverte?
— Tá bom. Eu vou com você. Só que você não vai receber as honras dessa vitória, porque Javé vai entregar a vida de Sísera nas mãos de uma mulher.
— De uma mulher??? Não inventa, Debbie! Você acha MESMO que pode matar o milico mais poderoso de toda a região?
— Veremos…
Os dois foram para Quedes, e Baraque tratou logo de convocar os homens para seu exército. Sísera ficou sabendo da insurreição que começava a se formar em Israel, e tratou logo de ir reprimi-la. Ao ver do alto da montanha aquela multidão de soldados, com carros de ferro e tudo, Baraque quase se cagou todo. Se Débora não estivesse ali com ele, teria ordenado meia-volta a seus soldados. Mas a juíza estava firme:
— Larga mão de ser bunda mole, Baraque! É hoje que o bicho vai pegar!
— O bicho vai pegar, estraçalhar, comer… Olha ali quanta gente, Debbie! Eles vão acabar com a gente!
— Confie em Javé, imbecil! E ME OBEDEÇA!
Sem muita alternativa, Baraque desceu do monte Tabor com seus homens, marchando devagarinho para aproveitar o resto de vida que ainda tinha. O improvável aconteceu, porém: os israelitas começaram a prevalecer sobre o exército de Sísera. Empolgado pela possibilidade de derrotar os cananeus, Baraque saiu em seu encalço. O exército inimigo debandava, com israelitas sedentos de sangue correndo atrás. Todos os soldados cananeus foram mortos pelos israelitas, com exceção do comandante Sísera que, tendo corrido até Harosete-Hagoim com Baraque nos seus calcanhares, conseguiu esconder-se numa tenda. A dona da tenda foi muito simpática com ele:
— Ô, tadinho! Correndo dos israelitas, é? Que malvados! Pode entrar, meu querido, vou proteger você — e o escondeu sob uma coberta.
Acontece que essa mulher, chamada Jael, era esposa de Héber, o queneu. Até aí tudo bem, porque a família do rei Jabim até se dava bem com os queneus. Só havia um detalhe: esse Héber era descendente de Jetro, o qual, caso vocês não se lembrem, era sogro de Moisés. Preciso nem falar de que lado sua família estava nessa guerra. Sísera, no entanto, não sabia de nada disso, e sentia-se aliviado:
— Muito obrigado, minha querida, muito obrigado! Ah, malditos israelitas… Vim correndo desde o rio Quisom até aqui, perseguido por eles.
— Puxa!
— Pois é! Tô morrendo de sede. Será que a senhora não poderia me dar um pouco d’água?
— Olha, eu tenho leite aqui nesse odre.
— Serve… Ah, muito obrigado! Olha, eu vou dormir um pouco, estou muito cansado. Se alguém perguntar, você não me viu, tá bom?
— Pode ficar sossegado.
— Obrigado. Muito, muito obrigado. Serei eternamente grato à senhora.
— Que é isso! Deixa pra lá.
Sísera foi dormir muito feliz, e logo pegou num sono pesado. Quando viu que o comandante cananeu já roncava alto, Jael pegou uma estaca da tenda e um martelo. Aproximou-se devagarinho de onde ele dormia e — PÁ! — cravou-lhe a estaca na testa. A estaca atravessou a cabeça e penetrou na terra do outro lado.
— O cara morreu?
Não, ficou com uma dor de cabeça do cão. E Jael não tinha nem Neosaldina em casa.
— Ah bom…
CLARO QUE MORREU, CÁSPITA! E Jael, esse doce de mulher, saiu da tenda e viu Baraque se aproximando. Ele veio falar com ela.
— Ô dona! A senhora por acaso não terá visto um comandante passando por aqui?
— Vi sim, e sei onde ele está. Quer que eu te mostre?
— Claro! Arrá, devia ter apostado com a Debbie! Agora vou matar esse mequetrefe.
— Hum… Olha, acho que não — Jael afastou o véu da tenda para que Baraque entrasse, e ele viu Sísera morto ali, pregado ao chão pela cabeça.
— MEU DEUS! Quem fez essa barbaridade??? Que coisa horrível, o pobre homem devia estar dormindo! Que covardia!
— Er… Fui eu.
— Você? MAS VOCÊ É SÓ UMA MULHER!
— Só uma mulher? SÓ UMA MULHER??? Pois saiba, meu caro, que não há nada que um homem possa fazer que uma mulher também não possa! Está chegando ao fim a manutenção desse status quo ultrapassado, com os homens sempre em posição dominante e as mulheres subservientes e humilhadas o tempo todo! As mulheres estão se conscientizando cada vez mais do papel chave que desempenham na sociedade e…
— Tá, tá! Porra, já me basta a Débora fazendo esse discurso todo dia. Bom, obrigado pelos serviços prestados, Dona…
— Jael.
— Dona Jael. Vou ver se a gente consegue providenciar uma medalha pra senhora.
— Muito obrigado.
Com isso, encerrou-se a batalha e os homens de Jabim foram humilhados. Depois de terem seu comandante assassinado por uma mulher desarmada, os cananeus ficaram desmotivados, e em pouco tempo a vitória de Israel foi completa. Não conseguindo conter sua alegria, Débora e Baraque convocaram o povo e deram um show. Preparem-se, portanto, para mais uma musiquinha do Velho Testamento. Mas só no próximo capítulo.

Bom, então vejamos

Ano passado eu fiz a festa na Central das Artes. Na época não tinha número mínimo de pessoas, então eu fiz reserva para 50 e tive que deixar um cheque-caução de 250 reais. Liguei lá agora e as regras mudaram um pouco: 8 reais por pessoa, mínimo de 100 convidados. Tenho que deixar um cheque de OITOCENTOS reais. E agora? PRECISO DE PELO MENOS CEM PESSOAS NA FESTA, CARALHO! Faço na Central das Artes mesmo ou vocês conhecem outros lugares?
(Antes que venham com idéia de aluguel de salões e coisas assim: eu preciso de um lugar que já tenha toda a estrutura e que eu possa reservar para uma boa quantidade de pessoas. Não quero gastar UM TOSTÃO, ok? Entenderam? Então tá.)

FESTA!

Bom, falei de quando hospedei o moskito aqui em casa, e logo me lembrei da festa de um ano do JMC. Bom, me lembro sempre: foi uma festa e tanto, mais de 150 pessoas, sucesso total. Então comecei a pensar: dia 7 de fevereiro isto aqui faz dois anos. Se — vejam bem: SE — eu resolvesse comemorar mais esse aniversário, alguém aí iria à minha festa?

Filho da puta

Eu sempre digo que não perco minha fé na imbecilidade humana porque nunca fui decepcionado por ela. Está em todas as partes, e sempre em abundância. Pode-se sempre contar com ela, sempre.
Um dos maiores portadores de imbecilidade (ainda não decidi se humana ou não) de que já tive notícia é o tal de Kiabo Babante. Essa cavalgadura acha que copiar textos alheios é o supra-sumo da diversão. Paciência, nem todas as pessoas recebem fósforo suficiente na alimentação quando crianças, por isso tornam-se debéis mentais. Esse pobre-kiabo não é o único nem o mais notório dos plagiadores.
Só que agora ele ultrapassou todos os limites aceitáveis de imbecilidade, ofendendo de forma muito séria a família do moskito. Podem falar de panelinha, de blogstars, da puta que pariu, foda-se: Gabriel Lucca é meu amigo, um cara gentil, engraçado, inteligente e muito, muito bondoso. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente e de hospedá-lo em minha casa, e posso dizer que ele é sangue bom a toda prova. E aí vem um FILHO DA PUTA achar que pode brincar com o que o moskito tem de mais sagrado na vida, que é sua família.
O que esse cara fez é inadmissível, e por si só justifica qualquer coisa que seja feita contra ele. Eu hesitei em escrever isto aqui — não quero dar visibilidade a esse pulha — mas é bom que todos saibam quem é o imbecil.
Alexandre Soares Silva volta e meia fala sobre honra, sobre como este conceito já não tem peso nenhum hoje em dia. Pois bem, esse kiabo atingiu o limite da desonra. Não é humano. Merece tudo o que lhe acontecer, e espero que aconteça muito. E que ele sofra. Ficarei muito alegre com isso.

Os primeiros Juízes

(Juízes 3)

Oba, vamos começar com a sanguinolência!
Arram…
Vamos ao terceiro capítulo do livro dos Juízes, foi o que eu quis dizer.
Como vimos no capítulo anterior, alguns povos continuaram habitando Canaã ao lado dos israelitas. Eram os filisteus (Tava jogando sinuca / uma nega maluca / me apareceu / tinha um menino no colo / e dizia pro povo / que o filho era meu. / Toma que o filisteu, skindô / toma que o filisteu), mais os cananeus, sidônios e heveus que moravam nos montes Líbanos. O povo de Israel se deixou influenciar por esses caras, claro: esse negócio de ter um deus só perde totalmente a graça quando se convive com povos politeístas. Depois de algum tempo a maior parte dos israelitas nem se lembrava mais de quem era Javé. Ele, furibundo, tratou de refrescar a memória do povo permitindo que Cuchã-Risataim, rei da Mesopotâmia, conquistasse Israel. E quando eu falo em conquistar, é claro que não estou falando em mandar flores, levar para jantar, nada disso: Cuchã-Risataim veio com seu exército, matou um monte de israelitas e anexou Israel a seu território. E é claro que o povo se lembrou de Deus quando a água bateu na bunda: os israelitas começaram a implorar a Javé que os libertasse.
Javé atendeu o pedido do povo mandando que Otoniel, filho de Quenaz (que era irmão mais novo de Calebe, neguinho, Calebe!), assumisse a liderança daquela balbúrdia e guiasse o povo. Esse Otoniel já havia se destacado numa ocasião, quando Calebe foi expulsar os anaquins de suas terras. Ele já havia conquistado Hebrom, mas ainda faltava Debir (ainda chamada Quiriate-Sefer). Então teve a idéia de dar a mão de sua filha, Acsa, em casamento àquele que conquistasse Quiriate-Sefer. Otoniel juntou uns homens, foi até lá, derrotou os anaquins e desposou sua prima. Acsa era dessas mulheres mandonas, e exigiu que Otoniel fosse falar com Calebe para que este desse ao casal terras que tivessem fontes de água. Pode parecer bobagem, mas no meio do deserto água é o bem mais precioso. Calebe, gente boa como sempre, deu à filha e ao sobrinho/genro todas as fontes de suas terras.
Graças a sua intrepidez (uia!), Otoniel foi escolhido para ser o primeiro dos Juízes. Tratou logo de trabalhar: reuniu seu exército, declarou guerra à Mesopotâmia e venceu, libertando Israel. Depois disso ele ainda viveu mais quarenta anos, e houve paz durante todo esse tempo.
Depois da morte de Otoniel, porém, o povo voltou a assimilar a cultura dos povos da região, adorando seus deuses e emputecendo Javé. A conseqüência não tardou: Eglom, rei de Moabe, aliou-se aos amonitas e amalequitas, invadiu Israel e tomou Jericó, a Cidade das Palmeiras. Israel viveu sob o domínio dos moabitas por dezoito anos. Quando, no entanto, o povo resolveu voltar a pedir ajuda a Javé, este escolheu um tal de Eúde para ser líder do povo. Esse Eúde, benjamita, era canhoto e muito malandro, como veremos.
De tempos em tempos os israelitas tinham que enviar seus impostos a Eglom. Os impostos eram recolhidos, conferidos e levados por um mensageiro. Quando calhou de Eúde ser o escolhido para levar o dinheiro ao Rei de Moabe, ele resolveu que Israel já tinha sofrido demais. Preparou então um punhal de quase meio metro de comprimento e botou o pé na estrada junto com alguns carregadores. “Pô, mas um punhal de meio metro? Para que tanto?”. Pois acontece que Eglom era gordo. Muito gordo. Coisa de circo mesmo. Um punhal de tamanho normal apenas arranharia suas várias camadas de tecido adiposo.
Eúde escondeu o punhalzão sob as roupas, foi para Gilgal (cidade onde ficava o palácio de Eglom) entregou os tributos e mandou os carregadores de volta pra casa. Feito isso, foi falar com o rei, que estava jantando:
— Majestade, tenho uma informação ultra-secreta para dar ao senhor.
— O que é? — perguntou o rei, de boca cheia — Seu povo está tramando alguma? Olha que eu acabo com a raça de vocês!
— Não. É… É outra coisa.
— Fala, porra! Fala logo, senão cê tá fodido! — ameaçou Eglom, borrifando farofa por todo o recinto.
— Mas é que…
— É o quê? Ah, não quer falar na frente dos outros? Fresco… Tudo bem! Saiam todos daqui, que o israelita quer me contar alguma coisa.
Todo mundo saiu da sala.
— Muito bem. O que é que você quer dizer de tão importante? Vai, desembucha!
— É um recado de Javé para o senhor.
— De quem?
— Javé, o nosso Deus.
— Pff… E o que o deusinho de vocês tanto quer me dizer?
— Ele me mandou dizer o seguinte… Er… O senhor poderia chegar mais perto?
— Ô inferno! — Eglom levantou-se, com muita dificuldade, e se aproximou de Eúde — Pronto. Agora fala logo, caralho!
— Chega só mais um pouquinho…
— ASSIM TÁ BOM?
— É que eu prefiro cochichar, se o senhor não se importar, é claro. Sabe como é, as paredes têm ouvidos…
— Ó, MEU SACO! — a contragosto, o rei inclinou-se na direção de Eúde — Agora fala!
— Seguinte. Javé mandou dizer o seguinte: Gordo, baleia, saco de areia!
COMO É Q…
Mas Eglom não teve tempo de expressar sua indignação: Eúde já havia metido a mão esquerda por dentro da roupa e puxado o punhal, que enterrou com força na barriga do rei. O punhal atravessou a pele, tooooooooda a gordura, a carne, os órgãos internos e saiu entre as pernas. Capado e, pior ainda, morto, nunca mais Eglom ia fazer neném. Depois de matar o rei, Eúde agiu rápido: trancou todas as portas, saiu pela janela e foi embora assoviando. Os empregados do palácio chegaram e viram que as portas estavam trancadas, mas nem se preocuparam: o rei devia estar cagando, que era só o que ele fazia, além de comer. Anoiteceu, porém, e nada do rei abrir a porta. “Que cagança comprida é essa?”, perguntavam-se os empregados. Bateram à porta e nada de Eglom responder. Então pegaram a chave, abriram a porta, e deram com seu soberano caído morto no chão, a gordura saindo pela ferida aberta pelo punhal. Coisa bem nojenta de se ver.
Enquanto os empregados ainda não sabiam da morte de Eglom, Eúde já havia chegado às montanhas de Efraim. De lá, tocou uma corneta de chifre de carneiro para chamar os israelitas para a guerra.
— Vãobora, povo! Vamos acabar com a raça dos moabitas! Já matei o leão-marinho que eles chamam de rei; vamos pegá-los agora que estão de cabeça quente!
Os soldados desceram e tomaram a região do Rio Jordão por onde os moabitas costumavam passar. Mataram dez mil moabitas na batalha, reconquistando a soberania de Israel. Dessa vez houve um período de paz bem longo: 80 anos, até a morte de Eúde. Nesse meio tempo, só os filisteus chegaram a dar algum trabalho. Mas um tal Sangar, filho de Anate, cuidou bem da situação, matando seiscendos seiscentos filisteus com um ferrão de tocar bois.
É óbvio que depois que Eúde morreu o povo voltou a adorar outros deuses, aquele negócio de sempre. Foi quando surgiu Débora, a primeira liderança feminina da história de Israel. Mas falaremos bastante dela nos próximos capítulos.

ARRÁ!

Agora sim, eu tô todo dolorido! Que beleza! Minhas coxas [pausa para os suspiros femininos] parecem feitas de cordas de violoncelo prestes a arrebentar. Não reclamo: gosto de fazer esteira. O problema é que me sinto igual o Jamiroquai no clipe de Virtual Insanity. Odeio Jamiroquai. Vou requisitar à academia uma esteira mais larga, com manequins grudados. Assim pelo menos eu posso ir andando e esbarrando neles, para me sentir como o Richard Ashcroft no Bittersweet Symphony.
Os músculos do meu abdômen, que eu nem sabia que ainda existiam, já disseram que não vão à academia hoje, Marcurélio que vá sozinho. Abusei dos pobrezinhos, também: no primeiro dia o instrutor regulou o aparelho que não tem nada a ver com os robôs do Matrix Revolutions, botando aquele pininho no primeiro peso. Fiz 400 abdominais na boa. Então ontem, depois de 6 quilômetros andando na esteira, e ainda disposto a mais, resolvi que ia fazer pelo menos 500 abdominais. Me ajeitei lá no aparelho e fiz a primeira série de dez. Quase não consigo. “Ué, troço estranho…”. Mais dez. Quase morro. Mais dez. Desisti. Então olhei, por acaso, para os pesos. O pininho estava láaaaaaaaa no sétimo. Disfarcei, saí do aparelho, me espreguicei e botei o danado no terceiro peso, pra não ficar tão chato. Fiz mais cem abdominais e fui tomar banho. Oras.
E agora estou todo dolorido. Mas é uma dor boa. Um monte de gente me falou isso ontem e eu achei uma bobagem, mas é verdade. É como a ansiedade que venho sentindo nas últimas semanas: quase me mata, mas é boa.

Ainda Marcurelinho

Marcurelinho é foda, Marcurelinho é rei, Marcurelinho come todas. Além das cuecas novas ele resolveu me dar um bônus por divulgar sua mensagem: segundo o Nedstat, o JMC baterá seu recorde de visitas, imutável desde 10 de fevereiro de 2003. ALGUÉM AINDA OUSA DUVIDAR???

Juízes – o começo

(Juízes 1 e 2)

Ê, já começou na base da preguiça…
Nada disso, nada disso! Esses dois primeiros capítulos do livro dos Juízes são, na verdade, uma rápida narração do que aconteceu no período entre a morte de Josué e a subida dos Juízes ao poder. Sendo assim, achei por bem condensá-los num só capítulo por aqui.
Logo no começo, então, ficamos sabendo que as tribos de Judá e Simeão aliaram-se para expulsarem os cananeus e perizeus de seus territórios. Eles expulsaram os dois povos, matando dez mil homens numa cidade chamada Bezeque. Por lá encontraram um certo Adoni-Bezeque. Sei não, mas acho que não era o nome do cara: baseado em meus rudimentares conhecimentos de hebraico, arriscaria dizer que Adoni-Bezeque significa “O Senhor de Bezeque”. Bom, não importa: o negócio é que os judaítas (ou judeus!) e simeonitas perseguiram e prenderam Adoni-Bezeque. Esse cara tinha o costume de cortar os polegares e dedões dos pés dos reis das cidades que conquistava. Já havia feito isso com setenta reis, que então apanhavam megalhas sob sua mesa. Os israelitas, inspiradíssimos, fizeram a ele o que ele havia feito aos outros, e o levaram cativo para Jerusalém, onde morreu.
Jerusalém??? Pois é! Jerusalém foi incorporada ao território israelita pela primeira vez na História: os homens de Judá mataram todos os seus habitantes e atearam fogo à cidade. Depois disso, lutaram contra os cananeus que moravam nas montanhas, no deserto ao sul e nas planícies de Judá. Conquistaram também Zefate, e só não conseguiram expulsar os moradores de Gaza, Asquelom e Ecrom, cidades litorâneas, porque possuíam carros de ferro. Ué, alguém há de perguntar, mas Javé não podia dar uma forcinha? Eu devolvo a pergunta.
O que eu disse no parágrafo anterior? Que os homens de Judá invadiram Jerusalém e mataram seus moradores, certo? Pois é, mas verossimilhança não é o forte da Bíblia, então logo na segunda metade do primeiro capítulo de Juízes temos uma contradição gritante: é dito agora que os homens da tribo de Benjamim não expulsaram os jebuseus de Jerusalém, passando a conviver com eles. Nem vou tentar entender isso, pulo para a parte seguinte: Os povos das tribos de José (Efraim e Manassés) saíram juntos para a guerra. Quando foram atacar Betel (antes chamada Luz), pegaram um homem que ia saindo da cidade e o ameaçaram de morte caso não dissesse como os israelitas podiam entrar na cidade. O tal homem, que não era nada besta, entregou logo o serviço e os israelitas tomaram a cidade. Todos os habitantes foram mortos, com exceção do traidor e sua família, que se mudaram para a terra dos heteus e fundaram uma cidade chamada Luz, em homenagem a seu antigo lar.
Muito bem, uma conquistazinha aqui, um genocidiozinho ali, e os israelitas iam tomando posse definitiva da terra. Só que no processo foram desleixados algumas vezes. A tribo de Manassés, por exemplo, não expulsou os habitantes de Bete-Sã, Taanaque, Dor, Ibleão e Megido. A tribo de Efraim não expulsou os habitantes de Gezer, pelo contrário, ficaram morando com eles ali. A tribo de Zebulom não matou nem expulsou os moradores de Quitrom e Naalol, mas os fez escravos. O mesmo fez Aser com as cidades de Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Hleba, Afeca e Reobe, e Naftali com Bete-Semes e Bete-Anate. A tribo de Dã deu vexame maior ainda: foi expulsa para as montanhas pelos amorreus. Coisa triste.
Como se vê, os israelitas deixaram de cumprir uma ordem clara de Deus: matar todo mundo que estivesse no caminho. Javé ficou puto, como era de se esperar, e mandou um anjo para dar um recado a Israel:
— Aê, seus mequetrefes! Eu fiz de tudo por vocês, e vocês prometeram que seriam fiéis a mim, que me obedeceriam e não sei o que mais. Pois foi só o Josué morrer pra vocês começarem a fazer cagada, né? Acham que eu não tô vendo que há vários estrangeiros morando aí com vocês, é? Mas deixem estar: agora EU é que não vou querer que esses povos sejam expulsos: eles vão continuar morando aí entre vocês, e eles acabarão sendo seus inimigos. CÊS TÃO FODIDOS!
Quando o anjo terminou de dar seu rescado, o povo abriu o berreiro e começou a oferecer sacrifícios a Javé, pra ver se aplacava sua ira. Adiantou nada. Mesmo porque, influenciado pelos cananeus remanescentes em suas cidades, os israelitas começaram a adorar outros deuses. O que aumentou mais ainda a raiva de Javé, claro. Ele tentou até consertar a situação, indicando juízes para liderarem o povo.
E com isso começamos o tempo dos juízes, um período de grande instabilidade em Josué Israel. E com um começo muito chato, como acabamos de ver.

Agradeço ao Marcurelinho pela graça alcançada

Puxa, o negócio é rápido mesmo! Botei o Marcurelinho ali em cima pela manhã, e na hora do almoço já obtive minha graça: TENHO CUECAS NOVAS!!!
Vocês ainda duvidam do poder desse amuleto? Pois façam o teste! Façam como deus, moskito, Daniel Bastos, Daniel Lima, Brisa, Nacks e tantos outros: tenha fé e conte com Marcurelinho.

Uia!

O JMC foi citado na Folha de S. Paulo, numa matéria sobre sites de humor, ao lado de gênios como Laerte e Andre Dahmer. Vejam aqui (só para assinantes UOL).

Update: Jonosbelson Lospa fez o favor de passar o link para quem não é assinante UOL. Vejam aqui. E só agora eu vi que a lista foi elaborada pelo próprio André Dahmer. Já sei pra que ele queria aquela grana, então. E eu nem estou em tão boa companhia quanto pensava: moskito tá na lista também…

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