Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Aviso aos desavisados

Seguinte: agora estamos um pouco antes da metade do livro de Josué. Só que a partir de agora começa o lenga-lenga da divisão das terras entre as doze tribos, uma chateação sem fim. Sendo assim, provavelmente acabarei fazendo o que fiz com grandes trechos do Levítico e com todo o Deuteronômio: resumir vários capítulos num só. Não estranhem, portanto. E se preparem para o livro dos Juízes, que é muito legal.

A derrota de Jabim e seus aliados

(Josué 11)

Se depois da travessia do Jordão e da conquista das cidades de Jericó e Ai os povos de Canaã já tinham medo dos israelitas, imaginem só depois da seqüência impressionante do último capítulo. Pois é: Jabim, o rei de Hazor, ouviu as notícias aterradoras e tratou logo de se aliar a seus vizinhos para formar um exército à altura do de Israel. Para isso, mandou mensageiros a Jobabe, rei de Madom, aos reis de Sinrom e Acsafe, aos reis da região montanhosa do norte, aos do vale do Jordão, aos do litoral do Mediterrâneo, aos cananeus que habitavam o outro lado do rio, aos amorreus remanescentes, aos heteus, perizeus, jebuseus e aos heveus, que viviam ao pé do monte Hermon. É, parece que o cara estava mesmo decidido a acabar com os israelitas. Seus vizinhos aprovaram a iniciativa, juntando seus exércitos e marchando até as margens do riacho de Merom, onde acamparam e começaram a preparar o ataque a Israel.
O autor do livro de Josué diz que era um exército com tantos homens quanto são os grãos de areia da praia. Com serem muitos, ainda tinham muitos cavalos e carros de guerra. Coisa para assustar qualquer um, e ainda mais um povo nômade mal equipado como era o de Israel. E Josué ficou mesmo assustado:
— Ih. Fodeu.
— Que que fodeu, Josué?
— Oras, o quê! Cê não tá vendo o tamanho do exército que está se preparando pra atacar a gente, Javé? Não temos chance contra eles.
— Pô, aí cê tá me menosprezando… Confia em mim, Josué, que cês vão acabar com esses caras, aleijar os cavalos deles e queimar os carros de guerra.
— Tadinho dos bichinhos…
— Bah! Vai confiar em mim ou não?
— Tem outro jeito?
— Hum… Não.
— Então tá.
Josué juntou seus soldados e o exército israelita saiu para atacar o inimigo. Javé deu uma forcinha de novo, e Israel saiu vencedor da batalha. Foram mortos todos os soldados dos reinos que haviam se aliado contra os israelitas. Depois disso, Josué voltou, tomou a cidade de Hazor e matou Jabim, o rei, e todos os moradores. E fez o mesmo com todas as outras cidades, é claro. Com exceção de Hazor, nenhuma delas foi destruída, e de todas os israelitas tiraram o espólio de guerra.
Com isso a conquista de Canaã estava praticamente concluída. Josué tomou toda a região do sul, a terra de Gosém, as planícies do território que depois viria a ser da tribo de Judá, o vale do Jordão, as montanhas, o litoral, e toda a terra até a fronteira com o Líbano. Em todo lugar a mesma regra: nenhum homem vivo (pelo menos essa é a história oficial…). Os israelitas acabaram também com os anaquins, uma raça de gigantes que moravam em Hebrom, Debir, Anabe e nas montanhas. Gigante, entenda-se, era qualquer cara um pouco maior que um israelita comum. Oscar Shmidt, o Mão Santa, seria um anaquim naquela época.
Derrotados os anaquins, os israelitas podiam se preparar para a divisão da terra entre as tribos e um merecido repouso. Esse negócio de uma carnificina atrás da outra cansa qualquer um…

Jabaculê-iê-iê

Eu li e recomendo. Leia também.

Diário de um louco

Estou literário ultimamente. E se vocês ainda não tiveram a curiosidade de ler Nicolai Gogol, terão agora com esse trecho do “Diário de um Louco“:

Amanhã, às sete horas, se dará um estranho fenômeno: a Terra sentará sobre a Lua. O célebre químico inglês, Wellington, fala a respeito. Confesso que senti uma viva inquietação quando imaginei a delicadeza e a fragilidade extraordinária da Lua. Sabemos que a Lua é feita habitualmente em Hamburgo e de um modo abominável. Fico estarrecido que a Inglaterra não preste atenção nisso. É um tanoeiro manco que a fabrica e é claro que este imbecil não tem a menor noção da Lua. Ele coloca um cordão asfaltado e uma medida de óleo de oliva; espalha-se então sobre a Terra uma tal fedentina que é preciso tapar o nariz. Daí resulta que a própria Lua é uma esfera tão delicada que os homens não podem viver nela. No momento ela é habitada tão-somente por narizes. Eis a razão pela qual não podemos ver nossos narizes: eles estão todos na Lua.

Pergunta: Gogol era narigudo? Porque pra fazer tanta piada com nariz, só mesmo sendo portador de uma respeitável napa.

Adendo ao ante-antepenúltimo post

um outro russo que eu conheço, amo, admiro e que está condenado a ser meu amigo por toda vida. Mas é claro que eu sou macho pra caralho e não vou admitir isso aqui.

Mudança

Ei, ainda cabe gente em São Paulo? Pois ouvi dizer que tem uma menina vindo do Rio pra cá, de mudança. Dizem que ela andava sonhando com isso há muito tempo, e que o sonho tornou-se urgência depois que ela se apaixonou por certo rapaz daqui. Não sei, não conheço o tal rapaz. Dizem que é bonito, inteligente, engraçado, que vem de ótima família, essas coisas. Sei de nada, apenas repasso o que me disseram. Fala-se muito por aí, sei lá. Parece que a tal menina é linda, boa escritora, bem humorada, coisas assim. Duvido muito, um casal assim perfeitinho a gente só vê em novela, né não?
Seja como for, só espero que ela não invente de trazer a torre junto. Aí que não vai caber.

Uma dica para vosso bem

Eu sei que todos vocês já tiveram que lidar com uma professora chata que empurrava Machado de Assis goela abaixo dos alunos e depois ainda exigia de vocês que regurgitassem comentários, arrotassem análises, golfassem conclusões sobre o texto. Sendo assim, compreendo que muitos tenham adquirido um certo rancor contra o velho Bruxo que, coitado, não tem culpa nenhuma na deturpação de sua obra. Mas eu peço a vocês que esqueçam por um instante essa aversão pavloviana a Machado de Assis e leiam o texto O Cônego ou Metafísica do Estilo. Ainda dou uma mãozinha: podem ler aqui. É a mais genial e clara definição de como se dá o processo de escrita. Leiam, leiam! Talvez até sejam curados da doença incutida pela professora sem escrúpulos assassina de talentos.