Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Tatá-TÁ

Ok, Los Hermanos é uma banda e tanto. A melhor do rock nacional em anos, é verdade. Mas o baterista, puta que pariu! O cara só sabe fazer aquele tatá-TÁ? Isso é ruim demais! É primitivo! Sabem aquele macaco de 2001 – Uma Odisséia no Espaço? Esse, ó:

Baterista do Los Hermanos


Então, antes de jogar o osso ele tava fazendo tatá-TÁ com ele.

The Wrong Girl

I went looking for my darling,
I went looking for a sign
and I found her in the morning,
somewhere in the back of my mind

I’m not what I could be,
I need a true love
I went looking and I found one

The wrong girl
The wrong kind
The wrong hand to be holding
The wrong eyes to go searching behind
The wrong dream to have on my mind

(Belle & Sebastian, é claro)

As cidades dos levitas e para os fugitivos

(Números 35)

— Putz, Moisés, ia me esquecendo de um negócio!
— O q-quê?
— As cidades para os levitas.
— P-para os le-levitas? Mas v-você não vi-vive d-dizendo que os le-levitas não vão t-ter di-direito a t-território, que os l-levitas são s-seus e o c-caralho a q-quatro?
— Ô, Moisés… Eles não vão receber um território grande como das outras tribos, mesmo porque têm que viver espalhados por todo o Israel. Mas você quer o quê, que eles vivam como ciganos?
— Q-que mal t-tem em ser ci-cigano? Vê o Si-Sidney M-Magal, ou o B-Benito Di P-Paula, ou o… Er… E-esquece.
— Pois é. E você também é levita, esqueceu? Ia querer viver vagando por aí?
— P-peraí! Q-quer dizer q-que eu vou e-entrar na T-Terra P-prometida???
— Ah, é! Tinha esquecido. Que cabeça, a minha…
— Hu-humpf!
— Hehehe. Olha, tá aqui a planta das cidades para os levitas:

Cidade para os levitas

— D-desenhozinho t-tosco, hein, Ja-Javé? P-puta que p-pariu…
— Não torra, Moisés. Fiz isso às pressas só pra você entender. A parte em ocre é a cidade, um quadrado de 900 metros de lado. A parte em verde são os pastos que ficarão em volta da cidade, a uma distância de 450 metros da muralha nas quatro direções. Vocês vão construir 48 dessas cidades espalhadas por todo o território de Israel, sendo seis delas cidades para fugitivos.
— Ci-cidades para f-fugitivos???
— Já explico, porra. Não me interrompe. Bom. Cada tribo terá um número de cidades de levitas proporcional ao tamanho do seu território.
— …
— Que foi?
— Já a-acabou?
— Hum… Já, ué.
— D-dá pra e-explicar que n-negócio é esse de ci-cidades para os fu-fugitivos?
— Ah, é. O negócio é o seguinte: todo assassino será condenado à morte, já falamos bastante disso. Mas pode acontecer de algum zé-mané aí matar outro por engano, sem querer. Acidentes infelizes acontecem. Nesses casos, o povo julgará a favor do que matou, e este vai se refugiar numa dessas seis cidades, ficando lá até a morte do Sumo Sacerdote. Isso será feito para evitar que algum parente da vítima resolva vingar-se. Mas aí o cara tem que ser esperto: se sair da cidade de refúgio e o tal parente da vítima o encontrar, este poderá matá-lo e não será culpado. Neguim vacilou, amanhece com a boca cheia de formiga, é um-dois pra subir.
— Q-que p-porra de l-linguagem é e-essa, Ja-Javé???
— Aham… Foi mal, tava ouvindo uns raps hoje. Então é isso, Moisés. Estamos quase terminando. Ao final você poderá descansar bastante.
— É o q-que ve-veremos…
— Moisés, Moisés… Que cê tá aprontando?
— Ué, v-você não é o s-sabichão? T-tenta a-adivinhar…

Metástase

“Arranca!”, você disse, ao mesmo tempo em que fazia o gesto brusco de quem tira com força e raiva algo de dentro do peito e o lança longe. Referia-se, claro está, ao tumor que é este sentimento que tenho por você. Nem sabia que o tumor ainda estava lá, mas apenas porque ele tinha parado de doer nos últimos tempos. Ausência de sintoma nem sempre significa cura, e nesse caso a pausa era apenas preparação para um ataque pior. Você sabe que isso só pode me fazer mal, daí o seu enfático “Arranca!”.
Pois bem, vou arrancar. Não assim, de repente. Gostaria que fosse assim. Mas outros tumores do mesmo tipo já corroeram muito aqui por dentro, e não resta muito tecido saudável; não posso me dar ao luxo de perder mais nada. Preciso de uma cirurgia cuidadosa, delicada e lenta. Não sei se vale a pena também: a cirurgia já foi feita incontáveis vezes, e a metástase sempre ocorre. O câncer demora cada vez mais a se manifestar, não porque eu tenha ficado mais resistente, mas sim pela falta de lugar para plantar suas raízes.
Ainda dói quando você vai embora. Ainda sinto o velho nó na garganta, mas o empurro de volta com um copo d’água: homens não choram. Pensei em fazer quimioterapia a base de tabaco e álcool, mas o tratamento já se mostrou ineficaz em outras ocasiões. Não: a cura vem pela cirurgia, então arranco. Mas com cuidado, porque autoflagelação não é comigo. E preciso deixar espaço para que o próximo tumor se sinta confortável aqui dentro.