Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Era uma casa muito engraçada…

(Da série “Coisas que penso depois do almoço”)

Esse negócio todo de amor e coisa e tal é feito uma casa. Uma casa enorme, cheia de quartos, salas, saletas, corredores, escadas, rampas, passarelas, nichos, reentrâncias, portas e muitas, muitas passagens secretas. Pode ser uma casa confortável se você e fulana(o) resolverem morar nela. Vocês podem se aventurar por corredores desconhecidos, se assustar com uma estante que gira revelando uma nova sala de estar, ou passar um tempo chorando juntos no porão.
O problema é quando fulana(o) entra na casa por engano. Ia passando, a porta estava aberta. E você também é bem besta, convidou fulana(o) pra entrar mesmo sabendo dos riscos. E então você descobre que fulana(o) se sente desconfortável ali dentro, e que o desconforto é contagioso. Só que você já a(o) deixou andar demais pela casa. Gostaria de, como pessoa bem educada que é, levá-la(o) até a porta de entrada (e saída, obviamente), mas onde diabos está a porta mesmo…? Fez-se o caos: ficam você e fulana(o) andando constrangidos pelos corredores que parecem não ter fim, você diz “Acho que é por aqui”, e em vez do hall de entrada dão de cara com o banheiro, “Não, não, é ali, tenho certeza”, mas é a biblioteca, “Peraí, vamos tentar por aqui”, e saem numa sacada. Você tem vontade de atirar fulana(o) ali de cima — seria uma saída de qualquer forma — mas lá no fundo você quer sua permanência, mesmo que insuportavelmente constrangedora para ambos depois de algum tempo.
Mas chega o dia em que vocês finalmente encontram a saída. Despedem-se sem jeito e com indisfarçável alívio. Fulana(o) vai embora; você a(o) observa afastar-se, e reprime uma vontade imbecil de gritar seu nome, pedir que fique, que fique assim mesmo, que se foda o constrangimento. Porque com um habitante só essa casa volta a ser o mausoléu de sempre.

Teste

Judy,
Judy.

Which Belle & Sebastian Song Character are You?
brought to you by Quizilla

Tristeza não tem fim

Sim, meus queridos leitores. Marcurélio está triste. Muito, muito triste. Não é aquela tristeza Radiohead de antes, é mais uma coisa Belle & Sebastian, uma tristeza bem-humorada.
O caso é que preciso de leitoras altruístas dispostas a me alegrarem com aquele clássico boquete. Alguém? Alguém?
Não…?
Sabia.

Comportamento inadequado

Estava prestando atenção em mim mesmo durante o show (autocentrado é a puta que te pariu), e percebi que deve ser muito estranho me ver numa situação assim. Imaginem um show de rock: pessoas pulando, rapazes fazendo air guitars, garotas histéricas com apitos de chamar cachorro na garganta. Agora imaginem no meio de tudo isso um careca cabeçudo e gordo (e feio, e pobre, mas não é disso que estamos falando) quase que absolutamente PARADO, exceto pelo pezinho batendo conforme o compasso da música. Pois é, este sou eu num show de rock. Aliás, este sou eu em quase qualquer show.
Creio que quem me vê deve sempre pensar que estou odiando o show. Fico de braços cruzados com as mão no queixo, não bato palmas junto com todo mundo no ritmo da música, não canto as músicas (mesmo porque raramente me dou ao trabalho de decorar as letras), não grito. Apenas aplaudo e choro de vez em quando, porque sou uma bichinha sensível e certas músicas mexem comigo. Mesmo que eu não saiba a letra.

Don’t you shiver?

Coldplay

Ainda não sei direito o que dizer do show. Foi uma porrada. Logo que acabou, cometi a heresia de dizer que foi o melhor show de rock* da minha vida, superando o do REM no Rock In Rio de 2001. Hoje, passada a euforia, declaro empate entre os dois shows. Pode parecer pouco, mas é porque vocês não sabem como foi foda ver Michael Stipe passando pelo meio do público para que este lhe acariciasse a careca.
E assim como Michael Stipe, Chris Martin consegue a proeza de ser a cara de sua banda sem ser arrogante nem criar polêmicas estúpidas na vida pessoal para isso. É carismático, simpático com o público, tem domínio de palco. Fora isso, a técnica vocal impressionante: nem o capeta consegue correr pelo palco, dançar desajeitado, brincar com os fachos de raio laser e ainda cantar com aquela voz limpa, afinadíssima.
Saí do show gostando mais ainda da banda. Mas é melhor eu não dizer mais nada, certa garota terá muito mais a dizer, e com maior emoção. Quase morreu, tadinha.

* Sim, crianças, show de rock. Porque se eu for falar de melhor show, sinto muito, fica entre Chico Buarque e João Gilberto.