A onda do momento é namorar pelado.
Não. Péra. Não era isso que eu ia dizer. Vou começar de novo.
A onda do momento são os tais flash mobs. É assunto de órgãos de imprensa formadores de opinião, como a Folha de S. Paulo, O Globo e o Jesus, me chicoteia!. Então eu pensei em organizar um flash mob de proporções nunca vistas aqui em São Paulo.
Vai ser assim: às 18 horas, centenas de pessoas reunir-se-ão na plataforma de embarque da estação Sé do Metrô. Apesar de estarem todas juntas, não dirigirão palavra umas às outras. Ficarão todas olhando para um ponto fixo em algum lugar entre os trilhos ou do outro lado da plataforma. Quando o trem chegar, a multidão compactar-se-á em montinhos próximos às portas e as pessoas entrarão aos trancos nos vagões, sem expressão nenhuma no rosto. Então ficarão todas lá dentro, espremidas e olhando para o teto, ou para o chão, ou fingindo que dormem para não ceder lugar para a velhinha. Uns e outros ficarão atravancando a porta, apesar de só descerem na última estação. Algumas pessoas conversarão animadamente sobre o tempo. Todas as mulheres tirarão livros espíritas de suas bolsas; todos os homens sacarão de suas pastas livros de auto-ajuda.
Será um flash mob feito de um conjunto de flah mobs menores, que por sua vez serão feitos de flash mobs menores ainda. E assim por diante, até chegarmos ao indivíduo, um flash mob de células desempenhando tarefas repetitivas e sem sentido para manterem vivo um organismo sem razão.