Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em July de 2003

É cada uma…

Durante muito tempo foi moda falar dos misteriosos círculos nas plantações. Começaram na Inglaterra e depois de um tempo começaram a aparecer em vários países. Foi um mistério por anos, houve todo tipo de especulação sobre ETs e vários cientistas pareciam simpáticos a esta explicação. Todo mundo passou vergonha, no entanto, quando os responsáveis vieram a público explicar como faziam os tais círculos. Tudo muito simples, na verdade: só precisavam de cordas e algumas pranchas de madeira.
Anos depois do desmentido, porém, o assunto ainda rende, tendo ganhado especial destaque com o excelente filme Sinais, de M. Nigth Shyamalan. Ninguém deveria mais levar a sério o aparecimento dos “misteriosos” círculos, mas há gente que leva. O pessoal do Terra, por exemplo.
Oras, por favor! Não quero que ninguém seja ateu como eu, muito pelo contrário. Mas que mal há em se exercitar um certo ceticismo? Sites como o do Projeto Ockham são praticamente desconhecidos, enquanto outros, de astrologia ou ufologia recebem patrocínio dos grandes portais. Há algo de errado num mundo em que, cercadas de ciência por todos os lados, as pessoas ainda se apegam a tantos e tamanhos absurdos.

Boas novas

Fiz uma mudança no sistema de notificação por e-mail. Como vocês podem ver ali sob o título “Boas Novas” (barra da direita, porra!), agora há uma opção para remover o endereço de e-mail da lista. Legal, né?

Balaque envia mensageiros a Bambalalão, digo, Balaão

(Números 22:1-21)

Depois de toda a carnificina, o povo de Israel partiu e acampou nas planícies de Moabe, a leste do Jordão, na mesma latitude de Jericó, que ficava do outro lado do rio, já na Terra Prometida. Quando o rei de Moabe — Balaque, o nome dele — soube que os israelitas estavam em seu território, cagou-se de medo. Ele, é claro, já sabia da destruição causada por aquele povo no território dos amorreus. Naquela época os moabitas estava aliados aos vizinhos midianitas, então os líderes se reuniram para decidirem o que fazer:
— Nós estamos fodidos. FODIDOS!
— Caaaaaaaalma…
— CALMA O CARALHO! Com esse povo aí não tem conversa, eles chegam matando, não querem nem saber.
— Ah, mas isso foi com os amorreus. Aliás, cê soube que os amorreus mudaram de nome?
— Mudaram?
— É. Agora são os já morreus. PESCOU? PESCOU? JÁ MORREUS!
— Calaboca, porra! A gente aqui nesse perrengue e você me vem com piadinha sem graça? Esse povo aí vai fazer com a gente o que o boi faz com o pasto!
— Tá bom, Balaque. Então o que é que você propõe?
— Sei lá, sei lá! Os amorreus eram mais fortes que nós e se foderam na mão desses caras. Imagina só o que eles vão fazer com a gente… Acho que o jeito é apelar pra mandinga.
— Porra, não é pra tanto.
— Estamos desesperados, admita!
— É… Estamos. Então o que você quer? Que chamemos o…?
— Sim senhor. Só Bambalalão pode nos ajudar.
— Balaão.
— Que seja.
Muito bem, então o jeito era chamarem Balaão. Balaão era um profeta sergipano, e repentista nas horas vagas. Morava na cidade de Petor, perto do Rio Eufrates, na Mesopotâmia. Para vocês terem uma idéia do desespero de Balaque (e da fama de Balaão): o território de Moabe era um pedaço da atual Jordânia, perto da fronteira com Israel e com a Síria. Balaão morava onde hoje fica o Iraque, cerca de mil quilômetros a leste de onde morava Balaque. Mesmo assim (e sendo provável que houvesse vários outros profetas em Moabe e nos territórios vizinhos), Balaque mandou mensageiros a Balaão, lá na casa do caralho. Depois de alguns dias de caminhada, chegaram à casa de Balaão:
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Podemos entrar?
— Não reparem a bagunça.
— Seu Bambalalão?
— Balaão, um seu criado.
— Ah, desculpe.
— Tudo bem, seu menino. Todo mundo confunde.
— Imagino. Pois então, Seu Balaão.
— Precisa me dar senhoria não, rapaz. Queisso! Me chama só de Balaão. Ou de Bala.
— Então, Balaão. Viemos da parte de Balaque, rei de Moabe. Conhece?
— Já ouvi falar.
— Pois então. Ele manda dizer que um povo inteiro saiu do Egito e está espalhado por todo canto. Pior: agora foram morar perto da gente. E estamos com medo deles.
— Sei, ouvi falar desse povo aí. Hebreus. O deus deles é gente boa.
— Você conhece o deus deles?
— Claro! Rapaz, eu sou um profeta arretado de bom, não sou aqueles mequetrefes que vocês têm lá em Moabe não! Conheço tudo quanto é deus que tem por aí, inclusive o dos hebreus, Javé. Meio nervosinho, mas uma boa companhia. Ele vem pra cá, a gente conversa um bocadinho, ele senta ali na rede, fica fumando um baseado, eu fico aqui tocando minha violinha, ele pede umas músicas. Gente boa mesmo.
— Bom, acho que isso facilita as coisas. Porque, como eu dizia, estamos com medo dos israelitas.
— Sei, sei. Mas o que vocês querem que eu faça, se mal lhes pergunto?
— Queremos que você vá até lá e amaldiçoe os israelitas.
— Amaldiçoar, é?
— É. Sabemos da sua fama, Balaão. Sabemos que se você os amaldiçoar teremos uma chance.
— Sei. E tem um dinheirim nisso aí?
— Claro, claro! Tá aqui, ó.
— Deixa eu ver… Hum… É, dá pras despesas da viagem e pra um licorzinho de jenipapo.
— E então, Balaão? Você vai com a gente.
— Olha, rapaz, vamos fazer o seguinte: vocês passam a noite aqui comigo. Hoje à noite Javé deve vir aqui, fiquei de entregar pra ele uma garrafada de catuaba com capim-santo. Aí eu falo com ele a respeito, talvez nem precise ir com vocês.
— Tá bom então, Balaão.
Os mensageiros de Balaque ficaram por ali. À noite, deus foi à casa de Balaão.
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Tudo bem aí, Balaão?
— Tudo daquele jeito, Javé.
— Fez minha garrafada?
— Fiz sim. Tá aqui, ó. Não vá exagerar, um golinho por dia já tá bom demais.
— Beleza… Tá com visita, é?
— Pois é, rapaz… Moabitas, midianitas, aquela gente lá.
— Vixe, vieram de longe. Que que eles querem?
— Querem que eu vá com eles pra amaldiçoar um povo que saiu do Egito e está por lá agora.
— Que povo? Os israelitas?
— Esses aí.
— O MEU povo, Balaão?
— É.
— E você vai fazer o que eles pedem?
— Pois é, isso é que eu queria perguntar pra você. O pagamento é bom, olha só. A gente pode repartir meio-a-meio…
— Sei não, Balaão… Trabalheira do cão conduzir esse povo por quarenta anos pelo deserto, para agora entregá-lo assim? Justo agora que estão tão perto do objetivo? Sei não… Vai ficar parecendo o time do Santos.
— Sei como é, Javé. Então o melhor é eu não aceitar a oferta deles?
— É isso aí.
— Então estamos conversados.
— Você é um bom homem, Balaão.
— Não por isso.
Na manhã seguinte Balaão serviu um café reforçado para os mensageiros (com inhame e tudo mais), devolveu o dinheiro e comunicou sua decisão. Abatidos, os mensageiros voltaram para Moabe e avisaram a Balaque que Balaão não quisera ir. Balaque, o Cagão, ficou mais desesperado ainda.
— Ai caralho! O cara não vem? Como assim, não vem???
— Pois é, majestade. Não quis vir não.
— Ô MERDA! Mas também, mandei uns zé-manés pra falar com o cara, claro que ele não se impressionou.
Então Balaque mandou outros mensageiros até Petor, dessa vez em maior número e importância.
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Balaão, viemos da parte de Balaque, rei de…
— Rei de Moabe, tô sabendo. Ele mandou outros sujeitos pra cá dia desses. Só que os carros deles não eram importados não…
— Er… Pois é, Balaão, é que Balaque quer MUITO que você venha nos ajudar, por isso nos mandou, os principais líderes de Moabe, para que falássemos com você.
— Sei. Mas eu já não disse que não vou, rapaz?
— Disse, disse. E respeitamos sua decisão! Mas não custa nada negociar, não é mesmo?
— Se você diz…
— Pois Balaão, o rei manda dizer que vai te pagar quanto você quiser, desde que você faça o favor de nos acompanhar até Moabe e amaldiçoar os israelitas.
— Rapaz, rapaz… Mesmo que Balaque me desse toda a riqueza de Moabe, eu não poderia fazer nada. Javé, o deus dos israelitas, me proibiu de amaldiçoar seu povo. E não sei se vocês sabem, Javé é um sujeito pedra noventa, mas o melhor é não contrariar ele. Vira bicho!
— Então tá, Balaão. Vamos voltar para nossa terra para sermos todos mortos.
— Ê, rapaz, pra que tanto drama? Olha, vamos fazer assim: hoje Javé vem aqui pra me trazer umas cordas pra viola que ele comprou na feira de Caruaru. Então passem a noite aqui e vamos ver no que dá.
Sem botarem muita fé, mas também sem alternativa melhor, os líderes ficaram na casa de Balaão. E naquela noite Javé veio de novo, e Balaão explicou pra ele o que acontecia.
— Eita, Balaão. Esses caras não desistem, né?
— Pois é, Javé. Pense nuns cabras desesperados! Me ofereceram tudo o que eu quiser como pagamento.
— Tudo o que você quiser?
— É.
— Rapaz, o tal Balaque tá mesmo com o cu na mão. Hum… Faz o seguinte: Se arruma e vai com eles pra Moabe. Mas só faça o que eu mandar, beleza?
— Tudo bem.
No dia seguinte Balaão comunicou sua decisão aos moabitas, que quase explodiram de felicidade. Só não o fizeram porque a moda dos homens-bomba ainda não havia chegado ao Oriente Médio. Brindaram ao sucesso de sua missão com licor de cupuaçu e começaram a se aprontar para a viagem de volta. Balaão também se aprontou, preparou sua jumenta e partiu com eles.
Balaão e sua jumenta protagonizarão um dos momentos mais engraçados e absurdos desse livro engraçado e absurdo que é a Bíblia. Mas fica para o próximo capítulo.

Explicação

Pronto, encontrei uma explicação. Sim, já se passaram os 40 anos de peregrinação pelo deserto. E esse pedaço de terra que os israelitas conquistaram ainda não é a Terra Prometida, mas sim uma base para os ataques futuros aos territórios a oeste do Rio Jordão (ver mapa), a verdadeira Terra Prometida. Ficou claro?

Vitória sobre os reis de Moabe e Basã (Números 21:21-35)

No último capítulo vimos que, depois do episódio da serpente de bronze, os israelitas andaram, andaram, depois andaram mais um pouco e chegaram ao monte Pisga, já no território de Moabe.
Pois muito bem, de lá Moisés enviou uma mensagem a Seom, rei dos amorreus, com praticamente o mesmo conteúdo da mensagem que enviara ao rei de Edom, explicando quem eram os israelitas, de onde vinham, para onde iam, e pedindo autorização para cortar caminho pelas suas terras. Os israelitas comprometiam-se a não tocarem nas plantações nem beberem da água dos poços. Porém, assim com o rei de Edom, Seom não acreditou na história de Moisés e mandou um exército para lutar contra os hebreus em Jaza. As semelhanças entre Seom, rei dos amorreus, e o rei anônimo de Edom acabam aí: os edomitas eram considerados pelos israelitas como irmãos, uma vez que descendiam de dois irmãos, Esaú e Jacó. Por isso, quando o exército edomita veio atacar Israel, o povo apenas escolheu outro caminho e continuou sua jornada. Os amorreus, no entanto, eram descendentes de Lot, sobrinho meio afrescalhado do patriarca Abraão que comeu as próprias filhos, dando origem aos moabitas e amorreus, como podemos ver aqui. Ou seja, parentes distantes e ainda frutos de incesto. Assim sendo, os israelitas não tiveram o mínimo prurido moral em reagir ao ataque, derrotando os amorreus e apoderando-se de suas terras desde Arnom até Jaboque, que era a parte fortificada da fronteira. Os israelitas tomaram todo esse território, inclusive a capital, Hesbom, e ficaram morando por ali.

— MORANDO, Chicoteia??? Ué, e a peregrinação de 40 anos dos caras pelo deserto?

Pois é. Não sei. Porque, vejam só, esses território aí já faziam parte de Canaã, a Terra Prometida. Ou seja, os israelitas já chegaram ao seu destino, e agora restava conquistar a terra. Talvez essa conquista aí é que vá levar 40 anos. Ou então há aqui um salto na narrativa, já que ficar descrevendo 40 anos de caminhada pelo deserto não dá Ibope a ninguém. Confesso que não sei, e não consigo encontrar nada que me esclareça a respeito. Vou continuar procurando e darei a explicação assim que a obtiver, tudo bem? Beleza! Então voltemos à narrativa, farisaiada.

Bom, até aí tudo bem. Os povo foi atacado, reagiu e venceu. No entanto, como vocês podem ver neste mapa, essa batalha marcava o começo da tomada de Canaã. Sim, sim, o objetivo final! Então a partir de agora começam as batalhas de conquista de território. Moisés não perdeu tempo e mandou logo espiões a Jazer, cidade vizinha, para que obtivessem as informações necessárias para a conquista da cidade, que ocorreu sem maiores problemas.
Depois de conquistarem Jazer, o povo virou-se na direção de Basã. Ogue, rei daquela terra, veio com seu exército contra ele. Os israelitas, não contentes em derrotarem o exército de Basã, ainda invadiram seu território, matando todo mundo. Aliás, em todos os lugares por onde passaram guerreando até agora, os israelitas não deixaram viv’alma. Eita povinho com sangue nos zóio!

Malvados

Pra variar, deus está com a razão:

Malvados é muito bom! É como se o Fradim fosse dividido em dois de forma a criar dois personagens cínicos e desalmados, sem o contraponto do Cumprido. Ideal para o século XXI. André Dahmer mata a pau!

MEUS SAIS! MEUS SAIS!

Toda vez que ligo o micro agora a primeira coisa que faço é entrar na tela de aprovação de comentários. E entre vários, no post sobre o Ritchie, encontrei um especialíssimo:

Valeu a homenagem, Marcão. Teu blog é massa real. Parabéns!

“I’ll be back…”

Obrigado aos fariseus que deixaram chicotadas positivas aqui a meu respeito. E um abraço nos descrentes tbm…

Biboca, fofinha, a gente se vê na Lagoa, tá?

+)-( r i t c h i e

O RITCHIE COMENTOU AQUI! O RITCHIE! GAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Porras nenhumas

Eita nomezinho ingrato…

Agora é de verdade!

Acreditem em mim pelo menos uma vez:


deus está de volta!

É sério, porra!

O Invasor

Que porra é essa? Semana do Cinema Nacional no JMC?

Não torra.
Bom, assisti ao filme O Invasor agora. É menos do que eu esperava, mas mesmo assim é bom. Todo mundo fala da surpresa que foi a interpretação do Paulo Miklos. O cara mandou bem mesmo. Tanto que eu acho que ele deveria largar a música, que ele não sabe mesmo fazer, e dedicar-se à carreira de ator.
Mas eu queria falar de outro Titã aqui. Do Tony Belotto. Porque toda vez que eu via a Malu Mader no filme pensava:

FILHO DA PUTA SORTUDO!


Eu amo essa mulher. Ai ai…

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