Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

ECA!

Eu preciso compartilhar isso com vocês:

Marcorelho, queria pedir uma outra careta no Emotionrélio, mas mando por aqui porque senão você não atende.
É mais ou menos assim:
Cara de retardado que compra um NUTRY de brigadeiro estragado sem ver, prova a “cobertura nova” estranha e depois percebe que tinha uma barata morta dentro da embalagem e que a “cobertura nova” eram ovos da finada barata.
Eu até tirei fotos dessa merda antes de jogar fora.
Porra, eu comi ovos de barata.
Mas foi SEM QUERER, CERTO?
SEM QUERER!

Apollyon

Er… Hum… HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAÇKHSDÇALSHDÇLASHDÇLASHLDAS

UPDATE URGENTE
Vejam AGORA MESMO as fotos desse acontecimento bizarro no
Blog do Comedor de Baratas!!!!!!!!!

A segunda profecia de Balaão (Números 23:13-26)

Vamos refrescar a memória: no último capítulo — lá se vão dez dias — Balaque levou Balaão até um lugar de onde ele poderia ver uma parte dos israelitas, para que os amaldiçoasse. Mas tudo deu errado e Balaão acabou fazendo uma profecia muito favorável aos hebreus. Certo de que isso acontecera porque Balaão ficara intimidado diante da quantidade de israelitas, dessa vez Balaque o levou até o alto do monte Pisga, de onde poderia ver apenas uma pequena parte do acampamento, e pediu para que os amaldiçoasse.
— E vê se faz direito dessa vez, Balaão.
— Ô, seu Balaque, o que eu fiz não foi de má vontade não. Por mim eu mandava esses cabras da peste direto pro inferno. Mas é aquele negócio que eu te falei, eu só posso dizer o que Javé manda. Olha, eu vou ali dar uma ligada pra ele pra ver se dá pra gente resolver isso, tá bom?
— Que remédio?
Balaão ligou para Javé e descreveu a situação.
— Balaque ainda quer que você amaldiçoe meu povo?
— Pois é, Javé.
— Mas quanta teimosia! Balaão, anota aí as estrofes que você vai cantar dessa vez.
Balaão anotou verso por verso e voltou para onde Balaque estava. Olhou bem para o acampamento dos hebreus, afinou a viola, limpou o gogó e entoou as décimas:

Balaque, ouça com atenção
O que agora vou dizer
Ouça com raiva ou prazer
Mas guarde no seu coração:
Não posso jogar maldição
Sobre quem deus abençoou
Por isso agora aqui estou
Para outra vez lhe afirmar
Que Israel vai prosperar
Assim Javé determinou.

Javé não é um ser humano
Que promete e logo esquece:
O que ele estabelece
Acontece sem engano
Ele é deus soberano
Tirou seu povo do Egito
De um jeito tão bonito
Que ao mundo espantou
Foi o que ele me falou,
Eu apenas retransmito.

Marcha o povo de Israel
É mais forte que o leão
E nenhuma maldição
Pode contra esse tropel:
Entre areia, vento e céu
No meio do deserto exangue
Vêm Moisés e sua gangue
Os tais filhos de Jacó
Dos inimigos não têm dó
Devorando-lhes o sangue.

— Que porra foi essa agora, Balaão?
— Gostou não, foi?
— É CLARO QUE NÃO! Você não querer amaldiçoar os caras, tudo bem. Tá certo que eu te paguei para isso, mas vá lá. Mas também não precisa puxar o saco dos israelitas na cara dura!
— É, Balaque. Posso fazer nada não. Os versos são de Javé, eu só canto.
— Ai, meu saco… Puta que pariu! Balaão, será que a gente pode tentar mais uma vez?
— Custa nada, né?
— Então vamos.

Para encerrar (de verdade!)

Email que eu recebi da Isabel, garota genial que trabalha aqui e se expressa muito melhor do que eu:

Não, não acredito em Deus, nem em espíritos, nem em manifestações paranormais. Acreditar nesse tipo de coisa não é lógico para mim e me parece um pensamento bem primitivo. Mas tenho algumas hipóteses para muitos Nele acreditarem. O primeiro motivo é a dificuldade que o ser humano tem em enfrentar a solidão. Vi a frase do Sartre no Chicoteia (“Deus é a solidão dos homens) e me lembrei de um poema de Drummond,“Noturno”, onde o eu-lírico é um garoto que, ao ir deitar-se, pede “abenção” aos pais repetidamente para saber que não está sozinho; os pais respondem até perderem a paciência e acabam reprimindo o garoto. A última estrofe é a seguinte:

“(…)
Que noite mais comprida desde que nasci.
Viajando parado. O escuro me leva
sem nunca chegar. Sem pedir abença
como vou saber que não vou sozinho?
Que o mundo está vivo? Abença papai,
abença mamãe. Mas falta coragem
e peço pra dentro. Dentro não responde.”

Quando li isto, me lembrei da primeira dificuldade que passei depois de me tornar atéia. Falei: “Ai, meu Deus, bem que Você… Peraí, tá lôca, Deus não existe. Se Ele não existe, estou só”. Tive uma sensação de solidão terrível e também tive uma noite comprida. Isto é a reação o indivíduo que se depara com a realidade : o “eu e o mundo” e nada mais. A partir da leitura de “Noturno”, entendi o melhor o que significa ser gauche. Por diversos motivos, eu sou gauche, você, Poke, é gauche. Alguns nos desdenham, outros se abalam com algumas idéias e se alienam ainda mais por quase concordarem conosco, outros tentam nos converter e por aí vai. Se tem gente que não leva a sério o fato de Drummond ser ateu, o que será de nós, pobres mortais?

Segundo motivo: a humanidade não está preparada para encarar a liberdade e diversidades culturais. Creio que o mundo é movido pela vontade humana e a crença em Deus é um grande inibidor de vontades. Vontades boas ou más, não importa. “Se você fizer isso, Deus castiga”; “Isso é pecado”. É só lembrar dos Sete Pecados Capitais; se, por exemplo, alguém quer comer até enfartar qual é o impacto disso para o resto da humanidade? Se “A” quer cobiçar a mulher de “B”, …?, quem sabe os três entram num acordo: de segunda a quarta a fulana fica com “A”, de quinta a sábado com “B” e de domingo ela vai para a balada sozinha. Se não somos nenhum dos três envolvidos, temos algo com isso? Não matar é apenas questão de bom senso, esperteza, alguém gostaria de estar andando e vupt!, já era? Claro que não, portanto um consenso foi o óbvio.

O terceiro motivo é ter para quem empurrar responsabilidades. Se se pode falar: “É pobre porque Deus quer”, “Morreu porque Deus quis”, “Essa foi a vontade de Deus”, “Isso é castigo de Deus, a gente não pode fazer nada”, “Deus escreve certo por linhas tortas”, por que alguém se preocuparia com a miséria alheia e/ou com fracassos pessoais? Mas não serei injusta, se algo que naturalmente daria certo, dá certo, alguém agradece: “Graças a Deus!”.

Também há aqueles que acham bonitinho acreditar em Deus, anjos, arcanjos, santos… Outros querem se garantir: “E se Ele existir de verdade? É melhor não arriscar”.

Quanto às manifestações paranormais, certa vez vi um documentário sobre um mágico que enganou uma equipe de psicólogos paranormais de uma universidade norte-americana por três anos, ele não agüentou mais e resolveu contar à equipe que estava pregando uma peça e mostrou como criava suas “manifestações paranormais”. Há pouco tempo, ouvi um caso de uma mulher que olha para as pessoas que vão procurá-la e começa a dizer nomes de pessoas e fatos que estão relacionados às últimas. Creio que essa mulher tenha alguma sensibilidade às ondas celebrais ou seja lá o que for. Afinal, nosso cérebro emite impulsos elétricos que de alguma forma são decodificados pelo organismo. Hoje saiu na folha que “Cientistas suíços e espanhóis estão desenvolvendo uma cadeira de rodas controlada pela mente, a fim de dar mais independência a pessoas com capacidade de movimento muito limitada, como pacientes com paralisia”. Mágica? Tecnologia alienígena? Atividades Poltergaist?

Respeito visões diferentes da minha, não me importo se as pessoas acreditem nisto ou naquilo, não me sinto ofendida quando dizem “Deus te abençoe”, “Fui na igreja e pedi por você”, e etc porque estão desejando, a maneira deles, uma coisa boa, e até agradeço. Só não admito que atribuam minhas conquistas a “Ele”. “Graças a Deus”, “Foi Deus quem te iluminou”… uma vez tudo bem, duas, suportável, três, no limite, quatro: “Se Deus tivesse algo a ver com isso, não precisaria ter feito nada, apenas esperar que ele fizesse.” Sabe aquela epidemia de cegueira branca? Estamos precisando de uma destas.

Não posso dizer que a minha verdade é Absoluta, da mesma maneira que aqueles que acreditam em Deus também não podem dizer que estão corretos. É esta minha maneira de ver o mundo e me sinto mais sincera comigo sendo cética e atéia.
Mas os crentes têm razão, falta algo na vida dos ateus e dos céticos: “paranóia ou mistificação?”

Eu e minha grande boca

Puta que pariu. Fui chamar nego de covarde e acabei ofendendo meu melhor amigo e amante. Lelê, mil perdões. Só depois do seu comentário me dei conta que você foi o cara que disse que a discussão não leva a nada. Nisso que dá ler os comentários com pressa. E isso muda tudo porque, como você bem observou, eu o conheço muito bem e sei que você não é de fugir nem de discussão nem de nada.
Será que você me desculpa? Será que você ainda me ama?

Encerrando o assunto (por hora)

Para quem diz que acredita em deus porque sente que ele existe: Às vezes, naquele período entre a vigília e o sono, sinto que estou caindo. Todo mundo sente isso. Acredita-se que essa sensação é herdada de nossos ancestrais remotos, cuja sobrevivência dependia em grande parte de manter um medo constante de cair da árvore, mesmo durante o sono. Há ocasiões em que ouvimos claramente alguém chamar nosso nome, mesmo que sozinhos no recinto. A não ser que sejamos extremamente crédulos, concluiremos que isso é o cérebro nos pregando peças. Convulsões originadas no lobo temporal podem fazer com que você sinta cheiros ou sabores estranhos, ou tenha uma persistente sensação de dejá-vu.
São apenas alguns exemplos de coisas que sentimos mas que não existem.

Covardes

O antepenúltimo post deu o que falar. Ainda bem, seria muito triste para mim se todos se furtassem ao debate. Agora, uma coisa que me irrita é nego que vem com papo de “religião não se discute”, “essa discussão não leva a nada”. Porque, com UMA exceção entre mais de 70 comentários, o debate nascido da minha pergunta manteve-se num excelente nível. Querer fugir da questão, portanto, é só uma manifestação de covardia. Não adianta comparar com futebol. Eu torço pro São Paulo e acabou, ninguém vai me convencer a torcer pra outro time. O contrário acontece com minhas concepções espirituais, que já mudaram várias vezes e podem (e devem) mudar mais ainda no futuro, o mesmo tendo acontecido com minhas convicções políticas. Então, meu povo, vamos largar de cuzice e encarar tais questões como adultos que fingimos ser.