Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Balaão, a jumenta e o anjo (Números 22:22-41)

Não. Ao contrário do que o título possa sugerir, este NÃO É um capítulo sobre bestialismo e pederastia. Parem de pensar besteira e prestem atenção na história.
Conforme vimos no último capítulo, no fim das contas deus autorizou a Balaão que fosse com os moabitas. E lá foi ele montado em sua jumenta Josefina. Só que aconteceu um negócio meio chato: Javé encheu a cara de licor de jenipapo, esqueceu-se que tinha deixado o cara ir, e ficou muito puto. Não é a primeira vez que ele apresenta esse comportamento deplorável: quando Moisés saiu da casa do sogro para voltar ao Egito e cumprir a missão que lhe fôra determinada, deus também encheu a cara e quase matou o pobre gago. Dessa vez foi igual. Só que ele não conseguia nem ficar em pé, então mandou um anjo para encontrar Balaão no caminho.
E lá foi o anjo, voando com seu GPS na mão até encontrar o profeta na estrada, dormindo no lombo da jumenta. Então o anjo postou-se no meio do caminho. Balaão não viu nada, claro, mas a pobre da Josefina assustou-se e saiu da estrada, enfiando-se numa plantação. A saída da estrada causou um tranco que acordou Balaão. O profeta ficou puto:
— Ô jumenta filha da peste! Quem foi que mandou você sair da estrada? Quem foi?
E deu várias bordoadas na Josefina que, resignada como é da natureza asinina, voltou para a estrada sem reclamar. O anjo ficou puto com o contratempo e voou para outro ponto da estrada, onde o encontro fosse inevitável, e Balaão, é claro, dormiu de novo. O anjo ficou em pé num ponto do caminho entre duas plantações de uvas, que tinha um muro de cada lado. “Ah, dessa vez ele me vê”. Qual o quê! Dormia feito uma pedra enquanto a jumenta, mais uma vez assustada pelo anjo, começou a andar rente ao muro para tentar desviar-se dele. Balaão, sentindo a perna prensada contra o muro, acordou de novo, mais furibundo ainda. Desmontou e começou a xingar e bater na jumenta — “Ô Josefina feladaputa sem-vergonha mal parida!” — infelizmente de costas para o anjo, que apenas balançou a cabeça com ar impaciente e foi procurar um lugar melhor do caminho.
Balaão montou de novo e prosseguiu viagem resmungando contra a jumenta. Em pouco tempo, embalado pelos próprios resmungos, pegou no sono de novo. O anjo, por sua vez, havia se colocado numa parte estreita do caminho, por onde só passava mesmo a jumenta. Ao ver o anjo pela terceira vez, Josefina pensou “Puta merda, é hoje…” e deitou-se no chão. Balaão saiu do sério de vez:
— Ô JUMENTA DESGRAÇADA DA PESTE DA MOLÉSTIA DO CÃO! Ô JUMENTA AMALDIÇOADA! JUMENTA SEM JEITO! ARRE ÉGUA!
— Égua não. Jumenta. Mais respeito, por favor.
— !!!
— Balaão, que te fiz eu para ser tratada de forma tão cruel? Já me surraste três vezes, e proferiste inúmeros impropérios. Que pretendes com tal atitude?
— Er… Josefina… Desde quando você fala?
— Não vem ao caso. Responda-me, Balaão.
— É que você tá esquisita que só a gota hoje, Josefina! Eu juro por tudo que é mais sagrado que se eu tivesse uma esmada espada aqui, enfiava ela no teu bucho.
— Balaão, não tenho te servido por toda vida? Alguma vez apresentei comportamento estranho ou bizarro?
— Não…
— Então olha atrás de você, paspalho.
Balaão olhou e levou um susto danado ao ver o anjo em pé no meio do caminho, esmada espada na mão.. Caiu de cara no chão, implorando piedade. O anjo nem deu bola:
— Balaão, cê tá doido? Por que bateu na pobre da jumenta, uma bichinha tão leal e trabalhadeira, e além de tudo inteligente pra danar? Ela estava agindo de forma estranha por minha causa, porque eu fui mandado pra te matar. Aliás, se ela não tivesse me visto, cê já tava morto a essa hora.
— Mas… Mas Javé disse que eu poderia seguir viagem desde que fizesse apenas o que ele mandasse.
— Falou é?
— Falou. Aqui, ó.
— Rapaz, que negócio estranho… Olha, cá entre nós: O hômi tá num fogo só.
— E é? Foi o quê? Licor de jenipapo?
— Foi.
— Homem rapaz, licor de jenipapo é o cão!
— Pois é. Peraí que eu vou ligar pra ele… Aham… Alô. Senhor? Sou eu. Eu, o anjo que o senhor mandou pra matar o Balaão… Não, Bambalalão não. BALAÃO… Sim, mandou… Ah é? Sei… Sei… Tudo bem… Tá certo… Tá certo… Pode deixar… Sei como é… Toma um café forte e vai se deitar, é o melhor que o senhor faz. Tá bom… Tá… Tchau. É, Balaão, ele se confundiu um pouco. Tá mamado, coitado. Cê pode seguir seu caminho e fazer o que Javé mandar.
Que beleza! O cara esquece da ordem que deu e por isso quase mata um inocente. Não fosse a Josefina, que com ser leal à toda prova ainda era arretada de inteligente, a história de Balaão terminava aqui mesmo. Mas graças a Josefina ele seguiu viagem e chegou bem ao palácio de Balaque, que veio recebê-lo:
— Bambalalão!
— Balaão, majestade. Meu nome é Balaão.
— Sim, sim, que seja. Por que você não veio da primeira vez que eu mandei te chamar, rapaz? O assunto é urgente! Será que você achou que eu não teria condições de te pagar bem?
— Ô seu rei, eu tô aqui, não tô? Então pronto, não vamos revirar esse assunto, que negócio assim é feito merda: quanto mais a gente cutuca, mais fede. Vim pra cá, é isso que importa. Mas ainda não garanto que vá ser de grande serventia pro senhor não. Só vou poder dizer o que Javé ordenar.
— Javé?
— O deus dos israelitas.
— DOS ISRAELITAS??? Cê tá do lado deles, Balaão?
— Tô do lado de ninguém não senhor. É uma história comprida demais, deixa isso pra lá. Vamos logo com isso, vamo simbora, vamo simbora, vamo simboooora!
Diante da impaciência de Balaão, o rei Balaque tratou logo de começar os preparativos para a mandinga contra os israelitas, começando por ir com o profeta até a cidade de Huzote para oferecer sacrifícios de touros e ovelhas a seus deuses. Balaque deu um pouco da carne sacrificada a Balaão e aos mensageiros que haviam ido buscá-lo.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas as coisas não aconteceram de acordo com os planos de Balaque. Como veremos no próximo capítulo.

Frase do dia

“Quando você entra numa livraria, pega a primeira porcaria de auto-ajuda na mão e compra, ALGO ESTÁ MUITO ERRADO COM VOCÊ.”
(Renata Oxendorff, mulher linda e com tutano)

Explicando mais

O Sandrus levantou uma boa questão: se há trechos chatos na Bíblia, por que não ignorá-los simplesmente? Faz todo o sentido do mundo. Só tem um detalhezinho: EU SOU OBSESSIVO-COMPULSIVO, CARALHO! Se eu pular um capítulo que seja, vou me sentir mal, não vou conseguir dormir, vou entrar em profunda depressão.
Pronto, chega de explicação. No próximo post, a história de Balaão e sua jumenta, um capítulo muito… Ô, minha senhora! Já vai embora tão cedo?
— Claro que vou embora! Não vim aqui para ser chamada de jumenta por um heregezinho sem vergonha!
Não, senhora! Eu falei de Balaão e sua jumenta. Sua dele, entendeu? É a jumenta do Balaão.
— Ah…
Eu jamais chamaria a senhora de jumenta.
— Oh, me desculpe.
De porca, talvez. Ou de anta.
— ADEUS!
Hehehe…

Ilha das Flores

Quando eu falei d’O Homem que Copiava, a Luise mencionou o documentário Ilha das Flores, também do Jorge Furtado. Eu pensava que não tinha visto o documentário, mas vi sim, há anos. Lembro-me da Bárbara ter falado nele algumas vezes. E hoje o Criso fez o favor imenso de me apresentar o site Porta Curtas, que tem vários curta-metragens brasileiros, inclusive o Ilha das Flores. Excelente, maravilhoso. Vejam aqui.

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Olha que bonitinho: agora na caixa de comentários, além do botão “Chicoteia” para enviar o comentário, temos um botão “Como fica?”. E adivinhem para que serve? Isso, garotada esperta! Serve para você ver como vai ficar seu comentário ANTES de enviá-lo. Não é legal? Não é bonito? Não é supimpinha? É! Então testem pra mim!
\O/

Explicação (sei lá pra quê)

Eu não sei por que ainda insisto em explicar essas coisas de quando em vez. Há em mim uma esperança absurda de um dia vocês entenderem. Sei lá, deve ser masoquismo. Mas vamos lá.
Seguinte: O foco deste blog é e sempre será a sátira bíblica. TODO O RESTO é acessório, é exercício de estilo ou encheção de lingüiça entre um capítulo e outro. O negócio é que esses penduricalhos atraem muita gente: há leitores que não lêem os capítulos bíblicos, só o resto. Não me perguntem por quê. Só sei que acontece, paciência.
E então vem nego me dizer que o Gênesis foi legal, o Êxodo também foi até certo ponto, depois decaiu, que o Levítico foi uma merda e que as coisas deram uma melhorada no livro dos Números, embora a qualidade dos capítulos varie. E eu sei disso, oras! Acontece que FILHO DA PUTA NENHUM leu os capítulos originais para comparar. Se alguém tivesse essa curiosidade, notaria que a qualidade dos capítulos que eu escrevo depende muito do material original. O Levítico, por exemplo, é chato, repetitivo, moroso. Mas eu me propus a escrevê-lo, e o fiz. E fiz o melhor que podia com aquele lenga-lenga de rituais e leis. O 12º capítulo do Levítico, por exemplo, é assim:

FALOU mais o SENHOR a Moisés, dizendo: 12:1
Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se uma mulher conceber e der à luz um menino, será imunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade, será imunda. 12:2
E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio. 12:3
Depois ficará ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; nenhuma coisa santa tocará e não entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação. 12:4
Mas, se der à luz uma menina será imunda duas semanas, como na sua separação; depois ficará sessenta e seis dias no sangue da sua purificação. 12:5
E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado, diante da porta da tenda da congregação, ao sacerdote. 12:6
O qual o oferecerá perante o SENHOR, e por ela fará propiciação; e será limpa do fluxo do seu sangue; esta é a lei da que der à luz menino ou menina. 12:7
Mas, se em sua mão não houver recursos para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois pombinhos, um para o holocausto e outro para a propiciação do pecado; assim o sacerdote por ela fará expiação, e será limpa. 12:8

E eu transformei nisso:

— Muito bem, muito bem, vamos em frente. Purificação de mulé recém-parida.
— Que linguagem é essa, Javé???
— É pra quebrar o gelo, Arão. Porra. Javezinho Paz e Amor, lembra? Hum… Bom. Tá aqui, ó: Quando a mulher parir um moleque, ficará impura por sete dias. Aliás, o mesmo vale para o período menstrual. Mas estamos falando de parto: Sete dias. No oitavo dia, o menino será circuncidado. E depois a mulher ainda ficará impura por mais trinta e três dias, por causa da perda de sangue durante o parto. Durante todo esse tempo ela não poderá tocar em nada sagrado, nem ir até o Tabernáculo.
— P-pô, Ja-Javé, q-quarenta di-dias i-impura? N-não é e-exagero n-não?
— Claro que não, ainda tá bom demais! Ruim mesmo é se parir uma menina: A mãe será impura por 80 dias.
— Pô, sacanagem. Isso aí é discriminação, Javé.
— Discriminação, Arão? DISCRIMINAÇÃO? Escuta aqui, eu tinha um belo plano para a raça humana quando criei essa porra toda. Estava tudo certo, tudo perfeito. Aí veio o Adão: “Pô, deus, bem que cê podia me arrumar uma mulézinha, essa vida de punheta não e mole”, aquele nhenhenhém todo. Pois eu fui lá e fiz a vontade do cara: Arranquei uma costela dele (com anestesia, vejam bem!) e fiz uma puta mulé gostosa pra ele. Aí cês sabem o que aconteceu, né? Uma cobra ofereceu maçã pra vagabunda, ela ofereceu pro Adão e pronto: Lá se foram meus planos.
— Porra, Javé, quem mandou inventar uma regra tão esdrúxula também? “Não comam do fruto dessa árvore”… Não seria melhor nem ter plantado a árvore?
— Ah, Arão, não discute comigo. Eu faço as regras. E por causa de uma lambisgóia qualquer, minhas regras foram quebradas e tive que ter essa trabalheira toda de escolher um cara para ser o pai de uma nação, para eu tirar essa nação da escravidão, depois criar toda uma série de rituais para diferenciá-la das outras. Um inferno a minha vida, graças a uma mulher. ODEIO MULHER!
— Hu-hum, sa-santa…
— Falou alguma coisa, Moisés?
— E-eu? E-eu n-não…
— Então me deixa continuar: Depois do tempo de purificação, a mulher trará até o Tabernáculo um carneirinho de um ano e um pombinho ou rolinha para oferecer como sacrifício. Se a miserável não tiver dinheiro pra comprar um carneirinho, pode trazer duas aves e tá tudo certo. Anotaram aí?
— Tudo anotado.
— Então esperem que eu vou ali tomar um pouco de ar e esfriar a cabeça. Falar de mulher me deixa com raiva. Quando eu voltar a gente continua.

Nem se compara a algum capítulo do Gênesis, nem mesmo ao mais recente do livro dos Números. Mas, puta que pariu, eu tive que tirar leite de pedra! Fazer graça com a história de Balaão qualquer um faz, a história já é engraçadíssima no original. Eu quero ver é nego ver alguma graça nas cerimônias de purificação da mulher após o parto.

Choro Bandido

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons

(Chico Buarque – Edu Lobo)

Ah, Maryeva…

Bem nos primórdios do JMC, utilizei-me desta foto com o mesquinho intuito de obter audiência. Não adianta procurar o post: naquela época eu APAGAVA os posts que não tinham a ver com a Bíblia uma semana depois de publicados. Não, eu não sei por quê. E também não importa. O importante é que era uma foto da bunda da Maryeva. E hoje recebi uma notícia que me deixou muito feliz:

MARYEVA NA PLAYBOY!


Sou um homem feliz.
E punheteiro é teu pai.