Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Porcas no cio

Comentários do penúltimo post:

“Eu li uma vez na Scientific American (ed. Brasil) que chegaram a cogitar desses círculos serem feitos por “porcas no cio”… agora não me pergunte como…”
(Lelê)

“… agora eu gostaria imensamente de saber como porcas no cio fariam os citados círculos.”
(Tonon)

Pois eu também não sei, e apelo para a criatividade dos meus leitores: Como é que porcas no cio podem produzir círculos nas plantações, círculos tão perfeitos a ponto de serem atribuídos a algum tipo de inteligência extraterrena? Repostas nos comentários.

Praia

1E o nazareno, tendo subido ao Gólgota, deixou cair ali o pesado madeiro. 2 E em seguida deu um tapinha no ombro do centurião romano, assim dizendo: “Bom, encomenda entregue. Até mais, então”. 3 E após estas palavras o Nazareno atravessou a multidão, ante seus discípulos atônitos, para os quais murmurou, em voz baixa: “Encontro vocês lá no Jerusalem Inn, às seis, pro ensaio”.4 Ora, o centurião romano pegou o nazareno pelas vestes e o arrastou de volta ao madeiro. 5 E o nazareno bradava, enquanto era arrastado: “Não precisa assinar nota fiscal, é delivery free-of-charge!” 6 E enquanto era deitado no madeiro, o nazareno praguejou: “Putz, devo ter jogado pedra na cruz!” 7 E quando o verdugo foi perfurar seus pulsos, o nazareno manteve a mão fechada e murmurou: “Estou contigo e não abro!” 8 E, tendo erguido o madeiro, o centurião ofereceu ao nazareno um cálice com mirra, para mitigar a dor. 9 O nazareno provou, cuspiu e bradou: “Putz, devo ter bebido cachaça no cálice sagrado!” 10 E na hora sexta, o nazareno olhou aos céus e clamou: “Pai, por que me desamparaste?” 11 E nisso uma voz vinda dos céus falou como mil trovões: “Tu tens 33 anos e ainda moras com tua mãe – ainda querias que eu não te cortasse a mesada?” 12 E a voz dos céus, após uma breve pausa, prosseguiu: “Um momento – não és Yeshua, o carpinteiro?” 13 E o nazareno, exangue, respondeu: “Não, sou Yehuda, o coletor de impostos.” 14 A voz nos céus assim disse, então: “Putz! Confundi ano sabático com ano fiscal. Foi mal, aí.” 15 E a terra tremeu.

Não, eu não escrevi isso. Não tenho talento para tanto. Isso é coisa do Nelson, mais novo profeta da casa. O cara mata a pau.

É cada uma…

Durante muito tempo foi moda falar dos misteriosos círculos nas plantações. Começaram na Inglaterra e depois de um tempo começaram a aparecer em vários países. Foi um mistério por anos, houve todo tipo de especulação sobre ETs e vários cientistas pareciam simpáticos a esta explicação. Todo mundo passou vergonha, no entanto, quando os responsáveis vieram a público explicar como faziam os tais círculos. Tudo muito simples, na verdade: só precisavam de cordas e algumas pranchas de madeira.
Anos depois do desmentido, porém, o assunto ainda rende, tendo ganhado especial destaque com o excelente filme Sinais, de M. Nigth Shyamalan. Ninguém deveria mais levar a sério o aparecimento dos “misteriosos” círculos, mas há gente que leva. O pessoal do Terra, por exemplo.
Oras, por favor! Não quero que ninguém seja ateu como eu, muito pelo contrário. Mas que mal há em se exercitar um certo ceticismo? Sites como o do Projeto Ockham são praticamente desconhecidos, enquanto outros, de astrologia ou ufologia recebem patrocínio dos grandes portais. Há algo de errado num mundo em que, cercadas de ciência por todos os lados, as pessoas ainda se apegam a tantos e tamanhos absurdos.

Boas novas

Fiz uma mudança no sistema de notificação por e-mail. Como vocês podem ver ali sob o título “Boas Novas” (barra da direita, porra!), agora há uma opção para remover o endereço de e-mail da lista. Legal, né?

Balaque envia mensageiros a Bambalalão, digo, Balaão

(Números 22:1-21)

Depois de toda a carnificina, o povo de Israel partiu e acampou nas planícies de Moabe, a leste do Jordão, na mesma latitude de Jericó, que ficava do outro lado do rio, já na Terra Prometida. Quando o rei de Moabe — Balaque, o nome dele — soube que os israelitas estavam em seu território, cagou-se de medo. Ele, é claro, já sabia da destruição causada por aquele povo no território dos amorreus. Naquela época os moabitas estava aliados aos vizinhos midianitas, então os líderes se reuniram para decidirem o que fazer:
— Nós estamos fodidos. FODIDOS!
— Caaaaaaaalma…
— CALMA O CARALHO! Com esse povo aí não tem conversa, eles chegam matando, não querem nem saber.
— Ah, mas isso foi com os amorreus. Aliás, cê soube que os amorreus mudaram de nome?
— Mudaram?
— É. Agora são os já morreus. PESCOU? PESCOU? JÁ MORREUS!
— Calaboca, porra! A gente aqui nesse perrengue e você me vem com piadinha sem graça? Esse povo aí vai fazer com a gente o que o boi faz com o pasto!
— Tá bom, Balaque. Então o que é que você propõe?
— Sei lá, sei lá! Os amorreus eram mais fortes que nós e se foderam na mão desses caras. Imagina só o que eles vão fazer com a gente… Acho que o jeito é apelar pra mandinga.
— Porra, não é pra tanto.
— Estamos desesperados, admita!
— É… Estamos. Então o que você quer? Que chamemos o…?
— Sim senhor. Só Bambalalão pode nos ajudar.
— Balaão.
— Que seja.
Muito bem, então o jeito era chamarem Balaão. Balaão era um profeta sergipano, e repentista nas horas vagas. Morava na cidade de Petor, perto do Rio Eufrates, na Mesopotâmia. Para vocês terem uma idéia do desespero de Balaque (e da fama de Balaão): o território de Moabe era um pedaço da atual Jordânia, perto da fronteira com Israel e com a Síria. Balaão morava onde hoje fica o Iraque, cerca de mil quilômetros a leste de onde morava Balaque. Mesmo assim (e sendo provável que houvesse vários outros profetas em Moabe e nos territórios vizinhos), Balaque mandou mensageiros a Balaão, lá na casa do caralho. Depois de alguns dias de caminhada, chegaram à casa de Balaão:
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Podemos entrar?
— Não reparem a bagunça.
— Seu Bambalalão?
— Balaão, um seu criado.
— Ah, desculpe.
— Tudo bem, seu menino. Todo mundo confunde.
— Imagino. Pois então, Seu Balaão.
— Precisa me dar senhoria não, rapaz. Queisso! Me chama só de Balaão. Ou de Bala.
— Então, Balaão. Viemos da parte de Balaque, rei de Moabe. Conhece?
— Já ouvi falar.
— Pois então. Ele manda dizer que um povo inteiro saiu do Egito e está espalhado por todo canto. Pior: agora foram morar perto da gente. E estamos com medo deles.
— Sei, ouvi falar desse povo aí. Hebreus. O deus deles é gente boa.
— Você conhece o deus deles?
— Claro! Rapaz, eu sou um profeta arretado de bom, não sou aqueles mequetrefes que vocês têm lá em Moabe não! Conheço tudo quanto é deus que tem por aí, inclusive o dos hebreus, Javé. Meio nervosinho, mas uma boa companhia. Ele vem pra cá, a gente conversa um bocadinho, ele senta ali na rede, fica fumando um baseado, eu fico aqui tocando minha violinha, ele pede umas músicas. Gente boa mesmo.
— Bom, acho que isso facilita as coisas. Porque, como eu dizia, estamos com medo dos israelitas.
— Sei, sei. Mas o que vocês querem que eu faça, se mal lhes pergunto?
— Queremos que você vá até lá e amaldiçoe os israelitas.
— Amaldiçoar, é?
— É. Sabemos da sua fama, Balaão. Sabemos que se você os amaldiçoar teremos uma chance.
— Sei. E tem um dinheirim nisso aí?
— Claro, claro! Tá aqui, ó.
— Deixa eu ver… Hum… É, dá pras despesas da viagem e pra um licorzinho de jenipapo.
— E então, Balaão? Você vai com a gente.
— Olha, rapaz, vamos fazer o seguinte: vocês passam a noite aqui comigo. Hoje à noite Javé deve vir aqui, fiquei de entregar pra ele uma garrafada de catuaba com capim-santo. Aí eu falo com ele a respeito, talvez nem precise ir com vocês.
— Tá bom então, Balaão.
Os mensageiros de Balaque ficaram por ali. À noite, deus foi à casa de Balaão.
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Tudo bem aí, Balaão?
— Tudo daquele jeito, Javé.
— Fez minha garrafada?
— Fiz sim. Tá aqui, ó. Não vá exagerar, um golinho por dia já tá bom demais.
— Beleza… Tá com visita, é?
— Pois é, rapaz… Moabitas, midianitas, aquela gente lá.
— Vixe, vieram de longe. Que que eles querem?
— Querem que eu vá com eles pra amaldiçoar um povo que saiu do Egito e está por lá agora.
— Que povo? Os israelitas?
— Esses aí.
— O MEU povo, Balaão?
— É.
— E você vai fazer o que eles pedem?
— Pois é, isso é que eu queria perguntar pra você. O pagamento é bom, olha só. A gente pode repartir meio-a-meio…
— Sei não, Balaão… Trabalheira do cão conduzir esse povo por quarenta anos pelo deserto, para agora entregá-lo assim? Justo agora que estão tão perto do objetivo? Sei não… Vai ficar parecendo o time do Santos.
— Sei como é, Javé. Então o melhor é eu não aceitar a oferta deles?
— É isso aí.
— Então estamos conversados.
— Você é um bom homem, Balaão.
— Não por isso.
Na manhã seguinte Balaão serviu um café reforçado para os mensageiros (com inhame e tudo mais), devolveu o dinheiro e comunicou sua decisão. Abatidos, os mensageiros voltaram para Moabe e avisaram a Balaque que Balaão não quisera ir. Balaque, o Cagão, ficou mais desesperado ainda.
— Ai caralho! O cara não vem? Como assim, não vem???
— Pois é, majestade. Não quis vir não.
— Ô MERDA! Mas também, mandei uns zé-manés pra falar com o cara, claro que ele não se impressionou.
Então Balaque mandou outros mensageiros até Petor, dessa vez em maior número e importância.
— Ô de casa!
— Ô de fora!
— Balaão, viemos da parte de Balaque, rei de…
— Rei de Moabe, tô sabendo. Ele mandou outros sujeitos pra cá dia desses. Só que os carros deles não eram importados não…
— Er… Pois é, Balaão, é que Balaque quer MUITO que você venha nos ajudar, por isso nos mandou, os principais líderes de Moabe, para que falássemos com você.
— Sei. Mas eu já não disse que não vou, rapaz?
— Disse, disse. E respeitamos sua decisão! Mas não custa nada negociar, não é mesmo?
— Se você diz…
— Pois Balaão, o rei manda dizer que vai te pagar quanto você quiser, desde que você faça o favor de nos acompanhar até Moabe e amaldiçoar os israelitas.
— Rapaz, rapaz… Mesmo que Balaque me desse toda a riqueza de Moabe, eu não poderia fazer nada. Javé, o deus dos israelitas, me proibiu de amaldiçoar seu povo. E não sei se vocês sabem, Javé é um sujeito pedra noventa, mas o melhor é não contrariar ele. Vira bicho!
— Então tá, Balaão. Vamos voltar para nossa terra para sermos todos mortos.
— Ê, rapaz, pra que tanto drama? Olha, vamos fazer assim: hoje Javé vem aqui pra me trazer umas cordas pra viola que ele comprou na feira de Caruaru. Então passem a noite aqui e vamos ver no que dá.
Sem botarem muita fé, mas também sem alternativa melhor, os líderes ficaram na casa de Balaão. E naquela noite Javé veio de novo, e Balaão explicou pra ele o que acontecia.
— Eita, Balaão. Esses caras não desistem, né?
— Pois é, Javé. Pense nuns cabras desesperados! Me ofereceram tudo o que eu quiser como pagamento.
— Tudo o que você quiser?
— É.
— Rapaz, o tal Balaque tá mesmo com o cu na mão. Hum… Faz o seguinte: Se arruma e vai com eles pra Moabe. Mas só faça o que eu mandar, beleza?
— Tudo bem.
No dia seguinte Balaão comunicou sua decisão aos moabitas, que quase explodiram de felicidade. Só não o fizeram porque a moda dos homens-bomba ainda não havia chegado ao Oriente Médio. Brindaram ao sucesso de sua missão com licor de cupuaçu e começaram a se aprontar para a viagem de volta. Balaão também se aprontou, preparou sua jumenta e partiu com eles.
Balaão e sua jumenta protagonizarão um dos momentos mais engraçados e absurdos desse livro engraçado e absurdo que é a Bíblia. Mas fica para o próximo capítulo.

Explicação

Pronto, encontrei uma explicação. Sim, já se passaram os 40 anos de peregrinação pelo deserto. E esse pedaço de terra que os israelitas conquistaram ainda não é a Terra Prometida, mas sim uma base para os ataques futuros aos territórios a oeste do Rio Jordão (ver mapa), a verdadeira Terra Prometida. Ficou claro?