Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

Que feio!

Procure uma coletânea do Fagner com a gravação original da música Canteiros. Revire sua cidade. Venha a São Paulo e entre em cada biboca procurando a música. Você não encontrará. Uma das poucas músicas realmente boas do cara e não pode ser encontrada em lugar algum. Nem adianta procurar a edição remasterizada em CD de Manera Frufru Manera, disco de 1973 que continha a música: Canteiros foi limada do CD.
Eu passei por essa via crucis há uns anos. Encontrei numa loja em Guarulhos, de um maluco que fazia coletâneas em CD a partir de velhos LPs. Ele tinha Canteiros numa das coletâneas (uma bem ruinzinha, aliás), e me explicou o motivo do aparente boicote à canção: plágio. Sim, a letra era chupinhada de um poema de Cecília Meirelles. A família da poeta processou e a música foi riscada do mapa.

Mas por que estou falando isso agora? Simples: Fagner acaba de ser condenado em outro processo por plágio, dessa vez pela música As Penas do Tiê, também do disco Manera Frufru Manera.

Que feio! O melhor trabalho da carreira do cara contém PELO MENOS dois plágios! Eu sempre duvidei do talento do Fagner, mas achava que esse disco o redimia. Agora sou tentado a pensar que ele nunca teve talento mesmo. A não ser que mão-leve seja considerado um talento, claro.

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

(Carlos Drummond de Andrade)

Sim, eu sei que já postei esse poema. Mas é que o último post da Fer (cujo blog, aliás, tá de cara nova) me fez lembrar dele.

Sarcasmo

Fui dar uma olhada nos comentários do Emotionrélio e vi esse:

Pelo amor de Deus, QUE BLOG É ESSE? Achei muito original. Olha a minha cara de espanto!!!! Adorei!

Sarcasmo S.A.

Até agora não sei se devo ficar feliz ou não com o comentário. Um cara Uma mina (sou paulista, caralho) que assina como “Sarcasmo S.A.” só pode ter o intuito de confundir a mente das pessoas. Fui até o blog do cara da mina e é MUITO FODA. O último post, sobre o que acontece quando você procura “weapons of mass destruction” no Google, é um achado e tanto. E os banners? Puta que pariu!
Vou ler mais um pouco e depois mandar ali pros profetas. Apesar do sarcasmo.

Espuma

— Marco, o que você acha de terminar de pagar meu carro?
— Acho uma péssima idéia.
— Peraí, vamos negociar. Eu te dou o terreno na Serra dos Cristais.
— Aquilo não vale nada, pai.
— Mas tá valorizando! Tá valorizando!
Meu pai sempre tenta enfiar esse terreno da Serra dos Cristais em tudo que é negociação. Na época que eu namorava ele perguntou se eu não queria construir minha casa lá. A Bárbara não gostou muito da idéia, com razão: É um terreno no alto do morro, longe de tudo. Bom, de tudo não: é pertinho da cidade de Pirapora do Bom Jesus. Nomezinho bucólico, não? Pois é. Só que a cidadezinha sofre há anos com a espuma de detergente do rio Tietê. Lembro-me que quando meu pai comprou o terreno, em 1982, a espuma já estava lá. O vento que vinha do rio para a estrada trazia flocos de espuma suja, que grudava no pára-brisa dos carros. Era uma coisa nojenta de se ver.
Achei que esse problema não existisse mais, daí meu susto ao ver no Estadão esta semana as fotos da espuma invadindo Pirapora. Como bem reparou meu amigo Panda, as fotos parecem cenas de filme de ficção daqueles bem ruins. Uma cidade invadida pela espuma, que tipo de imbecil escreveria um roteiro desses? Pois não precisamos de roteiro nenhum, fica a apenas 54 quilômetros de São Paulo. O detergente é biodegradável mas, como diz a matéria, não se dilui em água sem oxigênio. E a água do Tietê — todo paulistano tem orgulho de dizer — tem nível ZERO de oxigênio.
Terreno na Serra dos Cristais? Melhor vender pra prefeitura de Pirapora. Porque logo logo eles vão ter que mudar a cidade para o alto do morro. Só assim para conseguirem fugir da espuma.

Sorte

Vocês viram o cara cujo pára-quedas não abriu, levando-o a enfrentar uma angustiante queda livre de 3.500 metros até ser amparado por uma mangueira e sofrer apenas algumas fraturas? Vai ter sorte assim lá na casa do caralho! Com minha saúde do jeito que está, sou capaz de morrer andando três quilômetros e meio, que dirá caindo