Chat
Bah. Sexta feira no meio do feriado, sei lá que porra estou fazendo no escritório. Hum… Que tal um chat? Vou criar a sala lá e já venho dizer o endereço.
senha:menininho
Chat do Jesus, me chicoteia!
Pffff…
Bah. Sexta feira no meio do feriado, sei lá que porra estou fazendo no escritório. Hum… Que tal um chat? Vou criar a sala lá e já venho dizer o endereço.
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Chat do Jesus, me chicoteia!
Pffff…
Se vocês prestaram atenção na história até agora — do que duvido — terão notado que as cerimônias de purificação até que eram bem simples: o cara tá imundo, toma um banho, lava a roupa que estiver vestindo e ao pôr-do-sol será considerado puro novamente. Fácil, não? Só que agora os israelitas vão passar 40 anos no deserto e deus não pára um segundo de pensar em atividades para manter suas cabeças ocupadas. E quando eu digo “suas cabeças”, refiro-me às cabeças dos israelitas, não às de deus. Se é que deus… Bom, vocês entenderam.
Neste capítulo, por exemplo, ele resolveu complicar o ritual de purificação inventando uma tal água especial a ser usada na cerimônia. E preparar a tal água não era tão fácil assim: o povo levaria ao sacerdote Eleazar (filho de Arão, vocês já deviam saber, tanto pelo nome do cara como pelo fato de todos os sacerdotes serem filhos de Arão, mas vocês não prestam mesmo atenção em porra nenhuma)… Onde é que eu estava mesmo? Eu sempre me perco nesses parênteses muito longos. Ah, sim! O povo levaria ao Eleazar uma vaca vermelha.
— Porra, cê se perdeu mesmo. Mané vaca vermelha!
É SÉRIO! UMA VACA VERMELHA! E uma vaca vermelha especial, que nunca tivesse trabalhado na lavoura, vejam só. A pobrezinha da vaca seria levada para fora do acampamento e sacrificada na presença de Eleazar. Feito isso, Eleazar pegaria o sangue com o dedo para borrifá-lo sete vezes na direção do Tabernáculo. Em seguida a vaca seria queimada juntamente com um pedaço de madeira de cedro, um galho de hissopo e um pedaço de lã vermelha. Feita esse despacho, Eleazar deveria tomar um banho e lavar as roupas para poder entrar no acampamento, ficando impuro até o pôr do sol.
E com isso deus mudou a cerimônia: A partir de então qualquer pessoa ou objeto que ficasse impuro por contato com um defunto deveria ser borrifado com a água da purificação, que nada mais era do que água misturada com as cinzas da pobre da vaca.
Pronto, basta de rituais. No próximo capítulo o bicho começa a pegar de novo.
Depois que quinze mil pessoas foram massacradas por causa de incenso, deus quis amainar um pouco o clima pesado falando em vara. Mas esse negócio das varas foi mal interpretado e só fez o povo ficar mais cabreiro, então deus resolveu que precisava repisar algumas regras e estabelecer outras. E aí vem mais um capítulo cheio de leis e rituais, aquela coisa chata que suportamos durante todo o Levítico e de que não conseguimos nos livrar totalmente no livro dos Números. Em resumo, as leis para os levitas e sacerdotes ficaram assim:
- Arão, seus filhos e todos os levitas seriam responsáveis pelo trabalho no Tabernáculo, mas só os sacerdotes pagariam o pato por qualquer cagada feita. Javé fez isso para evitar matar levitas toda vez que algo saísse errado na Tenda Sagrada. Porque se continuasse assim, logo logo ele ia ter que importar levitas
- Os levitas não deveriam chegar perto do Lugar Santíssimo do Tabernáculo (atrás da cortina) nem do altar
- Toda oferta que fosse trazida ao Tabernáculo e não fosse queimada seria dada aos sacerdotes. Isso incluía animais, cereais, azeite e vinho. Tudo do bom e do melhor.
- Os levitas (incluindo-se aí Arão e seus filhos, os sacerdotes) não podiam ter propriedades
- Os dízimos trazidos pelo povo pertenciam aos levitas. Só que tinha uma maracutaia aí: do que os levitas recebessem, deveriam dar dez por cento a Arão, um dízimo do dízimo. Então se um israelita tinha cem ovelhas e dava dez de dízimo, uma delas seria dada a Arão automaticamente e as restantes seriam dos levitas. Cheio de privilégios, esse Arão.
- Os outros israelitas não deveriam se aproximar do Tabernáculo. Isso foi determinado para evitar levantes e tentativas de tomada do poder no acampamento.
Basicamente é isso. Blablablá, chateação. O próximo capítulo também é chatinho, e depois as coisas voltam a acontecer. Tenham paciência.
É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho
Dorme, que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem
De repente, o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar
Um por quê que não tem fim
Um filho a quem só queria bem
E a quem só diga que sim
Dorme, menino levado
Dorme, que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem
Quando a vida, enfim, me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai sem cuidado
Dorme, que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter
(Toquinho/Vinicius de Moraes)
Para o Lelê. Força, meu velho.