Coisas escritas em
Amigos
Em dezembro de 2001, meu amigo Vitor Hugo mandou um e-mail para todos nós, os velhos amigos, que fez muito marmanjo chorar. Estava eu agora, ano e meio depois, organizando minha caixa de emails, e encontrei a mensagem dele e todas as respostas subseqüentes. Nem preciso dizer que tô chorando que nem uma puta arrependida na porta da igreja.
Uma das respostas foi minha. Eu pensei em postá-la aqui, porque expressa tudo o que eu sinto pelos meus amigos tão queridos. Aí pensei: Melhor não, o JMC não é pra isso, não é pra ficar de babação de ovo com uns e outros. Então pensei melhor: Foda-se. É meu blog. E no meu blog eu falo do amor que tenho pelos meus amigos o quanto eu quiser.
Muitos amigos novos surgiram de 2001 pra cá, portanto não estão incluídos no texto. Mas saibam que o sentimento que dele emana serve para vocês também, seus putos.
Aí vem a Loira. Puta que pariu. Brigamos toda semana, mas não tem problema, porque trocamos declarações de amor todos os dias. Essa Loira que tem o objetivo consciente de ser uma pessoa melhor sempre, e se já é tão amada por nós assim, imagine melhorando. Tudo isso e ainda é uma gostosa. Loira, nós te amamos. Vê se aparece com aquele shortinho um dia desses.
E agora fode tudo porque vem essa galera que eu conheço há onze anos e ainda estão comigo, contrariando toda a lógica: A Andrea, que é uma sobrevivente e também uma retardada, ambos adjetivos no bom sentido. A Drix, que me fez perder um tempão apaixonado por ela, puta merda, mas acabou se tornando uma grande amiga. A Catchu, que numa noite de ano novo eu fiquei bêbado na casa dela e acabei falando na frente da família que ela dava a bunda (nem sei se dá. Dá, Catchu?), uma amiga que suportou minhas lamentações por séculos, deve ser por isso que não manda mais notícias. A Fabi Domanoski, que é a pessoa mais inteligente que eu conheço, e que adora casar, além de ter dado ao Zezinho o apelido de Zezinho. O Gayzão, que casou, virou pai e sumiu, mas continua o mesmo Gayzão de sempre, com beiços enormes e coração maior ainda. O Marcio, outro responsável pai de família, que é o cara com quem sempre se pode contar, além de ter tido o casamento mais divertido do mundo. O Joe, que é o protótipo do filho da puta, sempre sacaneando todo mundo, moleque do caralho. O OTP, que dispensa apresentações, sua fama fala por ele, e é grande a sua fama, além de ter a voz da Nair Belo. A Graziela, que namora o OTP há mais de oito anos, porque depois dele homem nenhum teria graça mesmo. Ah, casamento dos dois em março, show! A Janice com seus peitos turbinados pela natureza, uma ex-bêbada mas permanente porra-lôca, que chora sempre que ouve “Todo Sentimento” do Chico Buarque, vai Jã: “Preciso não dormir/Até se consumar/O tempo/Da gente”. O Fleury, meu companheiro escritor, genial, brilhante, grande amigo, que sacaneava o Camarão na miúda pra não perder a carona. O Zezinho que, entre outras coisas, me arrumou até emprego, um desgraçado que apareceu no segundo ano não se sabe de onde e desde então anda com a gente, nosso emissário do inferno. O Vitor Hugo que sumiu por milênios, mas voltou para nos encher o saco, o que era inevitável, e que foi comigo pra trás da moita, que é uma história comprida. O Tonon, velho companheiro de viagens, o homem que fala várias línguas mas não adianta muito, porque só ele entende, e que sai de Pirituba toda semana pra ir me visitar no Jardim Três Marias, e que está chorando nesse exato momento, te conheço, Denis Tonon! O Risadinha, que era um ser detestável no primeiro ano mas tornou-se um cara legal quando contou a história do dadinho de amendoim, tentamos há onze anos nos livrar um do outro, sem conseguir, ainda bem. O Loxinha, que é um cara nervoso e isso é muito legal, e que me acudiu quando eu vomitei na frente da janela do Grupo Sergio da Rua dos Trilhos, além de imitar o Tim Maia pra me animar quando eu levei porrada. O Loxão, nosso soldado, que uma vez bebeu tanto que eu até precisei dar uma aspirina pra ele, e depois fiquei chorando, bêbado é uma raça do caralho mesmo. O Lelê, desde sempre meu amigo, que uma vez descobriu que eu tinha passado por problemas nos rins quando era criança, usando apenas um pêndulo pra isso, e que é o campeão mundial de rompimentos e reatamentos de namoro, estando agora noivo e mocinho casadoiro, Lelê que encerra esse parágrafo por ser uma espécie de resenha do que significa amizade na minha vida.
Faltaram dois? Pois é, irmão a gente não escolhe, mas os irmãos que eu tenho é como se eu tivesse escolhido. O Beto, que era pra se chamar Lindauro Junior, Ricardo ou Eduardo, mas que acabou sendo Roberto graças à minha teimosia, nasceu com cara de japonês e um olho menor que o outro, que fez tratamento de fonoaudiologia comigo (reparem que quando ele fala qualquer palavra com um “r” no meio dá uma vacilada, vai falar “prato” e fala “p’rato”, feito meu pai que vai falar “biblioteca” e diz “blinbiowtenwka”), que acabou virando maluco pra não ser um nerd feito o irmão mais velho, no que fez muito bem. E a Cristina que, se dependesse de mim seria Relssona, mas acabou virando Ana Cristina por causa da diplomacia do meu pai (eu sabia que ele preferia Ana Paula, por isso escolhi a outra opção, pra vocês verem como eu era já aos dois anos de idade), meu pai que endoidou quando ela nasceu e saiu gargalhando e distribuindo balas pela rua, que eu ensinei a andar e ela em troca me ensinou a amarrar o cadarço (mal e porcamente, porque até hoje não sei fazer essa merda direito), e que agora, quem diria, vai casar, estou mesmo ficando velho.
A todos vocês um beijo meu, o cara que virou depressivo e ateu, mas que mantém a fé na humanidade graças aos excelentes exemplares de seres humanos que são vocês, meus amigos.
Mais uma campanha que merece meu apoio
De Zero, O Louco:

Zero, mande-me um email. Preciso mandar pra você a ficha de inscrição, as regras da Panelinha e os rituais de iniciação.
Favorzinho
Alguém pode avisar à menina da torre que eu tenho pressão alta e, ao contrário do namorado dela, tô pouco me fodendo pra minha saúde? Porque se ela escrever mais alguma coisa linda pra mim, como o post de hoje, sou capaz de ter um aimeudeus.



