Fantasia
Às vezes eu me pego imaginando que um dia encontrarei uma garota legal, e que a coincidência ocorrerá, e que compartilharemos nossas vidas.
Aí eu me lembro do quanto eu ronco e volto à realidade.
Às vezes eu me pego imaginando que um dia encontrarei uma garota legal, e que a coincidência ocorrerá, e que compartilharemos nossas vidas.
Aí eu me lembro do quanto eu ronco e volto à realidade.
Pois então, fui até o Detran hoje novamente. Cheguei lá com minha calma habitual. Pouco antes da minha vez, a instrutora veio falar comigo:
— Marco Aurélio, você é o próximo.
— É, eu sei.
— Sabe? Não tá nervoso?
— Nervoso? Eu??? Pfffffff…
— Puta merda, cê veio ao mundo a passeio mesmo…
E mantive minha frieza e autocontrole por quase todo o tempo, só os perdendo na hora em que entrei no carro. Bobagem. As pernas tremiam, as mãos tremiam, eu suava. E aí foi um total descontrole, coordenação motora zero.
Mas respirei e comecei a palhaçada de sempre: ajusta banco, acerta retrovisores, bota o cinto de segurança, liga o carro, pisa na embreagem, engata a primeira marcha, acelera um pouquim, SOLTA O FREIO DE MÃO e sai com o carro. Perfeito. A não ser por um detalhe besta. Fiz tantas aulas naquele Gol e não sabia de uma particularidade dele: o danado tem PNEUS TALENTOSOS! Sim, os pneus saíram cantando! Mas o cara do Detran não percebeu a beleza e poesia implícitas nesse fato, e classificou o belo uníssono dos pneus de “perda de controle por parte do condutor”. Ridículo.
Tudo bem, tudo bem, o carro andou, não morreu nem nada. Logo de cara ele me falou pra parar na baliza azul. Fui lá e fiz A BALIZA MAIS PERFEITA DE TODA A HISTÓRIA!!! É sério, tenho até a impressão de ter ouvido alguns aplausos.
Saí da baliza tal qual Nelson Piquet saindo do box da Willians. Empolgadíssimo, dei seta para a direita, olhei para ver se não vinha nenhum carro e fiz a conversão mais perfeita do mundo desde Saulo no caminho de Damasco.
— Você ignorou a placa de parada obrigatória.
— Puta que pariu.
— Pois é.
Com isso estavam encerradas minhas chances. Consciente de minha derrota, não errei mais NADA durante todo o trajeto. Tá certo que não teve ladeira, não teria sentido fazer ladeira depois de já ter tomado bomba. Mas, porra, como evoluí!
E foi assim minha segunda tentativa. Ainda ridícula, mas bem melhor que a primeira (pior é que não podia ser). Desci do carro e me dirigi ao lugar onde estavam os instrutores e alunos da minha autoescola.
— Porra, cê saiu cantando pneu!
— Cês viram? Eu sou foda. A Sandra [instrutora] que me ensinou.
— EU??? Deixa de ser cara-de-pau!
— Ué, cê não lembra? “Sai cantando pneu que cê pega mulé bagaray”.
— Apaporra. Mentiroso feladaputa.
— Hehehehe. Se fodeu, vou marcar mais umas aulas com você.
— Eu não mereço…
Isso aí. Que venha a terceira.
Toda gratidão do mundo ao Joebass que, como se não bastasse ter saído de Campinas para ir à minha festa, ainda me pagou uma cerveja e depois me trouxe aqui em casa, não sem antes levar a Fatamorgana até a casa dela, láaaaaaaaaa em Interlagos. Mano, muitíssimo obrigado.
O último post do Modo de Usar tem tanto a cara da Bárbara que se não estivesse no blog dela eu ia ficar muito assustado.
Bah, nem vou falar da festa. Querem saber como foi? Leiam lá no Ligeirinho. Ah, e o plantão Fofocorélio (by Risadinha do Jacaré & Rafael Capanema) informa: A boo não trocou de namorado, ok? Continua com o Rafael, e não com o Thiago. O Ligeirinho que é cabaço pra caralho mesmo. O cabação arrumou. Ah, e acho que ele se apaixonou pelo Tonon. Babado forte, mona!
Hoje de manhã fui fazer aulas de direção. Marquei essas aulas estrategicamente, já que amanhã volto ao Detran.
Há pessoas que não conseguem tocar um instrumento musical. Ficam anos tentando e só conseguem decorar alguns acordes e tocar sem ritmo umas músicas que ninguém reconhece. Outras não conseguem se expressar através da escrita. Conversam bem e coisa e tal, mas aí vão tentar escrever e sai um puta negócio confuso, sem pontuação, com idéias dispersas demais, as frases atropelando-se umas as outras.
E há pessoas que são incapazes de guiar um carro. Eu me enquadro aí.
E daí, oras? Por que isso é tão inaceitável? Eu não consigo, é só isso. Há várias outras coisas que não consigo, como torcer a boca pro lado direito, mexer as orelhas feito Rafael Capanema ou mexer a cabeça no estilo Fat Family, como tão bem faz a boo. Ninguém me censura por isso, por que me censurariam por não conseguir entender a lógica por trás daquele esquema todo de embreagem, freio, acelerador, direção e — principalmente — freio de mão?
Então hoje eu fiz as tais aulas e não adiantou nada: Continuo fazendo tudo errado. Amanhã vou fazer a prova do Detran e não vou passar. Poupem-me de seus comentários otimistas e motivadores: Eu SEI que não vou passar. Não sou capaz.
É claro que existe um jeito de passar: Custa apenas 450 reais. Vejam só, eu posso conversar com a instrutora na autoescola, a qual botará as engrenagens pra rodar, devidamente engraxadas pelas minhas 450 pilas, e pronto, cá estarei eu feliz e contente com minha carteira de habilitação. Mas há um problema aí: Se eu fizer isso, se eu comprar minha carta (sou paulista, porra!), com que cara vou olhar meu pai? Como vou conseguir olhar nos olhos daquele que me ensinou que ser homem não tem nada a ver com bravatas de valentia, mas sim com falar a verdade, sempre a verdade, e ser absolutamente honesto, custe o que custar? Não, meu povo, não vou causar essa decepção ao velho. Não vou alimentar o sistema de corrupção. Já passei da idade de acreditar que minha atitude pode ajudar a mudar o mundo; sei que não pode. Mas preciso manter minha consciência tranqüila.
Mesmo consciente disso, no entanto, mesmo já sabendo que sou incapaz de aprender a dirigir, não posso deixar de dizer que isso me entristece. Mas pelo menos toco meu violão, escrevo minhas coisas, e levo o maior jeito com fantoches.
Participação especialíssima no Emotionrélio. Vão lá, seus porras.
É foda. Toda vez que há uma festa em que eu sou o anfitrião, como a festa de 1 ano do JMC em fevereiro e meu aniversário ontem, procuro falar com todo mundo, circular, dar atenção a todos. Porque o fato de tantas pessoas se reunírem por minha causa me comove de verdade. E eu faço questão de dizer isso às pessoas, que estou muito feliz com a presença delas e coisa e tal. Aí sabem o que me dizem?
— Marco, você está bêbado!
VÃO TOMAR NO CU! Só bebi água na festa do JMC e ouvi isso de um monte de gente. Teve até um (não vou dizer que foi o Thiago) que veio me perguntar se eu tinha fumado maconha! Ontem eu até que bebi, mas permaneci sóbrio quase até o final. Mesmo assim tive que ouvir a mesma ladainha de sempre. E tudo isso por quê? Porque tento ser simpático, atencioso.
Então que se foda: Na próxima festa eu vou ficar o tempo todo sentado no meu canto. Quem quiser papo, que venha falar comigo. Já que cordialidade é sinônimo de embriaguez, talvez rudeza seja o equivalente de sobriedade.