A segunda Páscoa (Números 9)
Aproveitem que hoje isto aqui está em ritmoooooooooooooo, ritmo de festaaaaaaaaaaaaa. Mais um capítulo novo.
Pois então, como eu disse: os israelitas tinham saído do Egito já fazia quase um ano. E foi sobre isso que deus foi falar com Moisés:
— Ô, Moisés, já vai fazer um ano que vocês saíram do Egito. Sabe o que isso significa?
— Q-que vai t-ter f-festa…
— Sim, vai ter festa. Mas QUAL festa?
— F-festa de a-aniversário, o-oras!
— Ok, ok. Mas qual o NOME da festa?
— S-sei lá, oras! F-festa à f-fantasia?
— Não.
— F-festa do ca-cabide?
— Claro que não, oras.
— F-festa do c-coqueiro, po-pode trepar que n-não tem g-galho?
— Puta merda, eu devia ter inventado um décimo-primeiro mandamento para piadas velhas… Moisés, a partir do pôr-do-sol do dia 14 deste mês cês vão comemorar a Páscoa.
— Ah, é! N-nem l-lembrava.
— Ainda bem que eu fiz você anotar tudo, né? Puta velho esquecido… Bom, avisa o povo aí. Quero todo mundo comemorando a Páscoa do jeito que eu mandei.
Bom, Moisés ia discutir? Claro que não. Tratou logo de lembrar aos israelitas que no dia 14 ia ter a comemoração da Páscoa. E os problemas não tardaram a mostrar sua cara feia: Uns caras tinham tocado num defunto e estariam imundos no dia da Páscoa. O que fazer? Moisés também não sabia, e foi perguntar a deus.
— Encostaram num defunto, foi? Putz… Sei lá o que fazer com esses caras! Mata tudo.
— P-pega l-leve, Ja-Javé…
— Bah! A gente quebra a cabeça pra inventar uma festa legal, cheia de simbolismo e coisa e tal, pra vir meia dúzia de nego e estragar tudo? É foda, viu! Que que eu faço com esses caras agora? Ah, sei lá. Fala pra eles comemorarem a Páscoa mês que vem, também no dia 14.
— T-tá b-bom.
— E pra tomarem cuidado pra não encostarem em nenhum defunto até lá, senão eu vou ficar muito puto. Aliás, já escreve essa lei aí como um adendo pra Páscoa: Se alguém estiver impuro no dia da festa, deverá celebrar no dia 14 do mês seguinte. E a celebração deverá ser completa, com as ervas amargas, o pão sem fermento, o sangue no umbral da porta, tudo.
— A-anotado. E i-isso t-também va-vale p-para a-alguém que e-esquecer de ce-celebrar no d-dia ce-certo?
— Claro que não, oras! Aí vira esculhambação. Posso até abrir uma exceção para quem estiver viajando na Páscoa, beleza. Mas se o cara estiver no meio do povo, não estiver impuro, e ainda assim não comemorar a Páscoa, será expulso. Tão pensando que é festa?
— N-não é?
— Foi uma força de expressão, Moisés.
— A-ah…
— Vê se deixa de ser burro. Ah, e se algum estrangeiro que estiver entre vocês quiser comemorar a Páscoa, poderá fazê-lo sem problemas. Mas terá que seguir todos os rituais à risca. Ok?
— Be-beleza.
— Então tá. Ah, Moisés, e outra coisa: Vai se preparando aí que cês vão começar a viagem daqui a uns dias.
— L-legal. N-não a-agüentava m-mais e-esse ma-marasmo aqui no S-Sinai. Q-quando a ge-gente sai d-daqui?
— Quando eu mandar, oras. Cê viu que tem uma nuvem de fumaça cobrindo o Tabernáculo durante o dia e uma coluna de fogo durante a noite?
— E q-quem n-não viu? Ô Ja-Javé, quer f-fumar s-seu ne-negócio, t-tudo bem, n-não tenho n-nada com i-isso. Mas p-precisa dar e-essa b-bandeira to-toda?
— Bah, desde que eu nasci que eu fuuuuuumo… Além do mais eu sou é deus, tá me ouvindo? DEUS! Eu faço o que eu quiser. Mas então: taí a fumaça durante o dia e a brasa à noite. Quando eu apagar meu baseado, esse será o sinal para vocês levantarem acampamento. Então já sabem: quando não houver nem fumaça nem brasa sobre o Tabernáculo, caminho da roça todo mundo. Tá bom?
— Be-beleza. E q-quando v-vai ser i-isso de-dessa v-vez?
— Logo logo. Depois da Páscoa. Aguarde e confie.




