Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

ALELUIA!!!

Jaime véve!

Marcurélio, o ás no volante (por favor, notem o trocadilho Tonônico)

Então, hoje fui dirigir no Bixiga. Para quem não sabe, Bixiga é um bairro aqui de São Paulo que se chama Bela Vista, onde temos cantinas italianas e a quadra da Vai-Vai. E não vuo explicar aqui por que chamam a Bela Vista de Bixiga.
Pois então, chegamos lá e a instrutora (sim! Uma mulher! Ainda bem!) foi logo me dizendo que as ruas por ali ficam movimentadas às quartas-feiras por causa das filmagens da Turma do Gueto. Hum. Ela só esqueceu de me avisar que uma das ruas pelas quais eu passaria dirigindo era de MÃO DUPLA, e que vários carros dirigidos por ASSASSINOS PSICOPATAS viriam tanto em sentido contrário quanto atrás de mim.
Mas tudo bem. Na minha primeira aula de violão não consegui tirar um mísero som do instrumento. Hoje consegui fazer o carro andar, dei três voltas no quarteirão e só deixei o bicho morrer uma vez.
Agora só faltam catorze aulas…

O Ano Sabático, o Jubileu e outras mumunhas (Levítico 25)

Ah, vocês já estavam achando que não tinha mais, né? Pois não se iludam, filisteus incrédulos! Depois de apedrejarem o cara lá, Moisés e Arão voltaram para o Tabernáculo para continuarem a conversa com deus.
— Aê, Ja-Javé. J-já ma-matamos o c-cara. V-vamos c-continuar? Ja-Javé? JA-JAVÉEEEEEEEEEEE!
— Te fresqueia, Moisés. O cara deixou um bilhete, olha aqui. Tá falando pra gente encontrar ele no Monte Sinai.
— N-no Si-Sinai? P-porra!
— Pois é. O feladaputa esquece que temos mais de oitenta anos, não temos mais pique pra ficar subindo montanha. Mas cê vai querer discutir com ele?
— E-eu n-não.
— Então vambora.
E os dois irmão partiram em direção ao monte. Chegaram ao topo quase mortos de cansaço.
— Ô, seus maricas! Não agüentam nem uma subidinha dessa?
— P-ra vo-você é f-fácil f-falar, Ja-Javé. V-vai pra o-onde q-quer q-quando q-quer. Co-como v-você f-faz isso?
— Ah, copiei de Star Wars. Aquele negócio lá de teletransporte que o Doutor Spock usa.
Javé mal acabara de falar quando um sujeito surgiu de trás de uma pedra. Cabelinho cuidadosamente penteado, roupinha engomada, óculos presos com um elástico na nuca.
— Aham… Perdoem-me interromper a conversa, mas tenho algumas correções a fazer. Primeiro, é Star Trek, não Star Wars. E é Senhor Spock, não Doutor Spock. Além do mais, o…
Ele não teve tempo de terminar: Foi reduzido a cinzas por um raio.
— Odeio trekkers. Ô raça. Mas onde é que a gente estava?
— Você eu não sei, Javé. A gente tava apedrejando um cara lá embaixo.
— Ah, é. Mas vamos continuar com as leis. Deixa eu ver aqui… Ah, o Ano Sabático. Seguinte: Lá em Canaã cês vão cultivar a terra normalmente por seis anos. Mas o sétimo ano será como um sábado para o solo: Vocês vão deixar a terra descansar. E será assim a cada sete anos: Nada de cultivo. E mesmo que cresça alguma coisa na terra por si só, vocês não vão poder colher.
— Péra, e a gente vai comer o quê? Maná?
— Mané maná! Chega da maná, dá um trampo danado fazer isso. Só de pensar que vou ter que mandar maná pra vocês por quarenta anos já me dá desgosto e…
— Q-QUÊ? Q-QUARENTA A-ANOS??? Cê t-tá di-dizendo que a-ainda v-vamos fi-ficar Q-QUARENTA A-ANOS va-vagando p-pelo de-deserto?
— Er… Aham… Claro que não Moisés, claro que não! Foi um erro de cálculos. Tenho que produzir maná por quarenta anos por razões contratuais, essas complicações legais, sabe?
— Hum.
— Então. Mas respondendo à primeira pergunta: No ano anterior ao Ano Sabático, a terra produzirá o suficiente para alimentar vocês no ano seguinte.
— É? E se não produzir?
— Porra, Arão, vai por mim. Eu sou é deus, tá me ouvindo? DEUS! Se eu tô dizendo que cês vão ter boas colheitas antes do Ano Sabático, é porque vão ter. Oras! E vamos em frente. Bom, cês vão contar, também a partir de quando chegarem a Canaã, sete semanas de anos.
— Se-semanas de a-anos?
— É, Moisés. Porra, não é difícil de entender. Quantos dias tem uma semana?
— Se-sete.
— Então! Uma semana de anos tem sete anos. E quantos anos são sete semanas de anos?
— …
— Sete vezes sete, Moisés!
— …
— ARGH! Arão, fala pra ele.
— Fácil! Sete vezes sete dá quarenta e sete.
— QUARENTA E NOVE!
— Bah, foi por pouco.
— Pfff… Bom. Então, quarenta e nove anos. No ano seguinte será o Jubileu.
— Po-porra, Ja-Javé, e-então p-por que não fa-fala l-logo a ca-cada ci-cinqüenta a-anos?
— Ah, quarenta e nove mais um você sabe fazer, né? Ignorante… Tá, a cada cinquüenta anos vocês terão o Jubileu. No Dia do Perdão do ano do Jubileu vocês vão mandar um homem tocar trombeta por todo o país. Vai ser uma turnê legal pro cara, e vai servir para anunciar o Jubileu. Esse será o ano da libertação: Todos os que tiverem sido vendidos como escravos voltarão para suas famílias, e todas as terras voltarão a pertencer a seus donos originais. Olha que beleza!
— Ah, uma beleza mesmo! Imagina, o cara é vendido e pensa: “Mas tudo bem, daqui a cinqüenta anos eu tô livre”…
— Má vontade sua, Arão. Se o cara foi vendido um ano antes do Jubileu, será libertado no ano seguinte.
— É, aí já é negócio.
— Tô falando, esse Jubileu é um puta negócio legal.
— É, mas tem um furo aí. Suponha que eu venda uma terra minha para o Moisés um ano antes do Jubileu. No Jubileu ele terá que me devolver a terra, certo?
— Certo.
— Puta prejuízo pro cara!
— É nada, já pensei nisso. O preço das terras será calculado com base nos anos que faltam para o próximo Jubileu. Quanto mais perto o Jubileu estiver, menor será o valor da terra.
— Boa…
— É, eu sou foda. E vamos em frente. Deixa eu ver aqui… Ah, leis a respeito de propriedades. Seguinte: Quando um terreno for vendido, seu antigo dono será o primeiro a ter o direito de comprá-lo. Se alguém ficar pobre e precisar vender parte de suas terras, um parente próximo deverá comprar de volta o que ele vendeu. Mas se ele não tiver parentes, e um dia voltar a ter dinheiro, terá prioridade na compra de suas antigas terras. E mesmo que ele permaneça na pindaíba, o terreno será devolvido a ele no ano do Jubileu.
— Q-que be-beleza! De-depois de a-apenas ci-cinqüenta a-anos!
— Não torra, Moisés, ou eu torro você.
— …
— HUMPF. Deixa eu continuar. Ah, essas leis não valem para casas que ficam em cidades muradas. Nesse caso, o antigo dono só tera prioridade de compra no primeiro ano, depois disso, bau-bau. Nem no Jubileu ele tem a casa de volta. A não ser que seja um levita, levitas têm privilégios, vocês sabem. Mas casas que fiquem em cidades sem muralhas são como terrenos, valem para elas as mesmas leis do Jubileu e coisa e tal. E é isso.
— Ah, foi rápido.
— É. Tem mais uns troços aqui, coisas sobre ajudar os pobres, não emprestar dinheiro a juros, tratar bem os escravos. Mas é tudo bobagem, passo pra vocês por email. Beleza?
— Be-beleza.
— Então vamos em frente, que falta pouco pra terminar o Levítico.

Aviso

Evitem o centro de São Paulo. Hoje Marcurélio faz sua primeira aula de volante. Tudo pode acontecer.