Olha, o Daniel é um sacana que vive me enchendo o saco por causa da minha cabeça. Mas como escreve, o filho da puta!

Calma, crianças. Não estou ignorando ninguém no ICQ. O fato é que esta merda de programa está todo errado já há alguns dias, como já salientaram o moskito e o Pedro. Então eu consigo enviar mensagens para algumas pessoas, mas não recebo as mensagens delas. Ou recebo as delas, mas elas não recebem minhas respostas.
Então pensem bem antes de colocarem meu nome na boca do sapo, ok? O pobre batráquio asqueroso e verruguento não merece isso.

Ah, e o sapo também não.

É, chega de posts sentimentais por aqui. Fiz um outro blog só para isso, a exemplo do Thiago (mas sem a mesma qualidade — falta-me o talento que nele sobra). Depois eu vejo se divulgo ou não. Por enquanto, não. Só pra algumas pessoas.

Não tem isso de coração. O coração é um músculo idiota, que só pode se gabar de ter força bruta suficiente para bombear sangue para todo o corpo. Nada de coração: Minhas personalidades todas convivem num só lugar. Ao contrário do que muitos pensam, há um pequeno cérebro perdido no vácuo de minha imensa caixa craniana. Esta pequena porção de massa cinzenta viveu feliz e despreocupada por muito tempo. Tudo era harmonia. Os neurônios viviam saltitantes, os dois hemisférios eram grandes amigos, o cerebelo viva lá sua vidinha de inválido.
E aí surgiu você e soou um alarme lá dentro. Um rebuliço danado, todo mundo querendo saber o que acontecia. O hemisfério esquerdo ainda tentou acalmar os ânimos, mas era tarde demais: O caos estava formado.
Talvez esteja aí a razão dessa dor de cabeça o dia inteiro. É uma briga danada aqui dentro. Há golpes de estado contínuos dentro do cérebro; a cada minuto uma das facções toma o poder e há paz por alguns instantes. Mas logo os conspiradores começam a cochichar, e lá vem outra convulsão revolucionária.
Não há cérebro que agüente tanta agitação. Se eu tiver um piripaque, um troço, um negócio, um ai-meu-deus, a senhorita vai se ver com meus advogados.

Vocês não vão acreditar. Não, vocês não vão acreditar. Vão dizer que sou um mentiroso mequetrefe vil e rastejante. Não vão mais falar comigo. Eu sei. Eu sei. Mas eu preciso dizer mesmo assim.
Ah…
Não sei se eu digo… Vocês não vão acreditar mesmo… Eu digo?

— FALA LOGO, SEU MERDA!

Então.
A Bárbara atualizou o Modo de Usar.

— QUÊ??? MENTIROSO DA PORRA!

Tá vendo? Eu sabia! Eu sabia! Porra, vão lá e vejam. Um post em contraponto ao penúltimo post meu. Ela adora contrapor-se a mim. Aliás… Nah, deixa pra lá. Melhor não contar intimidades…

Tá, tá, sei que tô devendo atualizações no Emotionrélio. Mas é que minha cara, assim como minha mente, anda sem a elasticidade necessária. Compreendam.

Esta é a época em que os sem-assunto se realizam. Você os conhece: São aquelas pessoas que falam interminavelmente sobre como está chovendo, que horror, e sobre como fez um calor insuportável a semana inteira, e sobre o ano passado, que não foi quente como este. Pois então. O Horário de Verão, todos sabemos, acabou no sábado. Olhe à sua volta. Note que há pessoas com um brilho diferente no olhar, um ânimo renovado, uma vontade de viver incomum. São os sem-assunto, embriagados e excitadíssimos pela chegada desse tema tão rico. E lá vão eles. Desfiam as vantagens do Horário de Verão. E fazem o contraponto, lembrando as suas desvantagens. Preste atenção nessas ricas conversas, porque hoje é o dia deles. No elevador, no ponto de ônibus, no metrô, no restaurante, o assunto é o mesmo. Eles contam quantos relógios tiveram que acertar. Dizem que acordaram mais cedo, por terem se esquecido de ajustar o rádio-relógio. Contam sobre o irmão que no ano passado chegou ao escritório uma hora mais cedo e teve que ficar esperando na recepção. Ah, são muitas histórias, todas empolgantes.
Mas sempre chega aquela hora em que os sem-assunto esgotam o horário de verão. Então eles olham para o sapato. Olham para o interlocutor e levantam as sobrancelhas. Olham para cima. E então seus olhos voltam a brilhar:
— É… Vai chover…
— Mas também, com o calor que fez essa semana…
— Insuportável.
— Insuportável! Dava pra fritar um ovo no asfalto. E agora, com o fim do horário de verão…
E lá vão eles.

Parece que o servidor vai começar de novo. Ai caralho.