George W. Bush. O Ronald Golias mais poderoso do planeta. O Alfred E. Neuman que manda no globo. E doidinho pra começar uma guerra. A imprensa do mundo inteiro não sabe falar de outra coisa. Afinal de contas, a guerra pode ser declarada a qualquer instante e não podemos perder um movimento sequer desse jogo.
Triste mundo! Falar de amor e outros belos sentimentos é piegas e ridículo, enquanto se entoam louvores à guerra. Eros, Vênus, aposentem-se! Marte e Tanatos estão na moda, e nada do que vocês fizerem poderá mudar isso.
Por muito tempo eu também quis me ajustar a esta nova ordem. A insensibilidade absoluta era meu ideal. Mas isso cansa. Sufocar o que se sente é sufocar a si mesmo. Olho ao meu redor e o que vejo são pessoas em desespero tentando arejar (um pouco que seja) a alma.
Então ouso pensar que estou certo, e o mundo está errado. “Ah, o Marco Aurélio anda muito viado”. Foda-se. O que vocês, tão machos, ganharam passando a vida escondendo o que sentem? Proteção? Garantia? Então olhem para dentro, procurem alguma coisa. Não encontram, não é mesmo? Empurraram os sentimentos tão lá para o fundo que agora não têm mais o que proteger ou garantir. O fundo da alma humana é pleno de lodo e merda; por que empurrar para lá o que temos de melhor? Prefiro que esses sentimentos flutuem, mesmo sabendo que na superfície eles estão muito mais vulneráveis.
“Ah, o JMC anda muito sem graça”. Foda-se. Não sou jukebox de piadas. Há milhares de excelentes sites de humor por aí. Isto aqui é um blog. Mesmo tendo o humor como característica principal, ainda traz em si muito da tristeza e da timidez do autor. Quem quiser só o lado engraçado, que vá ver minhas caretas no Emotionrélio.
Foda-se, foda-se. Meu gene do semancol é defeituoso. Meu senso de ridículo disse que ia comprar cigarros e nunca mais voltou. Faço serenatas, mando flores, dedico músicas no karaokê. Porque sou tímido espalhafatoso, de perto ninguém é normal.
Não gostou? Marcurélio tá ficando mole? Vá embora! Vá ler um livro, jogar videogame ou tomar aulas de tango. Só não me torre. Isto aqui é meu, que ninguém se esqueça disso. E vou falar o que penso e sinto (principalmente o que sinto) sempre que achar necessário ou conveniente. Se você aceita, muito bem. Se não aceita, é um imbecil, porque eu momento algum eu solicitei sua autorização para escrever aqui. Espernear contra o que aqui está é tão estúpido quanto amaldiçoar a chuva: Meus textos, assim como as condições metereológicas, não dependem de você.
O blog é meu. E se amanhã eu decidir abandonar a sátira bíblica e começar a postar poemas ou receitas de bolo, isto é problema meu. Sou um homem e faço o que quero da minha pobre vida e da minha arte mais pobre ainda. Se você é um moleque e acha isso engraçado, aí sim é problema seu. Porque você não é digno nem de lamber minhas bolas.