Este post não é pra retomar a polêmica, ok? É que um monte de gente de todas as regiões do Brasil tem me mandado emails demonstrando estranhamento com a presença do purê de batatas no cachorro-quente. Proponho-me apenas a explicar o papel desse ingrediente. Vamos lá.
Quando eu era moleque, o cachorro-quente era um negócio simples. Acho que em todo lugar era igual: pão, salsicha, mostarda e (argh!) ketchup. Um ou outro vendedor mais visionário acrescentava maionese. E com o tempo outros ingredientes foram sendo acrescentados à receita: ervilhas, milho verde, batata palha, queijo ralado, catupiry, cheddar, o diabo a quatro.
Com tantos ingredientes, começou a acontecer o inevitável: Você ia comer um cachorro-quente e caía tudo. Pagava por um e comia meio, a outra metade ia pro chão.
Pois muito bem. Todo mundo sabe que São Paulo é uma cidade de concreto. Pra todo lugar que você olha vê prédios, viadutos, túneis. Influenciada pela paisagem, a população acabou desenvolvendo um tipo de raciocínio sempre baseado em estruturas de engenharia. O cachorro-quente era uma estrutura falha. Então alguém percebeu o que faltava a ele: Cimento. Era preciso cimentar o cachorro-quente. Mas como cimento deve ser um puta troço indigesto, optou-se pelo purê de batatas. Não tem gosto de nada, mas é uma maçaroca perfeita para manter o equilíbrio estrutural do cachorro-quente. Hoje em dia, aqui em São Paulo, você pode comer um cachorro-quente sem derrubar NADA no chão. Mais um triunfo da engenharia.
(Sei não, acho que foi idéia do Maluf…)