Leis contra a put…
Arram!
Leis de moral sexual
— Muito bem, vamos lá. Putaria.
— Ôba!
— Essa piada já foi, Arão.
— Ah, é. Desculpa aí, foi mal.
— Então. É o seguinte: Eu não quero que vocês ajam como os egípcios. Lembram a baixaria que era lá, a esculhambação? Pois em Canaã, pra onde vocês tão indo, é a mesma coisa. E eu não quero que vocês sejam assim. O negócio aqui é sério. Por isso resolvi fazer leis pra isso também. Vão anotando aí.
— Po-porra, Ja-Javé. Já t-tô com t-tendinite.
— Depois eu te pago uma fisioterapia, Moisés. Agora anota: É proibido comer a própria mãe. Claro, ninguém quer ser filho de um corno e de uma puta. Então tá proibido. Assim como trepar com qualquer esposa do pai. Com irmã também não pode, mesmo que seja só por parte de mãe ou de pai, ou que tenha sido criada longe. E isso vale pra filha, neta, tia, cunhada, nora.
— Avó pode?
— Claro que não, porra!
— Pô, mas se meu pai come minha mãe todo dia, seria justo eu comer a dele.
— Cê tá todo engraçadinho hoje, né Arão? Vamos trabalhar mais e deixar de conversa mole. Deixa eu ver aqui… Hum, um teste pra você. Suponha que você, Arão, comeu uma dona aí. Beleza, comeu, não ligou no dia seguinte, nunca mais viu. Vinte anos depois você encontra a filha da mulher. Linda, gostosa, uma coisa. E ela te dá bola. O que cê faz?
— Gostosa e me dando bola? Eu traço!
— TRAÇA É PORRA NENHUMA! Ela pode ser sua filha, ô burro!
— Ah, é…
— Fica esperto. Moisés, cê é casado com aquela baranga lá. Qual o nome dela mesmo?
— Z-Zípora.
— Pois então. Suponha que a Zípora tem uma irmã. Você se casaria com a irmã dela?
— C-claro que n-não!
— Muito bem! E por que não?
— P-porque na-naquela fa-família é t-tudo sangue r-ruim.
— Ai, meu saco… Não, Moisés. Você não pode se casar com a irmã de uma mulher com a qual você já esteja casado, isso é verdade. Mas é pra evitar dor de cabeça. Esse negócio de poligamia já dá uma confusão danada, cada uma das esposas querendo ser a predileta, aquele nhenhenhém. Se além disso duas delas forem irmãs, aí é que o cabra não tem sossego mesmo. Entendeu?
— E-entendi.
— Então vamos em frente. É proibido ter relações sexuais com uma mulher menstruada. Comer a mulher dos outros, nem pensar. Hum, que mais… Ah, nenhum pai deverá entregar seu filho para Moloque.
— Mo-Moloque? Q-quem é e-esse ca-cara?
— Um dos deuses lá de Canaã. Cês falam mal de mim porque peço sangue de ovelha, cabra, bezerro. Pois saibam que lá os caras oferecem os próprios filhos em sacrifício a Moloque.
— Cáspita!
— Pois é! Eu sou um deus até que maneiro, vocês que são uns ingratos. Humpf. Bom, deixa eu ver, acho que não falta mais n… ÔPA! Tava esquecendo um negócio importante: Eu não su-por-to veadagem!
— HUM!!! Não su-por-ta! Santa!
— Arão, tu anda muito abusado. Fica na sua aí que é melhor. E deixa eu continuar: Homem que ceder o berráindi, vai se ver comigo.
— Q-que fi-fizer o q-quê?
— Que der ré no quibe, Moisés.
— Co-como?
— Ai ai… Que beijar de lado.
— A-ainda não e-entendi.
— PORRA, MOISÉS! TÔ FALANDO DE EMPURRAR A JANTA! CEDER O ANEL DE COURO! DAR O REDONDO! ENTREGAR O BUTICO! LIBERAR O BRIOCO! FORNECER A CAUDA! CONCEDER O TRASEIRO! ARRENDAR OS FUNDILHOS! ATENDER PELA PORTA DOS FUNDOS! PISAR NA CHAPINHA! ESCORREGAR NO QUIABO! Entendeu?
— …
— Bah! Bota aí que é proibido dar a bunda.
— A-ah!
— Grunf. E é proibido também ter relações com os animais.
— Pô, mais e a Genov…
— Como, Arão?
— Hein? Nada não.
— Não, cê falou alguma coisa.
— Nah! Tava pigarreando! Toca o barco, Javé, toca o barco!
— Hum. Bom. São essas aí essas leis. E devem ser seguidas à risca. Uma das razões pelas quais eu odeio aquele povo lá de Canaã é por causa da putaria que é aquilo lá. Tudo anotado?
— Beleza.
— Então vamos em frente. Falta pouco.
— S-sério?
— Não.
— HUMPF.






