Hoje no metrô vi um sósia do Eddie Vedder e me lembrei das traduções que eu, o Lelê e o Tonon fazíamos na escola, com eventual participação do Risadinha. Não preciso dizer que as traduções nada tinham a ver com as letras originais: Baseávamo-nos no som das palavras e introduzíamos um monte de piadas internas. Um dia, tendo resolvido traduzir Jeremy do Pearl Jam, encasquetamos no refrão: “Jeremy spoken in class today”. Então começou a brainstorm:
— Bom, “Jeremy” é “Jeremias”. E “spoken”?
— Hum… Não sei. Pula.
— Tá. “In class” pode ser o quê? “Em casa”?
— Pode, boa. E “today”?
— Vamos separar a palavra. “To day”. Cês sabem que em inglês o “to” indica o infinitivo do verbo, certo? Então é o infinitivo desse verbo aí, “day”.
— Deu?
— Aê, boa! “To day” é dar.
— Legal. Agora só falta o “spoken”.
— “Spoken”… Ah, sei lá! “Spock”!
— É, pode ser. “Spock”, então.
Nesse ponto eu, sempre profundo conhecedor de cinema e TV, soltei:
— E é legal ser Spock porque o cara lá do Pearl Jam tem o nome parecido com o do vilão lá de Jornada nas Estrelas.
— Hum… Que vilão?
— Oras, que vilão! O clássico! “Fulano, eu sou seu pai”, aquele!
— O Darth Vader?
— Esse.
— É de Guerra nas Estrelas, Marco Aurélio.
— Bah, Jornada, Guerra, tudo igual. O importante é que tem o Spock e o Eddie Vedder.
— Darth Vader. E não tem nada a ver o Spock com o Darth Vader porque…
Aí o Lelê me explicou a diferença entre o seriado Jornada nas Estrelas e a saga cinematográfica Guerra nas Estrelas. Não entendi nada na época e até hoje me confundo, às vezes. E nunca assisti nenhum dos dois.
E não sei o porquê deste post.
Hum.
Mas sei que até hoje não consigo deixar de pensar na linda frase “Jeremias foi em casa dar pro Spock” sempre que ouço Jeremy.