Jesus, me chicoteia!

Coisas escritas em

São Gravata

Vocês hão de estranhar esse repentino título de santo sapecado por mim no sempre demoníaco Gravataí Merengue. Mas já explico: Ontem ele veio falar comigo no ICQ para perguntar se eu tinha conexão rápida à internet. Repondi que sim, então ele disse que ia me passar o arquivo. E era e-nor-me!!!
— Porra, Gravata. 35Mb.
— Vale a pena, cara. Relaxa.
E valia MESMO a pena: Uma gravação dos anos 80, do programa Chico & Caetano. A banda toca a introdução e Chico Buarque começa a cantar O Quereres, de Caetano:

Onde queres revólver, sou coqueiro
onde queres diheiro, sou paixão
onde queres di…cans… Er.

Se enrola todo com a música e bota as mãos na cabeça, num gesto de mea culpa:
— Desculpe. Tem dias que eu fico pensando: Por que diabos insisto nessa profissão — a câmera dá um close no rosto dele, que se vira para o Caetano com cara de moleque que fez coisa errada — Eu tô dando tudo de mim. Juro que tô.
Caetano, malicioso, não perdoa:
— Não exagere…
— Hahahaha. Vai dar certo.
Aí a banda começa de novo, e os dois cantam a música toda, agora sem erros, mas com trocas de olhares marotos entre os dois. Uma linda viadagem.
Agradeço a São Gravata pela graça alcançada.

Mais um prêmio

Putz, esse eu mereço MESMO

EU TENHO
AUTOCRÍTICA

Aprendam


“Meu, o seu blog é muito louco, mas sou evangélico e fiquei um bocado chateado com a brincadeira com o nome de Jesus. Achei mancada. Acho que é um desrespeito com a fé alheia. É democrático, mas irresponsável. Tem coisa que não dá para aceitar. A propósito, uma dica: cuidado com os erros de ortografia… aniversário é com um “s”, por exemplo. No demais, tá legal…”

Viram? Isso sim é um modo civilizado de falar com as pessoas. O Márcio Almeida veio aqui, deixou esse comentário dizendo que se incomoda com meu desrespeito e ainda apontou um erro infantil cometido por mim. Aniverssário é foda. E em momento nenhum o cara me falou de inferno, de castigo de deus, essas porras todas.
Obrigado, cara, e volte sempre. Quanto à brincadeira com o nome de Jesus, não se preocupe. Não gosto nenhum pouco de deus, mas Jesus é um cara legal. Botava apelido nos discípulos, ridicularizava os fariseus e até o rei Herodes. Estou certo de que se eu vivesse naquela época e estivesse no templo de Jerusalém no dia em que ele expulsou os mercadores armado de chicote; e eu gritasse “Jesus, me chicoteia!”, ele pararia tudo pra dar uma boa gargalhada.
Quanto ao resto, sobre ser democrático mas irresponsável, já respondi por e-mail.

Daniela e Marcurélio roteiristas???

Li na Folha de S. Paulo essa semana uma matéria dizendo que a Rede TV! estava procurando roteiristas para uma série nos moldes de “Os Normais”. Imediatamente Daniela e eu nos interessamos, já que seria uma boa forma de expansão para nosso Balde de Gelo. O problema é que não sabemos com quem falar na emissora. Alguém aí pode nos ajudar? Quem der um auxílio pra gente ganha uma mariola.

Tá explicado!

Cheguei aqui todo feliz hoje e não sabia por quê. Mas agora tá explicado: É aniversário da minha querida Camila. Que está na praia e fica tirando sarro dos pobres que estão trabalhando hoje. Mas tudo bem, meu dia chega…
Feliz aniversário, menina linda!

Leis sobre lepra

(Levítico 13:1-46)

— Cê viu, Moisés? O cara tem raiva de mulher!
— E-eu n-nem e-estranho mais. S-sempre de-desconfiei.
— Hum, sei… E vocês dois, hein? Quarenta dias sozinhos no alto do Sinai. Não rolou um clima não?
— T-TOMAR NO C-CU, A-ARÃO! Vê l-lá se eu s-sou de fa-facilitar pra vi-viado…
— Hehehe… Toma cuidado com a Javélia…
— QUE PORRA CÊS DOIS TÃO COCHICHANDO AÍ????
— Ô, Javé, já voltou? Falávamos sobre o quanto você é zeloso e limpo, com essas precauções higiênicas todas.
— Sei, sei… Então cês vão gostar mais ainda dessa parte sobre lepra.
— Le-lepra?
— É, Moisés. Lepra. Aquela doença nojenta. ARGH, não suporto leproso. Meu filho gosta, mas eu não SUPORTO e…
— Peraí, Javé. Filho? Você tem um filho?
— Er… Quem falou em filho?
— Você! Acabou de dizer que seu filho gosta dos leprosos.
— Cê tá velho Arão, tá ouvindo tudo errado. Humpf. Vê se me poupa das suas caduquices, que temos muito trabalho a fazer. Então. Leis sobre lepra, anotem aí. Se alguém tiver na pele uma mancha, uma inchação, um tumor, qualquer coisa que pareça que vai se tornar lepra, deverá procurar um dos sacerdotes. O sacerdote vai examinar o cara. Se a ferida estiver mais funda que a pele, com pêlos brancos, então é lepra, e o sacerdote declarará a pessoa imunda. Mas se a mancha for branca e não estiver afundada nem com pêlos brancos, então a pessoa ficará isolada por sete dias. Ao fim do isol…
— Peraí, Javé. Que porra de método diagnóstico é esse? Pelo que você falou, o cara pode estar até com micose.
— Foda-se, pra mim é tudo lepra. Nojo, nojo!
— Calma, santa!
— COMO É?
— Eu disse: Calma! Senta…
— Já estou sentado.
— Ah, não tinha reparado.
— HUMPF. Deixa eu falar, vai. Ao fim do isolamento, o sacerdote examinará o cara novamente. Se a mancha permanecer como estava, ele ficará isolado mais sete dias.
— O sa-sacerdote?
— Claro que não, porra! O leproso! Então. Depois desses outros sete dias, será examinado novamente. Se a mancha estiver desaparecendo e não tiver se espalhado, então é só uma coisa besta sem importância. O paciente lavará a roupa que estiver vestindo e será declarado limpo.
— Depois de perder duas semanas de trabalho…
— Oras, Arão, cê queria o quê nesses tempos difíceis? Licença remunerada? Não dá, né? Mas quanto ao tal cara com a mancha: Se depois de declarado limpo a mancha voltar a se espalhar pela pele, ele irá falar novamente com o sacerdote, que o examinará. Se comprovar que a mancha de fato está se espalhando, irá declarar o cara impuro, porque é um caso de lepra.
— N-não seria m-mais f-fácil co-contratar u-uns m-médicos, e-enfermeiras e t-tal?
— É verdade, Javé. Por que deixar esse negócio de saúde pública na mão dos sacerdotes?
— O orçamento desse ano tá apertado. Ano que vem talvez a gente consiga até abrir um hospital, fazer um programa de saneamento básico no acampamento…
— Xi, já ouvi esses papos…
— Bah! Então não enche o saco e continua anotando aí. Se um sujeito tiver suspeita de lepra, irá falar com o sacerdote, que fará o exame. Se houver na pele do cara um tumor branco, com pêlos brancos, e houver uma ferida aberta no lugar, então é um caso crônico de lepra. Não vai nem ser mandado pro isolamento, vai direto pra fora do acampamento. Mas se a doença tiver se espalhado pelo corpo todo, deixando a pele toda branca, a pessoa será declarada pura.
— C-claro. I-isso n-não é le-lepra, é vi-vitiligo.
— Verdade, Javé. Manja o Michael Jackson? Então.
— Pra mim é tudo lepra! Esse cara aí que ficar todo branco, por exemplo: Se aparecer uma ferida na pele do cara, seja onde for, ele será declarado impuro. E só vai se livrar se a ferida sarar depois. E continuando: Se alguém tiver um furúnculo que sarou e no lugar apareceu uma mancha branca ou avermelhada, já sabe o que fazer: Vai falar com o sacerdote para ser examinado. Se a mancha estiver afundada e com pêlos brancos, aquele leriado todo, então é lepra. Caso contrário, o cara ficará isolado por uma semana. Se nesse período a mancha se espalhar, é lepra e o cara será declarado imundo. Caso contrário, é só uma cicatriz, fica tudo bem. E o que vale para mancha deixada por furúnculo, vale pra queimadura.
— Porra, Javé, desde quando queimadura causa lepra???
— Não sei, não sei, melhor não arriscar. Se a gente deixar um leproso não diagnosticado no meio do acampamento, daqui a pouco vocês serão um povo de leprosos e todo meu projeto irá por água abaixo. E vamos em frente: Se uma pessoa tiver uma doença de pele no cabelo ou na barba, será examinada. Ferida funda, cabelos amarelados e ralos: Lepra, tchau.
— LEPRECHAUN???
— Mané leprechaun, véio surdo. LEPRA! TCHAU!
— Ah…
— Saco… Então. Mas se o negócio parecer mais ou menos normal, serve a mesma regra: Isolamento por sete dias, novo exame. Se a ferida não tiver se espalhado, a pessoa raspará o cabelo ou a barba, sem cortar os cabelos da parte doente, e ficará mais sete dias isolada. Se a ferida não se espalhar, a pessoa será pura. Caso contrário, é lepra.
— Po-porra, Ja-Javé, tá fi-ficando ch-chato isso…
— Peraí, já vou terminar. Se um homem perder os cabelos na parte de trás da cabeça ou ficar com entradas, ele continuará puro, apesar de careca. Vai ser mais difícil pra ele arrumar mulher, mas isso é o de menos. No entanto, se na careca do cara aparecer uma mancha cor de rosa, é lepra. O sacerdote o examinará e declarará o careca impuro. É lepra.
— LEPRA PORRA NENHUMA! Javé, estamos no meio do deserto, o tempo todo debaixo desse sol desgraçado. Um careca que andar por aí com a cabeça descoberta corre grande risco de pegar um câncer de pele, mesmo porque ainda não inventaram o Sundown. É câncer de pele, Javé, não lepra!
— É lepra! É tudo lepra essas porras! E os leprosos viverão fora do acampamento, totalmente isolados. Vestirão roupas rasgadas, não pentearão os cabelos e cobrirão o rosto da boca pra baixo, que é para serem reconhecidos de longe. E sempre que virem alguém se aproximando, gritarão: “Cuidado! Sou um leproso imundo!”.
— P-pô, Ja-Javé, q-quanta c-crueldade!
— Crueldade nada! O lugar para onde os leprosos vão vai ter vários confortos. Quadras poliesportivas. Videokê.
— S-sério???
— Claro! Imagina os leprosos felizes, jogando vôlei. O juiz grita “Mão na rede!”. “É minha, é minha!”. E no videokê então, cantando “Jogue suas mãos para o céu/E agradeça lalalalá” ou “Já não tenho dedos pra contar/De quantos barrancos lalalá…”.
— Puta que pariu, Javé, que senso de humor mais cruel. E os caras vão ter que ficar isolados lá para sempre, é isso?
— Claro que não! O cara pode ir fugindo aos pouquinhos: Um dia um dedo, no outro o nariz, no outro uma orelha, depois um pé…
— AAAAAARGH!
— Hehehe… Chega de brincadeira, vamos trabalhar.

(Charge do Henfil gentilmente surrupiada na maior cara-de-pau do Mundo Perfeito)

Escândalo

Preparem-se para um grande escândalo no mundo bloguista: Estou pronto para processar o Sr. Jaime por causa desse post. Que safadeza!

Prenho

Sei lá que porra me deu hoje, logo de manhã mandei dois Chandelle pra dentro. Acho que estou grávido.